São Paulo, 26 de Março de 2017

/ Opinião

O bicho vai pegar
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Ao lado dos previsíveis candidatos tucanos à sucessão de Dilma - Aécio, Serra, Alckmin - há no PSDB quem pense num nome do Nordeste

O bicho vai pegar

Toda eleição para o executivo tem sua história registrada, e nem sempre um candidato à Presidência da República, por exemplo, que foi excepcionalmente bem votado mas que foi derrotado pelo adversário, pode ter a certeza de que será capaz de repetir a votação  na eleição seguinte.

Pode ser este o caso aplicado ao tucano Aécio Neves, que disputou a eleição em 2014 beneficiado por um conjunto de fatores favoráveis, como o desgaste da imagem da principal concorrente, Dilma Rousseff, atingida pelos protestos de rua de 2013 e por uma política econômica contestada pelo mercado e parcela do eleitorado.

Aécio Neves tem o direito de estar convicto de que, ao conquistar 51 milhões de votos em 2014 , teria assegurada uma segunda candidatura presidencial já em 2018. Mas, o enredo não é bem esse: o PSDB tem, pelo menos, mais dois presidenciáveis de plantão como ele, que são o senador eleito José Serra e o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos igualmente bem votados.

Além disso, nasce no partido uma corrente ainda sem muita convicção, que defende a tese de que o PSDB deve lançar um candidato com raízes no Nordeste, uma região que concentra mais de 35 milhões de eleitores e que tem dado aos candidatos do PT uma votação maciça. O nome mais lembrado no partido é o do senador cearense Tasso Jereissatti., tenaz adversário de Lula e de Dilma Rousseff.

É preocupante no PSDB, no entanto, que muitos tucanos de bicos cortantes continuem remoendo a alma, com o pensamento ainda voltado para o resultado da eleição de outubro, porque a vitória de Dilma Rousseff –apesar de apertada- é coisa do passado.

O que é recomendável aos tucanos é que esqueçam a eleição de 2014 e passem a pensar que seu candidato em 2018 –seja Aécio, Serra, Alckmin ou Tasso- pode  enfrentar Lula, que ainda é a principal opção do PT.

Na campanha de 2014, surgiu na praça uma coletânea de boatos negativos sobre o estado de saúde de Lula: o que mais se dizia era que o ex-presidente comparecia de madrugada em algum dos hospitais top de linha, para fazer tratamento quimioterápico de combate à metástase de um câncer curado na laringe. Os boateiros, porém, podem ter a convicção de que, se Lula alguma vez comparecer em algum hospital, de madrugada, para combater um tumor cancerígeno, a imprensa mundial ficará sabendo, tintintim por tintintim, no dia seguinte.

A política brasileira tem vários exemplos de políticos que se deram mal ao esconder do eleitor que estavam enfrentando problemas delicados de saúde. Os dois mais recentes foram do ex-ministro-chefe da Casa Civil da presidência da República, Petrônio Portella, que decidiu não passar por exame médico no Incor ao sentir fortes dores estomacais, porque era a opção civil para suceder um presidente militar e entendia que um presidenciável não podia ficar doente. Petrônio acabou morrendo de um infarto do miocárdio, horas depois de desembarcar de um avião que o levou de São Paulo a Brasília.

O segundo exemplo é o de Tancredo Neves, que escondeu da população que era vítima de uma diverticulite avançada, provavelmente porque também era um presidenciável favorito para se eleger por um colégio eleitoral biônico e maleável: o resultado a história registrou em 1985.

 

 



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