São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Opinião

Desmistificando o mito da "nação de beneficiários"
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Os gastos com a proteção às pessoas de baixa renda continuam inalterados há décadas

Comemorou-se no ano passado o 50º. aniversário da guerra contra a pobreza nos EUA. A data suscitou uma série de estudos corrigindo alguns mitos muito disseminados. Talvez o mais notável deles tenha sido um relatório esclarecedor dos avanços obtidos nessa área publicado pelo Conselho de Assessores Econômicos.

O que teve de ser corrigido? Basicamente, a narrativa da "nação de beneficiários", segundo a qual temos contribuído com somas cada vez mais elevadas de ajuda aos pobres sem com isso conseguir reduzir um pouco que seja o índice de pobreza.

A realidade é que os gastos com a "proteção à renda" — que inclui praticamente tudo o que você poderia interpretar como ajuda às pessoas de baixa renda, exceto o Medicaid [programa do governo para indivíduos e famílias de baixa renda] — continuam inalterados há décadas, a não ser por alguns aumentos temporários (e oportunos) em decorrência da concessão de benefícios e de cupons de alimentação aos desempregados durante a Grande Recessão.

Se você duvida, pense no seguinte: onde estão todos esses grandes programas de combate à pobreza? Temos os cupons de alimentação e a dedução de imposto sobre a renda.

O programa de Assistência Temporária para Famílias Necessitadas, sucessor de um antigo programa de bem-estar social, não passa de uma sombra do que foi seu antecessor. Portanto, tirando os serviços de saúde, onde estão as somas generosas que estamos gastando?

Ao mesmo tempo, não é verdade que a pobreza continuou no mesmo patamar. Sabemos que o índice oficial é incorreto, mas há outro bem melhor fornecido pelo Escritório do Censo que mostra avanços, embora não na medida que gostaríamos.

Portanto, é de certa forma desanimador ver que essa narrativa totalmente desmascarada esteja vindo à tona em algumas discussões inspiradas pelos acontecimentos em Baltimore.

PARANOIA

Talvez você ache que as notícias mais quentes dos últimos dias são as que tratam dos tumultos em Baltimore —ou, se suas prioridades forem outras, talvez o bebê de Katy ou a luta entre Mayweather e Pacquiao. Contudo, em certos círculos, o que bombou mesmo foi a crença da direita de que a operação Jade Helm 15, um treinamento militar de elite realizado no Texas, não passou de disfarce para que o presidente Obama tomasse o controle do Estado e obrigasse seus cidadãos a aceitarem o serviço universal de saúde à força.

Por favor, me poupem. O pior é que isso está sendo levado a sério por Ted Cruz, senador republicano e candidato à presidência, e pelo governador local, que ordenou à Guarda Estadual do Texas que ficasse de olho na polícia federal e em possíveis atividades malignas perpetradas por ela.

VOLUNTÁRIO RECOLHE DETRITOS DOS CONFLITOS EM BALTIMORE/Foto: Gabriella Demczuck-The New York Times

 

Em vez de duvidar do que estou dizendo, pense no que aconteceria a um político democrata que desse crédito a uma conspiração da extrema esquerda que chegasse a esse nível. Não consigo sequer imaginar que tipo de teoria poderia servir de base para isso.

Esse não é um incidente isolado. Pense no pânico em torno dos helicópteros negros do Obamacare como parte de um continuum que passa por gente que acredita na escalada inexorável da inflação, gente como o historiador de Harvard Niall Ferguson e Amity Shlaes, autora que defende em seus escritos conservadores que o governo estaria manipulando os livros de economia.

Pense ainda nos teóricos da conspiração do quantitative easing [em que o governo injeta dinheiro no mercado através da recompra de títulos] como (infelizmente) o economista John Taylor e o deputado Paul Ryan, para os quais Ben Bernanke, ex-presidente do Fed, só pôs em prática o  quantitative easing para salvar Obama — lembre-se que predominava uma gritaria paranóica em torno da inflação, embora a insistência de que a hiperinflação estava às portas já contabilizasse seis anos de previsões frustradas.

Há algo no ar. Não sei exatamente o quê. Só sei que é fora do comum e mete medo. 

TRADUÇÃO: A.G.MENDES



As ações de grupos que se empenham em contestar a legitimidade do presidente prejudicam a governabilidade e em nada contribuem para que o país possa superar suas imensas dificuldades

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Milhares de passageiros passam por dia em nossos aeroportos e sofrem com a falta de um serviço essencial, prestado por trabalhadores, é sempre bom repetir, credenciados para este fim.

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Ainda que estas ações aconteçam na escola e entre crianças e jovens, a lei deve ser cumprida e os responsáveis, punidos

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