São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

Desafio e resposta
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Mais do que fiscalizar a ação do governo, nessa quadra difícil por qual passamos, a oposição tem que se alçar à condição de paladina da representação e fiadora da ordem legal

A presente folia de escândalos que vai além do Carnaval ilustra bem um grande problema que está na raiz das dificuldades enfrentadas pelo Brasil para promover o seu desenvolvimento. Se, por um lado, o afloramento da corrupção promovida pelos partidos expõe a fragilidade da representação política, por outro, o fato de ela estar sendo exposta denota o repúdio que lhe tem a sociedade, na medida em que suas instituições a combatem.

O Brasil está assim: sabe-se o que tem que ser feito, mas é difícil obter apoio politico para fazê-lo. É o desequilíbrio entre representação política e ordem legal, ambas partes inalienáveis da soberania.

Não se pode dizer aqui de um afastamento do Estado em relação à sociedade. Ao contrário, é difícil apontar um período da História do Brasil em que o Estado estivesse tão envolvido com a sociedade como o atual.

Em recente campanha publicitária promovida em Brasília, a Câmara Legislativa do Distrito Federal vangloriou-se de haver aprovado 881 (oitocentas e oitenta e uma, isso mesmo!) leis em quatro anos, usando como carro-chefe da propaganda a Lei Anti-Bullying aplicada nas escolas.

Da estatização da infância ao fatiamento predatório da maior empresa do País, ousa-se tudo sob o manto do Estado, sem que a sociedade ouse discutir o seu papel.

O crescimento nos últimos trinta anos do Estado social no Brasil não seria necessariamente um problema se ele acontecesse por meio de um processo de representação política consciente e responsável, tanto por parte dos representados quanto dos representantes, e se resultasse na melhoria das condições de prosperidade, bem-estar e segurança da população.

Passadas mais de duas décadas, sem o amadurecimento da representação política e sem a consecução das metas socioeconômicas, o Brasil escorregou do experimento socialdemocrata para a tentação populista que agora ameaça a democracia pelo controle “social” do Estado, em detrimento da representação política e em aberto desafio à ordem jurídica da Nação.

Qualquer que seja a expectativa de reversão do não desenvolvimento brasileiro nas últimas décadas, ela passa pelo fortalecimento da representação política e da ordem legal.

Magistrados, procuradores, policiais e auditores que cumprem seus deveres na apuração e responsabilização de ilícitos que povoam o cotidiano brasileiro o fazem com a autoridade e a responsabilidade com que a República os investiu.

"A cada dia aumenta o antagonismo entre os que servem à ordem legal do Estado e aqueles investidos do poder em nome da representação política do País"

São agentes diretos da ordem jurídica da Nação, do estamento legal que dá  sustentação ao Estado, juntamente com os seus demais servidores, civis e militares, que exercem atribuições equivalentes em outras áreas pelas quais a sociedade brasileira também exerce sua soberania.

A cada dia, aumenta o antagonismo entre os que servem à ordem legal do Estado e aqueles investidos do poder em nome da representação política no País. Mais do que carreiras e prestígio, o que está em jogo é a forma de atribuição de poder às pessoas no Brasil, tanto na representação quanto na ordem.

Continuaremos a diluir autoridade e responsabilidade na penumbra que mascara um poder cada vez mais centralizador e discricionário, ou as atribuiremos àqueles que por suas capacitações e habilitações têm verdadeiramente condições de exercê-las? Até quando será permitido que indivíduos que conspiraram e corromperam persistam nas suas práticas antirrepublicanas?

Não é difícil apontar as alternativas para o desfecho desse embate. Ou a representação política se adequa à ordem legal ou ambas serão suprimidas em proveito de um projeto de poder não democrático.

Não estamos, nós que cremos no equilíbrio entre representação e ordem legal, enfrentando mais uma crise política, mas sim envolvidos na luta contra uma tirania nascida da aliança entre oligarcas e liberticidas que representam tão somente ambições. 

Aí reside o grande desafio para a oposição política no Brasil, a única via democrática para evitar o revés que ronda o País. Mais do que fiscalizar a ação do governo, nessa quadra difícil por qual passamos, a oposição tem que se alçar à condição de paladina da representação e fiadora da ordem legal.

A História sempre distinguiu quem foi grande nas respostas aos mais graves desafios. Em breve, veremos se ainda haverá estadistas no Brasil.   

 



Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10), votando para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E em vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.

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As ações de grupos que se empenham em contestar a legitimidade do presidente prejudicam a governabilidade e em nada contribuem para que o país possa superar suas imensas dificuldades

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Milhares de passageiros passam por dia em nossos aeroportos e sofrem com a falta de um serviço essencial, prestado por trabalhadores, é sempre bom repetir, credenciados para este fim.

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