São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

Leia "O Mito do Governo Grátis", presidenta!
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Para além de um brado de luta e de esperança, acreditamos que nunca foram tão oportunas as propostas do economista Paulo Rabello de Castro

Se a senhora deseja realmente mudar o país, presidenta, é imprescindível que leia o novo livro do Paulo Rabello de Castro. Veja que o autor, um dos nossos maiores economistas, não espera nem mesmo o prefácio para explicar o mito. Estampa logo na capa do livro:

“O chamado “governo grátis” é um fenômeno político que promete distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém. Está na raiz do declínio do vigor da economia brasileira e na estagnação do seu processo produtivo. Como expressão de controle social, é o ápice do ilusionismo político e, no Brasil, tem sido prática corrente por sucessivos governantes, deixando um rastro de atraso, decadência e injustiça social. Podemos considerá-lo o grande adversário da prosperidade e o inimigo número um da ascensão social e patrimonial dos brasileiros.

Para além da denúncia, Paulo Rabello de Castro oferece antídotos e meios de superação desse mito. O livro é rico de dados consistentes e exemplos em todo o mundo, tanto de países que fracassaram com este modelo, quanto de outros que superaram o flagelo.

Para além de um brado de luta e de esperança, acreditamos que nunca foram tão oportunas as propostas do economista. A única sugestão que faria é a de que se acrescentasse uma iniciativa de intervenção na cultura da demagogia que avassala nossos políticos e governantes.

Ou seja, para além de mudança nos modelos de gestão, urge a mudança na própria cultura política, o que só pode ser feito pelos próprios cidadãos eleitores e pagadores de impostos, os melhores dentre os cidadãos civilizadores, que devem ser chamados à sua responsabilidade de construção política como plenos Agentes de Cidadania.

Aqueles que têm uma crítica fundamentada à demagogia e ao populismo galopantes de hoje têm o justo dever de cidadania de levar suas propostas à visibilidade de toda a sociedade. E o mais eficiente instrumento para a mudança rápida de uma cultura é a própria mídia como sistema de produção de nosso imaginário social e político.

Para que não se cristalize a falsa ideia de que a mentalidade política reinante é imutável. Para que se combata a mistificação maior do que o próprio mito do governo grátis, que é a de que cultura não se muda e que o miserável estado de nossa prática política é uma fatalidade histórica.

Neste caso, temos insistido numa paródia da célebre frase do ministro Clemenceau, que levou a vitória aliada na I Guerra Mundial: "A guerra é algo importante demais para ser deixada por conta dos generais". No Brasil de hoje diríamos que “A política é importante demais para ficar apenas por conta dos políticos”.

O livro de Paulo Rabello de Castro é um rico libelo contra a demagogia reinante que corrói a qualidade de nossa democracia e de nossas instituições políticas. Um inventário do custo Brasil tangível, dos sete pecados capitais do governo grátis que vão da má gestão da infraestrutura e energia, até a má gestão das políticas monetária, tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista, industrial, econômica e até fundiária.

Para além dos péssimos serviços públicos de saúde, seguridade social e educação. Faltou apenas acrescentar o custo Brasil intangível, que estou convencido que é o déficit de cidadania das elites nacionais que abdicaram de seu papel histórico de liderança e de assunção da condução da vida pública.

Afinal, não é de hoje que os cidadãos mais conscientes e atuantes do país conhecem nossos gargalos e têm formado um consenso sobre como enfrentá-los. Senão, vejamos: podemos estimar que mais de 1 trilhão de reais do orçamento nacional possam ser quantificados em termos de problemas identificados, seja no campo do manicômio tributário nacional, contra o qual Paulo Rabello de Castro recomenda o plano de simplificação e redução tributárias.

Até as perdas com infraestrutura deficiente, com renúncias fiscais injustificáveis, com corrupção, excesso de litigacão contra o próprio estado por abuso legal de governos e agentes públicos, até programas de assistencialismo estatal ineficientes no lugar de programas de incentivo ao empreendedorismo e à inovação.

Estamos convencidos de que o que pode mesmo mudar toda esta cultura política degradada de nossos governantes e legisladores é a iniciativa articulada de organizações civis de empresas e de cidadãos no fronte do imaginário social e intangível produzido pela mídia contra a maior corrupção existente que é a corrupção dos valores!

Que podem ser resgatados pela campanha dos Agentes de Cidadania como arma contra o populismo dos governos e a demagogia dos políticos. E que pode mudar a cultura política brasileira em muito pouco tempo, a exemplo de históricas campanhas cívicas nacionais, como a das Diretas já, do Fome Zero e da Ficha Limpa.

No último capítulo de seu livro, Paulo Rabello de Castro escreve uma comovente “Carta do Povo Brasileiro” que nos enche de esperança de que o Brasil possa vir a ser mesmo maior do que Brasília e de que, enfim, é chegado o momento de aprendermos com nossas perdas! Para tanto, cita a palavra “povo” 35 vezes contra apenas uma só vez a palavra “cidadão”.

Quando penso que, se não conseguirmos conclamar e unir os cidadãos mais conscientes e atuantes, como ele mesmo e centenas de seus semelhantes, como legítimos intérpretes dos anseios do povo, não teremos mesmo de volta a ordem no governo nem recuperaremos o progresso que perdemos.

É chegada a vez da elite nacional. É chegada a vez dos melhores, da verdadeira aristocracia nacional. É chegada a hora dos Agentes de Cidadania acima de quaisquer rótulos e hipocrisias!

Se minorias de toda sorte se acham no direito de sair do armário para tentar impor suas causas na agenda pública, por que não a mais histórica das minorias, as verdadeiras elites dos cidadãos políticos também não saem e se livram de uma vez por todas de seu constrangimento de se afirmarem como tais?



Não é possível se enfrentar uma crise dessa dimensão sem causar polêmicas. O consenso não vai resolver nada, o que é necessário é necessário, e inegociável

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