São Paulo, 23 de Maio de 2017

/ Opinião

Leia "O Mito do Governo Grátis", presidenta!
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Para além de um brado de luta e de esperança, acreditamos que nunca foram tão oportunas as propostas do economista Paulo Rabello de Castro

Se a senhora deseja realmente mudar o país, presidenta, é imprescindível que leia o novo livro do Paulo Rabello de Castro. Veja que o autor, um dos nossos maiores economistas, não espera nem mesmo o prefácio para explicar o mito. Estampa logo na capa do livro:

“O chamado “governo grátis” é um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém. Está na raiz do declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação do seu processo produtivo. Como expressão de controle social, é o ápice do ilusionismo político e, no Brasil, tem sido prática corrente por sucessivos governantes, deixando um rastro de atraso, decadência e injustiça social. Podemos considerá-lo o grande adversário da prosperidade e o inimigo número um da ascensão social e patrimonial dos brasileiros.

Para além da denúncia, Paulo Rabello de Castro oferece antídotos e meios de superação desse mito. O livro é rico de dados consistentes e exemplos em todo o mundo, tanto de países que fracassaram com este modelo, quanto de outros que superaram o flagelo.

Para além de um brado de luta e de esperança, acreditamos que nunca foram tão oportunas as propostas do economista. A única sugestão que faria é a de que se acrescentasse uma iniciativa de intervenção na cultura da demagogia que avassala nossos políticos e governantes.

Ou seja, para além de mudança nos modelos de gestão, urge a mudança na própria cultura política, o que só pode ser feito pelos próprios cidadãos eleitores e pagadores de impostos, os melhores dentre os cidadãos civilizadores, que devem ser chamados à sua responsabilidade de construção política como plenos Agentes de Cidadania.

Aqueles que têm uma crítica fundamentada à demagogia e ao populismo galopantes de hoje têm o justo dever de cidadania de levar suas propostas à visibilidade de toda a sociedade. E o mais eficiente instrumento para a mudança rápida de uma cultura é a própria mídia como sistema de produção de nosso imaginário social e político.

Para que não se cristalize a falsa ideia de que a mentalidade política reinante é imutável. Para que se combata a mistificação maior do que o próprio mito do governo grátis, que é a de que cultura não se muda e que o miserável estado de nossa prática política é uma fatalidade histórica.

Neste caso, temos insistido numa paródia da célebre frase do ministro Clemenceau, que levou a vitória aliada na I Guerra Mundial: "A guerra é algo importante demais para ser deixada por conta dos generais". No Brasil de hoje diríamos que “A política é importante demais para ficar apenas por conta dos políticos”.

O livro de Paulo Rabello de Castro é um rico libelo contra a demagogia reinante que corrói a qualidade de nossa democracia e de nossas instituições políticas. Um inventário do custo Brasil tangível, dos sete pecados capitais do governo grátis que vão da má gestão da infraestrutura e energia, até a má gestão das políticas monetária, tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista, industrial, econômica e até fundiária.

Para além dos péssimos serviços públicos de saúde, seguridade social e educação. Faltou apenas acrescentar o custo Brasil intangível, que estou convencido que é o déficit de cidadania das elites nacionais que abdicaram de seu papel histórico de liderança e de assunção da condução da vida pública.

Afinal, não é de hoje que os cidadãos mais conscientes e atuantes do país conhecem nossos gargalos e têm formado um consenso sobre como enfrentá-los. Senão, vejamos: podemos estimar que mais de 1 trilhão de reais do orçamento nacional possam ser quantificados em termos de problemas identificados, seja no campo do manicômio tributário nacional, contra o qual Paulo Rabello de Castro recomenda o plano de simplificação e redução tributárias.

Até as perdas com infraestrutura deficiente, com renúncias fiscais injustificáveis, com corrupção, excesso de litigacão contra o próprio estado por abuso legal de governos e agentes públicos, até programas de assistencialismo estatal ineficientes no lugar de programas de incentivo ao empreendedorismo e à inovação.

Estamos convencidos de que o que pode mesmo mudar toda esta cultura política degradada de nossos governantes e legisladores é a iniciativa articulada de organizações civis de empresas e de cidadãos no fronte do imaginário social e intangível produzido pela mídia contra a maior corrupção existente que é a corrupção dos valores!

Que podem ser resgatados pela campanha dos Agentes de Cidadania como arma contra o populismo dos governos e a demagogia dos políticos. E que pode mudar a cultura política brasileira em muito pouco tempo, a exemplo de históricas campanhas cívicas nacionais, como a das Diretas já, do Fome Zero e da Ficha Limpa.

No último capítulo de seu livro, Paulo Rabello de Castro escreve uma comovente “Carta do Povo Brasileiro” que nos enche de esperança de que o Brasil possa vir a ser mesmo maior do que Brasília e de que, enfim, é chegado o momento de aprendermos com nossas perdas! Para tanto, cita a palavra “povo” 35 vezes contra apenas uma só vez a palavra “cidadão”.

Quando penso que, se não conseguirmos conclamar e unir os cidadãos mais conscientes e atuantes, como ele mesmo e centenas de seus semelhantes, como legítimos intérpretes dos anseios do povo, não teremos mesmo de volta a ordem no governo nem recuperaremos o progresso que perdemos.

É chegada a vez da elite nacional. É chegada a vez dos melhores, da verdadeira aristocracia nacional. É chegada a hora dos Agentes de Cidadania acima de quaisquer rótulos e hipocrisias!

Se minorias de toda sorte se acham no direito de sair do armário para tentar impor suas causas na agenda pública, por que não a mais histórica das minorias, as verdadeiras elites dos cidadãos políticos também não saem e se livram de uma vez por todas de seu constrangimento de se afirmarem como tais?



Uma minoria desclassificada de oportunistas de plantão, com auxílio de políticos corruptos, está afastando essa oportunidade, pouco importando milhões de famílias que não conseguem arrumar trabalho para se sustentarem com dignidade

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Ou o País põe fim aos meios que nos levaram a este estado de coisas, ou continuará sem meios para chegar a qualquer fim

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Fique de olho leitor e eleitor: é grave a situação institucional. Ou melhor, seria grave se não houvesse a Constituição e será mais grave ainda se a ela não se obedecer

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