São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

Deitado em berço esplêndido
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Julgamento do Mensalão Tucano, interrompido para não prejudicar a candidatura do senador Aécio, pode ser retomado em Minas

Duas informações conflitantes deixam tucanos e petistas embaraçados, porque acabam não sabendo qual é a verdadeira, embora ambas tenham um fundo de verdade.

A primeira animou os tucanos e deixou os petistas preocupados, já que anuncia que o Mensalão do PSDB - cujo réu nº 1 é o ex-governador de Minas, o Eduardo Azeredo - está paralisado há 10 meses na justiça de Belo Horizonte e, a segunda, inverte os papéis, garantindo que o Mensalão tucano voltou a ter tramitação normal.

Os partidos, portanto, ignoram se o processo parou e depois andou, ou se andou e depois parou.

O Mensalão do PSDB foi enviado à justiça de Minas pelo STF, depois que os ministros se negaram em julgar o processo dos tucanos que coincidia com o período da campanha presidencial de Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Como a peça processual ficou fora de julgamento em 2014, Eduardo Azeredo ficou à vontade e acabou sendo útil ao partido, ao se tornar um dos pilares de sustentação da campanha do senador Aécio, de quem é fiel correligionário.

A recusa do STF em julgar o Mensalão do PSDB ocorreu depois que os ministros julgaram, condenaram e prenderam mensaleiros do PT, mandando para o presídio da Papuda, em Brasília, algumas estrelas cintilantes do partido, entre as quais, José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha.

Após cumprirem pena de um ano, os três petistas condenados alcançaram o direito de pagar o restante da punição em regime domiciliar.

O entendimento de políticos é que, se o STF tivesse julgado o Mensalão do PSDB com o mesmo rigor aplicado no julgamento do Mensalão do PT, provavelmente o ex-governador mineiro teria sido condenado e poderia ter feito companhia a Dirceu, Genoíno e Cunha, lá na Papuda.

Mas, Azeredo se safou do julgamento e evitou impor a Aécio Neves o mesmo desgaste sofrido pela presidente Dilma com o julgamento do Mensalão do PT, em plena campanha eleitoral.

Não se tem informação exata da data em que o processo tucano será julgado, e os dois partidos tentam adivinhar qual será o estado de espírito dos juízes de Minas julgando um ex-governador de Minas.

A preocupação do PT é saber se o processo pode prescrever, caso não seja julgado em tempo hábil, ou, ainda, se pode ser arquivado.

As sessões que serviram para o julgamento do Mensalão do PT e também as que levaram o STF a se recusar em julgar o processo do PSDB foram conduzidas pelo então presidente da Suprema Corte, ministro Joaquim Barbosa, que, pouco tempo depois, requereu a aposentadoria e sentou praça no Rio de Janeiro.

Desde que deixou o Supremo, Barbosa tem evitado conceder entrevistas e fazer comentários sobre os mensalões, ao mesmo tempo em que se nega a fazer considerações sobre o momento político.

Mesmo assim, seu nome continua sendo lembrado para disputar a eleição presidencial de 2018.

Até o momento, porém, Joaquim Barbosa não se filiou a qualquer partido político e, se quiser ser candidato em 2018, sua filiação partidária tem de ser feita até um ano antes da eleição, fim de setembro ou início de outubro de 2017.

Os defensores da candidatura de Barbosa acham que ele deve aproveitar o momento em que petistas e tucanos se envolveram nos escândalos das propinas na Petrobrás e Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, respectivamente, já que ganhou notoriedade ao conduzir com mão de ferro o Mensalão do PT, sobretudo porque conseguiu condenar estrelas do partido a longos anos de prisão.

O que mais chamou a atenção dos defensores da candidatura de Joaquim Barbosa é que ele presidiu as sessões do julgamento que condenou os petistas, apesar de ter sido indicado para o STF pelo ex-presidente Lula.

O ex-governador tucano, Eduardo Azeredo, era deputado federal e tinha direito de ser julgado em foro privilegiado, no caso, o STF.

Mas, a cúpula do PSDB manobrou e determinou que ele renunciasse ao mandato para perder o direito ao foro privilegiado, evitando que o processo fosse julgado durante a campanha de Aécio Neves, pela mesma Corte em que os mensaleiros do PT foram condenados e presos.

Agora, se o processo andar, o julgamento será conduzido por juízes de Minas, em Minas, só Deus sabe quando.

 



Kátia Rabelo, herdeira de um banco em razão da morte do pai e da irmã, teve pena exorbitante quando do julgamento do mensalão

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Para Joaquim Barbosa, não basta ser popular para se eleger presidente. Em 1986 a campanha a governador de SP de Antonio Ermírio foi uma boa lição

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