São Paulo, 25 de Julho de 2017

/ Opinião

História de sucesso da Islândia
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Graças a políticas heterodoxas, o país que deveria ser palco de uma devastação financeira experimentou uma crise mais suave

Acho que fui um dos primeiros comentaristas a observar, anos atrás, que havia uma coisa estranha acontecendo na Islândia. O país que deveria ser palco de uma devastação financeira estava, na verdade, experimentando uma crise mais suave do que a de muitos países graças a políticas heterodoxas: repúdio à dívida, controle de capitais e desvalorização acentuada.

CLIENTES EM AGÊNCIA DE BANCO CRIADO PELO GOVERNO NA ISLÂNDIA/Foto: Richard Perry/The New York Times

Agora, conforme ressaltou Matthew Yglesias na Vox recentemente (Leia aqui: bit.ly/1S4aXKX), a Islândia está se preparando para suspender o controle de capitais. Sua experiência desde a crise financeira ainda parece ser muito boa, considerando as circunstâncias.  

E, conforme escreveu Yglesias, o contraste interessante é a Irlanda, que hoje está sendo saudada como uma história de austeridade bem-sucedida porque a situação econômica do país parou enfim de piorar e vem melhorando nos últimos tempos. Isso é que é baixar o nível de exigência.

Imagino que alguém queira saber quais seriam os possíveis paralelos com a Grécia. Bem, se a Grécia for obrigada a renunciar ao euro, estará em condições de tentar uma desvalorização ao estilo da Islândia (e certamente imporá o controle de capitais).

Se vai funcionar tão bem quanto funcionou na Islândia ninguém sabe — antes de mais nada, abrir mão do euro é bem diferente de jamais tê-lo adotado, e eu ainda espero que essa história de Grexit [saída da Grécia] possa ser evitada.

Por enquanto, digamos apenas que a heterodoxia às vezes é muito mais eficaz do que a ortodoxia está disposta a admitir.

Momentos decisivos

Alguns leitores notaram que não tenho falado muito sobre a crise grega ultimamente. É verdade. Estamos em um momento decisivo. Agora, todos os envolvidos precisam de tranquilidade e cabeça fria para tomar uma decisão.

Quem está do lado de fora não tem muita coisa mais a dizer, pelo menos em público, que já não tenha dito antes.
 



Alguns açodados analistas, não compreendendo as altas responsabilidades de presidir um órgão dessa magnitude, passou a cobrar de Paulo Rabello de Castro medidas autoritárias.

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