São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

Custos na educação
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Colocar bolsas em um quinto dos alunos da rede particular seria estimular desde a infância e a adolescência aos filhos da burguesia ao convívio com os menos favorecidos

O Chile está em meio ao debate da proposta da sua presidente de acabar com o ensino privado no país, que vinha sendo apontado como o mais moderno em termos de gestão pública da América Latina.

Mas a presidente socialista, neste segundo mandato, quer implantar seu programa, apesar do desgaste depois que foi eleita “sogra do ano” ao autorizar empréstimo de banco oficial para sua nora especular no mercado imobiliário e ganhar dez milhões de dólares com informação privilegiada.

Volta e meia o tema é abordado no Brasil, apesar de termos dois terços das vagas universitárias na rede privada e o ensino de nível médio de qualidade estar também entre os particulares, como atestam as avaliações oficiais.

O ensino público gratuito é muito caro, o aluno não paga, mas o erário paga mais do que as mensalidades cobradas no setor privado por aluno matriculado.

Assim é que aparecem nas listas dos maiores salários professores catedráticos, como é o caso da USP e da Universidade da Paraíba.

O dever do Estado deveria ser o de dar qualidade à educação a seu cargo e oferecer mais dispositivos de estimular vagas a serem distribuídas por ele nas escolas privadas.

No ensino básico, os custos, apesar dos baixos salários, são altos pela precária manutenção das escolas, má gestão da merenda escolar. E frequentes greves.

A educação tem um robusto orçamento, na União como nos estados. Mas não prestam os serviços correspondentes. E avaliar custo é fácil, uma vez que a rede privada está aí, com balanços publicados.

Algumas em crise em função da inadimplência protegida pela legislação, o que, com a atual crise, deve se agravar e desgastar ainda mais a credibilidade do país entre investidores. Hoje, já temos acionistas estrangeiros em grupos educacionais de relevo.

Prestigiar o ensino privado seria um grande investimento na educação e no social. Afinal, colocar bolsas em um quinto dos alunos da rede particular seria estimular desde a infância e a adolescência aos filhos da burguesia ao convívio com os menos favorecidos, despertando a solidariedade e a responsabilidade social de nossa mocidade.

Parte de nossos problemas advém do simples fato de um jovem que só frequentou escolas particulares não ter tido nenhuma relação com aqueles cuja renda familiar não chega nem perto do valor de uma mensalidade.

Valorizar o professor, incrementar o ensino técnico, despolitizar o tema, é fundamental, uma vez que crise se vence com mão de obra preparada. Vide o ressurgimento rápido da Alemanha capitalista no pós-guerra.

 

 



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