São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Haja Joaquins
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O presidente Campos Sales (1898-1902) promoveu o saneamento das finanças públicas para evitar a insolvência da economia

O Brasil, gravemente enfermo por força das três crises conjugadas, que sobre ele se abateram, a saber: a economia, a política e a moral, está desenvolvendo um esforço hercúleo para restabelecer a saúde.

Para tanto, convocou-se o dr. Joaquim Levy, emérito economista patrício que, segundo consta, dispõe de algumas fórmulas mágicas capazes de tirar o país do brejo.

Como todo tratamento cirúrgico, esse também deve ser doloroso e cheio de riscos para o paciente. Mas, ao que parece, não pode haver hesitação, eis que o que está em jogo é o próprio futuro da Nação.

Daí porque se deve torcer, com todas as forças para que o dr. Joaquim acerte na terapêutica e tire o país dessa enrascada em o meteram os que quiseram brincar com a ciência econômica e inventaram soluções experimentalistas que não estavam no gibi.
 
Isso em relação à crise econômico-financeira. Quanto às outras duas, será preciso encontrar outros Joaquins para examiná-las e oferecer soluções viáveis, como a reforma política, em que se fortaleça a democracia e se ponha um paradeiro à prática criminosa da compra de votos a troca de cargos públicos e de dinheiro do Tesouro (vide operação Lava Jato!), ou a reforma dos costumes, com volta aos saudosos tempos em que, no Brasil, não se misturava o público com o privado, e o exercício dos mandatos eletivos nada tinha a ver com enriquecimento ilícito dos mandatários.

O difícil será encontrar Joaquins capazes de fazer com sucesso o enfrentamento dessas ciclópicas tarefas.

Todavia, não há porque desanimar, eis que, de acordo com a História, o Brasil já enfrentou situações semelhantes e conseguiu superá-las com galhardia. É o caso, por exemplo, do que houve na passagem do século 19 para o 20, com a ascensão de Campos Salles à Presidência da República.

Prudente de Moraes, que era um cidadão impoluto e a quem sucedeu Campos Salles, não entendia cousa alguma de ciência econômica e deixou as finanças nacionais em frangalhos (tudo agravado pela fratricida campanha de Canudos).

Coube ao novo presidente, empossado em 1898, investigar a fundo a situação, para descobrir que o país estava hipotecado aos bancos ingleses dos Rothschild e correndo o risco de execuções seguidas de dívidas impagáveis.

Não teve dúvidas, convocou um Joaquim disponível à época, o Murtinho, político cuiabano e mago das finanças, e viajou para Londres, onde foi hospedado pelos donos do banco.

Com eles estudou soluções heroicas, de onde nasceu o tratado do “Fouding Loan”, segundo o qual os Rothschild emprestariam ao Brasil quantia correspondente à dívida, enquanto que o governo retiraria de circulação o lixo do papel moeda emitido sem o lastro ouro, bem como cortaria fundo no orçamento, dele retirando todas as despesas adiáveis para os anos seguintes.

Como garantia, o banco receberia todas as rendas geradas pela alfândega do Rio de Janeiro, que não eram nada desprezíveis. Murtinho como bom cirurgião, promoveu na área fiscal uma operação sem anestesia, e quase matou o doente, embora com isso tivesse salvo o Brasil da falência.

O preço de tais sofrimentos recaiu por inteiro sobre Campos Salles, que perdeu a popularidade, tendo sido o presidente mais mal-amado da história e, o que foi pior, empobrecido nos seus bens pessoais, todos sacrificados, para que a nação se restabelecesse.

Como se vê, não há porque desesperar face à crise que sobre nós vem desabando como um tsunami (aquele que alguém mais sábio chamou de marolinha!). Enquanto houver Joaquins disponíveis, o Brasil sobreviverá!     

 



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