São Paulo, 26 de Junho de 2017

/ Opinião

Curto-circuito no poste
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No congestionamento de nomes para a sucessão na Prefeitura de São Paulo, José Serra prefere não arriscar uma nova derrota

 

O senador eleito José Serra está tirando o corpo fora ao possível chamamento do PSDB para que se candidate à Prefeitura de São Paulo em 2016, por ser o tucano com maior potencial de voto no momento.

Serra seria, então, a melhor opção para o seu partido reconquistar a importante Prefeitura da Capital, que caiu no colo do PT em 2012, uma região que concentra 1/3 do total de votos no Estado. Os mais céticos, no entanto, lembram que também na eleição passada Serra era a melhor aposta no PSDB para derrotar o poste que Lula lançou, o atual prefeito Fernando Haddad. Deu no que deu.

Ao descalçar a bota de candidato, Serra já se adiantou e ofereceu ao partido seu futuro companheiro de bancada no Senado, Aloísio Nunes Ferreira, que seria o candidato ideal para concorrer com Haddad, que tentará a reeleição pelo PT e duelar também com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf e, provavelmente, também com o ex-prefeito Gilberto Kassab.

Aloísio Nunes é um nome a respeitar. Mas os mais veteranos na política lembram que, quando era líder do governador Orestes Quércia na Assembleia Legislativa, Aloísio foi candidato à Prefeitura por imposição do PMDB, seu partido na época, mas acabou fracassando nas urnas.

Além de Aloísio, surgem no PSDB outros pretendentes a suceder Fernando Haddad, como o deputado Bruno Covas e o suplente de senador eleito José Aníbal, ambos igualmente fracos de voto. Aloísio Nunes Ferreira não é reconhecidamente o que se pode chamar de político bom de voto. Sua eleição para o Senado se deu graças à fatalidade: o candidato favorito para se eleger senador em 2012 era Quércia, que lutava contra a metástase de um câncer que nasceu na próstata e atingiu seu fígado. Ao sentir que caminhava para o estado terminal, Quércia desistiu da candidatura, foi à televisão e conclamou seus eleitores a sufragar nas urnas o nome do amigo Aloísio Nunes. Seu eleitorado atendeu a seu apelo.

No momento, Fernando Haddad está com o Ibope baixo. O poste que Lula iluminou na Capital em 2012 está com curto-circuito. Mas, também os partidos adversários não dispõem  de possíveis candidatos em melhor condição eleitoral.

O mais forte adversário do prefeito ainda seria Gilberto Kassab. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, prevendo que não terá a legenda do PMDB para se candidatar, está de mala pronta para se abrigar em outro partido. Ele é acusado no PMDB, seu partido atual, de ter cometido o crime de infidelidade partidária, por ter-se recusado não só em apoiar Dilma Roussef como impedir que a presidente subisse em seu palanque em São Paulo.

A eleição de prefeito de São Paulo assanha os partidos, sobretudo porque a Capital influencia o comportamento dos eleitores nos 39 municípios da região metropolitana, beneficiando os futuros candidatos a governador e presidente da República.

Embora PT e PSDB continuem sendo favoritos para eleger o próximo prefeito,  quem pode embolar  a disputa em 2016 –além de Kassab- é a senadora Marta Suplicy, que está disposta a deixar o PT e ser candidata por outra legenda, por entender que pode concorrer em igualdade de condições com os principais adversários.

 

 

 



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