São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Opinião

Deflação ou "desinflação" ?
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O País não corre nenhum risco de deflação, pois a desaceleração dos índices de preços não está sendo provocada unicamente pela redução do consumo das famílias

Se a inflação é o gênio, então a deflação é o ogro que deve ser combatido decisivamente
(Christine Lagarde, advogada e diretora do FMI)

O mês de junho provavelmente passará à História como aquele em que, pela primeira vez, apresentou variação negativa dos quatro principais índices de preços: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) e o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI).

Ou seja, houve, na média, queda dos preços, fenômeno que, em economia, é denominado de deflação, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelos dois primeiros índices, e com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulga os dois últimos.

As causas fundamentais dessas quedas de preços: em primeiro lugar, a safra agrícola recorde que o País está gerando ao longo do presente ano, que propicia aumento da oferta de alimentos.

Além disso, contribuem as reduções nos preços dos combustíveis e das tarifas elétricas, a crise econômica, que continua provocando diminuição das vendas, e a recuperação da credibilidade da política monetária, que arrefece as remarcações de preços e salários.

Contudo, o fato de haver queda dos preços em um determinado mês não implica que a economia brasileira esteja passando por uma situação generalizada de deflação, e, sim, que, em termos anuais, os índices de inflação estão caminhando para níveis mínimos, ou seja, na verdade, estamos numa situação de “desinflação”.

No caso do IPCA, por exemplo, as projeções começam a apontar, inclusive, para um resultado abaixo do limite mínimo de tolerância da meta anual perseguida pelo Banco Central (3,0%).

Trata-se, evidentemente, de uma excelente notícia, pois, significa, na prática, que, além da recomposição do poder aquisitivo das famílias, pelo fato do custo de vida estar caindo, aumenta o espaço para a autoridade monetária seguir derrubando a taxa de juros, fator indispensável para a retomada da atividade econômica.

A deflação, no sentido amplo da palavra, é uma situação que ocorre raramente, quase sempre vinculada a “estouros” de “bolhas financeiras”.

Quando o mercado se dá conta de que o alto valor dos ativos financeiros e imóveis não se justifica pela “lei da oferta e da procura”, e sobrevêm a queda abrupta de seus preços, a liquidação antecipada desses ativos intensifica esse processo.

Assim, aumenta o “descasamento patrimonial” inicial, pois diminui o valor dos ativos ou garantias, enquanto as dívidas crescem em termos monetários. Essa perda de riqueza faz o consumo das famílias desabar, produzindo queda generalizada nos preços.

Além de agravar a crise econômica decorrente da crise financeira, a deflação, uma vez instalada, mergulha o país em prolongada recessão, pois a expectativa de continuidade da queda dos preços incentiva o consumidor a adiar suas compras, paralisando a produção e a contratação.

O Japão sofreu os efeitos recessivos da deflação desde 1990, ano em que houve “estouro” de uma “bolha” financeira local, até recentemente, obrigando o Banco Central desse país a recorrer à cobrança de juros negativos aos bancos nacionais.

Estados Unidos e Europa afastaram o “fantasma” da deflação, no período pós-crise de 2008, a partir da injeção de volumosas quantidades de dinheiro.

No caso brasileiro, não há nenhum risco de deflação, pois a desaceleração dos índices de preços, que teve início no segundo semestre de 2016, não está sendo provocada unicamente pela redução do consumo das famílias.

Contam também as menores pressões de custos e a diminuição das expectativas de inflação, decorrente da política monetária responsável praticada pela nova equipe do Banco Central.

Nosso desafio para os próximos anos é alcançar uma inflação anual compatível com o desenvolvimento econômico sustentável (de 2% a 3%).

Para isso, é fundamental realizar as reformas estruturais, para reduzir o “Custo Brasil”, permitindo que a produção possa acompanhar o crescimento das despesas, evitando-se assim aumentar os preços, o que obrigaria a autoridade monetária a elevar os juros, aprisionando o País em seu costumeiro “voo de galinha”.

 

   

 



Alguns açodados analistas, não compreendendo as altas responsabilidades de presidir um órgão dessa magnitude, passou a cobrar de Paulo Rabello de Castro medidas autoritárias.

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