São Paulo, 24 de Junho de 2017

/ Opinião

Desconserto nacional
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O país vive uma infinita dor de parto para a a geração de modelos em que um partido e seus aliados deixem de se apropriar dos bens nacionais

Alguns conceitos e práticas precisam ser repetidos à exaustão. Este é um deles. Falam sempre da dor do parto quando algo está em nascimento.

Deve ser por isso, insisto, que o Brasil paga por uma dor de parto enorme na vida nacional quando está, ou deveria estar, em busca de seu desenvolvimento, crescimento, maior equilíbrio interno na questão social, nos aspectos econômicos, educacionais e outros importantes.

Olhando-se com isenção, o que se observa é uma verdadeira farra de poder, jamais de projeto nacional. Enquanto o país deveria mesmo crescer e camadas da população melhorarem de vida, não só na propaganda oficial, o poder público fica para trás na sua obrigação de propiciar infraestrutura capaz de abrigar essa nova massa consumidora e torna o cotidiano de milhões de brasileiros um suplício nas ruas, estradas, aeroportos, hospitais, cinemas, restaurantes, portos, onde quer que se vá, por excesso de gente e ausência de condições de atendimento.

Mesmo que a arrecadação de impostos, taxas, emolumentos, tarifas e o que mais a capacidade burocrática for capaz de inventar, não pare de crescer. E querem mais.

Talvez aí resida um nó. Cresce também a corrupção na mesma proporção e o dinheiro público some nos escaninhos do submundo oficial.

O STF tem governado nos últimos anos porque o Congresso legisla errado e fora do foco dos interesses nacionais. Governa porque o Executivo anterior e o que tomou posse agora, em 2015, montou-se numa chamada base aliada que busca fortalecer cofres partidários, de grupos políticos, de políticos, e tornou-se refém de interesses escusos. Sem mencionar também o permanente desejo em elevar fundos partidários, reeleições e dominação.
 
O Congresso Nacional, que toma posse dia 1o de fevereiro, agora não parece que será muito diferente do atual. Vassalo do Planalto. Distante da nação.

Na era Lula/Dilma, a moralidade pública transformou-se em abstração defendida por tolos.

E os partidos? São exemplos de vergonha nacional. Não têm consciência de seu verdadeiro papel e servem de valhacouto a interesses distantes de políticas públicas e ações programáticas voltadas para o bem comum. Olham e agem em favor do bem de alguns.

Petistas e “empresários” enfiados até o pescoço no escândalo Petrolão debatem-se, inclusive via mídia, usando da importância de seus cargos, para desviar a atenção e protelar investigações que, como no mensalão, vão levar para a lata de lixo da história nomes que em dados momentos, e ainda hoje, se movimentam nos bastidores dos cofres públicos como se donos deles fossem.

Querem por meio de sofismas, neologismos e falsificações baratas da realidade, calar a imprensa, atualmente, único instrumento efetivo no país, que, mesmo tendo também seus interesses e estando ainda dependente de verbas públicas, não finge que a realidade é uma quando é outra a que se vende ao ingênuo povo brasileiro.

Dói no cidadão que consegue enxergar a realidade e a ação nefasta de seus políticos, governantes, sua elite perversa, a dor do parto de construção de um país melhor. Até porque o Brasil é tão grande em tudo que, mesmo com toda essa irresponsabilidade governante, ele cresce, ainda que pouco e desordenado, sem construir estrutura, só aumentando demandas.

 



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