São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

/ Opinião

É hora de transparência, diálogo e ações
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O Brasil atravessa um período extremamente difícil e nada é mais paralisante que a incerteza

O Brasil atravessa um período extremamente difícil em decorrência da seca que atinge grande parte do território nacional, que se afigura mais grave na região Sudeste, em virtude da maior densidade econômica e demográfica e da falta de preparo para lidar com esta situação. 

Não é mais hora de se discutir se essas dificuldades resultam apenas de fatores climáticos anormais, a maior seca desde quando existem registros, ou se a isso se somou a imprevidência, e a falta de planejamento e de obras. As informações atualmente disponíveis dão conta de um forte agravamento da situação no abastecimento de água e do fornecimento de energia elétrica – ameaça não apenas para a população, mas para a atividade econômica em geral. 

Por maiores que sejam as dificuldades, no entanto, nada é mais paralisante para as empresas do que a incerteza, pois quando os problemas são conhecidos é possível buscar soluções e se adaptar. 

Quando as informações são desencontradas ou insuficientes, além de retardar a adoção de medidas, as perdas resultantes de “apagões” não programados ou racionamento de água não devidamente anunciados são maiores e com consequências mais sérias.
Os empresários já convivem com um cenário no qual a única certeza é a de que teremos um ano muito difícil na economia em função dos ajustes que se fazem necessários. 

O que não está claro é a extensão e a profundidade das dificuldades que vão enfrentar, nem como os diferentes setores serão afetados pelas medidas governamentais. E não se deveria adicionar a esse cenário um alto grau de incerteza também resultante da seca que assola São Paulo e outras regiões – até o momento sem nenhuma proposta sensata do que se pode fazer a respeito. 

Por isso, a hora é agora. Tanto em relação à água como à energia deve-se ter total transparência sobre o quadro real da crise hídrica, bem como as medidas emergenciais em estudo e os planos e projetos de curto e médio prazos dos três níveis de governo, que deverão atuar em conjunto para buscar as soluções. 

Somente a partir disso será possível dialogar com a indústria, com o comércio e com os demais setores de serviços, seja público ou privado, para estabelecer qual será a contribuição de cada um para superar esse momento crítico com o menor custo econômico e social para a população.

É preciso estabelecer metas quantitativas bastante ambiciosas de redução do consumo de água e energia, compatíveis com a gravidade da situação e conscientizar e mobilizar a sociedade para participar desse esforço, com a perspectiva de que o que se deve buscar não são apenas soluções conjunturais, mas um patamar bem mais baixo em caráter definitivo.  

Até porque deve-se considerar que os custos de captação de água e da produção de energia deverão subir de forma significativa daqui pra frente, com forte impacto sobre as tarifas.

Para tanto, será necessária uma profunda mudança cultural, para passar de hábitos de consumo e métodos de produção de uma situação de água abundante e barata, para a nova realidade. 

De imediato, qualquer medida de redução do consumo é importante, por mais insignificante que pareça, pois a soma dos esforços pode apresentar um resultado importante.

O tempo é um fator determinante para que se minimizem os impactos negativos da crise hídrica. É urgente a mobilização das autoridades, da classe empresarial e da sociedade para um esforço conjunto visando não apenas superar a situação conjuntural, mas debater soluções do ponto de vista estrutural, que possam assegurar previsibilidade e tranquilidade em relação ao futuro.  

Essa crise se constitui em grande oportunidade para que a mobilização geral para a sua superação represente um processo educativo para habilitar a sociedade a participar de forma integrada e efetiva da solução de outros problemas, para legar as próximas gerações, e transformar o Brasil em um país mais desenvolvido e solidário.  

 



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