São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Natal sem ressentimentos
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Desapego à reconciliação leva à substituição, em vias públicas, dos nomes de Castelo Branco e Magalhães Pinto

Curiosa fase essa que vivemos no Brasil. Os valores tradicionais da ética, da moral, da educação, do respeito e da tradição sofrem golpes permanentes, e a sociedade, como que anestesiada, aceita como se fossem coisas naturais.

Tudo começou ainda nos anos FHC, na primeira tentativa de se anular uma generosa anistia ampla, geral e irrestrita, como pedida. Falou alto o espírito do presidente João Figueiredo, da abertura democrática, um filho de anistiado, que sofreu os sacrifícios do exílio na Argentina e em Portugal nos anos Vargas.

Os embates denominados de "luta armada" pelos próprios militantes naturalmente provocaram mortes, violências condenáveis em ambos os lados. O erro, a partir da Comissão da Verdade, foi ignorar os atos praticados por um dos lados, com mortes e "justiçamentos" que era a execução daqueles que desejavam abandonar a luta armada. Depois, essa indústria de indenizações que beneficiou centenas de pessoas bem sucedidas.

A história tem de ser avaliada a cada momento, de acordo com as circunstâncias, e a anistia se presta a apagar feridas e reduzir cicatrizes. Sempre foi assim, ao longo da história da humanidade.

O Brasil está entrando na mais grave crise econômica de sua história, com resultados imprevisíveis nos seus reflexos sociais, políticos e institucionais. Devemos, por prudência e respeito aos menos favorecidos, que são os mais atingidos nas crises, buscar a conciliação e nos atermos ao que interessa, que é controlar a economia e atender aos reclamos em relação aos casos de corrupção.

No entanto, existe um grupo que se dedica a uma pauta elitista, voltada para  sentimentos menores. Em Minas já se trocou o nome de um viaduto que homenageava o Presidente Castelo Branco, que morou e se casou no Estado. Herói da 2a Guerra Mundial, ele foi homem rigorosamente de bem.

Outro município trocou o nome de uma avenida denominada de Governador Magalhães Pinto, um homem público ilibado, que realizou importante obra como governador, deputado federal e quatro vezes senador. Lamentável não são as propostas, de mentes radicais alimentadas por ódios e ressentimentos, mas o silêncio da maioria, que aprova e aceita por covardia.

No Congresso tramita projeto para alterar o nome da ponte Presidente Costa e Silva, orgulho da engenharia nacional, construída pela determinação daquele presidente.

São atitudes menores, que afrontam os valores da cordialidade entre brasileiros. No Rio, temos importante avenida com o nome do líder comunista Luís Carlos Prestes, que comandou sangrento movimento conhecido como Intentona, e foi depois eleito senador.

Como tinha adeptos, a escolha nunca foi contestada.

Agora querem criar uma comissão para mexer no processo da escravidão, página lamentável da história mundial, antes mesmo de Cristo. E, no nosso caso, não se pode avaliar só um lado, e o historiador José Murilo de Carvalho, da Academia Brasileira de Letras e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, já abordou em seus livros a forte presença de escravos alforriados entre os que traficavam escravos. E mais, era comum alforriados se servirem do trabalho servil. Práticas da época, que não podem provocar condenações mais de um século depois. O mais próspero fazendeiro da região de Matias Barbosa, o Barão de Guaraciaba, era negro e possuía mais de 300 escravos.

Vamos baixar a bola, olharmos para o futuro, para o Brasil de nossos filhos e netos e não ficarmos mexendo em feridas do passado. Somos todos brasileiros, multirraciais, democratas que respeitam as opções religiosas, políticas e sexuais do próximo. E esta historia do dividir para reinar é tão velha que ninguém acredita mais .

O sentimento nacional, tão bem avaliado por Gilberto Freire , é a cordialidade, fraternidade , alegria e otimismo . Não somos elitistas nem revanchistas . Somos do bem e queremos continuar a ser assim!

 



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