São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Estiagem mental
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A longa estiagem que atinge São Paulo e grande parte do país, criando uma crise de abastecimento de água deverá levar algum tempo para cessar, mas, ao menos, há esperança de que a natureza faça chover, como começou esta semana, e devolva a normalidade ao cotidiano de todos.

Uma outra estiagem, a de ideias, parece ser infinita e coloca o Brasil numa limitada posição de patrulhamento ideológico onde são desprezados os mais de cinquenta milhões de votos dados ao candidato que enfrentou o statu quo e significaram um voto anti-PT muito mais do que nas possíveis virtudes de Aécio Neves.

A Constituição brasileira consagra –embora setores do PT queiram acabar com isto- o direito à livre manifestação de pensamento. Pode-se ir às ruas para protestar contra qualquer coisa, ou a favor de outras tantas, mesmo ilícitas ou destituídas de bom senso. Mas não se pode fazer nenhum tipo de manifestação de pensamento, de opinião, que seja contrária aos interesses do PT e de seu governo. Com a ajuda da grande imprensa, claro, joguete nas mãos do poder, salvo rara exceções.

A possibilidade de os milhões e milhões e milhões de brasileiros que se indignam contra os métodos petistas e viram a representante do petismo ser reeleita numa campanha mentirosa, difamatória, intimidativa, correrem o risco de ficar órfãos como consequência dessa estiagem mental que domina a oposição e os comunicadores de massa que só têm olhos para os desvelos de esquerda.

Quem vai as ruas protestar contra o governo, pedir impeachment, é acusado de golpista. Um cidadão que levantou um cartaz pedindo intervenção militar atrai todas as atenções, manipuladamente, para vitimizar os petistas, como sempre, e o objetivo da manifestação acaba distorcido e cria libelo em defesa da “democracia” que o petismo quer enterrar.

Pior, ainda. O senador Aécio Neves, que recebeu concorrendo pelo PSDB, esses   50 milhões de votos anuncia sua volta a Brasília para retomar o papel de líder de oposição, assinalando, segundo a mesma imprensa, que não tocará na questão de impeachment.

Se for provado, como de fato será, que dona Dilma e aliados sabiam que se metia a mão na cumbuca da Petrobras, com benefício, inclusive, para o próprio PT, com dinheiro público desviado, ela é passível sim de pedido de impeachment e a oposição deve liderar isso sem medo das patrulhas ideológicas ou aquarteladas nas grandes redações.

Disse Aécio já derrotado que o povo perdeu o medo do PT. E ele?

A maciça votação que quase tirou Dilma do Planalto deve ser entendida sim como o voto de mais da metade do país contra o petismo e seus males que afligem o Brasil real. Essa votação demanda liderança corajosa, que diga a verdade e não tenha medo de patrulhamento nem de imprensa.

A estiagem de idéias, de coragem, não pode depender de chuvas ou secas, mas deve corresponder ao anseio dos brasileiros capazes de ´pensar, de entender e de manifestar sua opinião, ainda. Está nas mãos de Aécio, agora, esse capital. Ou ele vai, a exemplo do que fizeram Geraldo e Serra, deixar escapar entre os dedos por não terem centralizado em si, com os votos que receberam, a energia do voto ante petismo?

Você pode ir, leitor, protestar na Paulista a favor da maconha. Pode desfilar na passeata gay, pode parar a cidade se seu setor tiver uma reinvindicação e pode dizer asneiras sem fim se for uma manifestação a favor dos adeptos do petismo, que busca tornar o Brasil uma sucursal da Venezuela. Mas, se sua manifestação, garantida pela Constituição, for contra os interesses petistas, cuidado, você é um golpista.

E seu líder, em quem você votou para tentar mudar o Brasil para melhor, tirá-lo do caminho da pátria sem partidos e sem imprensa, falido, acha que não deve falar em impeachment. Fosse invertida a situação e não pediriam seu impeachment, mas seu fuzilamento no paredão.

 



Se não deixarmos nossa miopia política de lado e afastarmos nossos preconceitos de classe, não vamos prosperar numa aliança estratégica e soberana sobre o baixo clero da política

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Pode-se dizer que as novas gerações da atualidade política brasileira são a essência de tudo de mal, ruim e ilegal, que a chamada classe política faz ao Brasil.

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Mesmo as melhores intenções podem levar às piores catástrofes

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