São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Curto-circuito no poste
Imprimir

No congestionamento de nomes para a sucessão na Prefeitura de São Paulo, José Serra prefere não arriscar uma nova derrota

 

O senador eleito José Serra está tirando o corpo fora ao possível chamamento do PSDB para que se candidate à Prefeitura de São Paulo em 2016, por ser o tucano com maior potencial de voto no momento.

Serra seria, então, a melhor opção para o seu partido reconquistar a importante Prefeitura da Capital, que caiu no colo do PT em 2012, uma região que concentra 1/3 do total de votos no Estado. Os mais céticos, no entanto, lembram que também na eleição passada Serra era a melhor aposta no PSDB para derrotar o poste que Lula lançou, o atual prefeito Fernando Haddad. Deu no que deu.

Ao descalçar a bota de candidato, Serra já se adiantou e ofereceu ao partido seu futuro companheiro de bancada no Senado, Aloísio Nunes Ferreira, que seria o candidato ideal para concorrer com Haddad, que tentará a reeleição pelo PT e duelar também com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf e, provavelmente, também com o ex-prefeito Gilberto Kassab.

Aloísio Nunes é um nome a respeitar. Mas os mais veteranos na política lembram que, quando era líder do governador Orestes Quércia na Assembleia Legislativa, Aloísio foi candidato à Prefeitura por imposição do PMDB, seu partido na época, mas acabou fracassando nas urnas.

Além de Aloísio, surgem no PSDB outros pretendentes a suceder Fernando Haddad, como o deputado Bruno Covas e o suplente de senador eleito José Aníbal, ambos igualmente fracos de voto. Aloísio Nunes Ferreira não é reconhecidamente o que se pode chamar de político bom de voto. Sua eleição para o Senado se deu graças à fatalidade: o candidato favorito para se eleger senador em 2012 era Quércia, que lutava contra a metástase de um câncer que nasceu na próstata e atingiu seu fígado. Ao sentir que caminhava para o estado terminal, Quércia desistiu da candidatura, foi à televisão e conclamou seus eleitores a sufragar nas urnas o nome do amigo Aloísio Nunes. Seu eleitorado atendeu a seu apelo.

No momento, Fernando Haddad está com o Ibope baixo. O poste que Lula iluminou na Capital em 2012 está com curto-circuito. Mas, também os partidos adversários não dispõem  de possíveis candidatos em melhor condição eleitoral.

O mais forte adversário do prefeito ainda seria Gilberto Kassab. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, prevendo que não terá a legenda do PMDB para se candidatar, está de mala pronta para se abrigar em outro partido. Ele é acusado no PMDB, seu partido atual, de ter cometido o crime de infidelidade partidária, por ter-se recusado não só em apoiar Dilma Roussef como impedir que a presidente subisse em seu palanque em São Paulo.

A eleição de prefeito de São Paulo assanha os partidos, sobretudo porque a Capital influencia o comportamento dos eleitores nos 39 municípios da região metropolitana, beneficiando os futuros candidatos a governador e presidente da República.

Embora PT e PSDB continuem sendo favoritos para eleger o próximo prefeito,  quem pode embolar  a disputa em 2016 –além de Kassab- é a senadora Marta Suplicy, que está disposta a deixar o PT e ser candidata por outra legenda, por entender que pode concorrer em igualdade de condições com os principais adversários.

 

 

 



A avaliação é de José Serra (foto), ministro das Relações Exteriores. Em debate na FGV ele disse que o "custo Brasil" consome 30% das mercadorias brasileiras

comentários

Mudanças nas questões que constam de declaração exigida pelo fisco paulistano são uma armadilha, segundo contadores

comentários

Dos 80 mil ambulantes espalhados pelas ruas de São Paulo, apenas 2,5 mil têm licença. Outras gestões tentaram resolver o problema com proposta semelhante

comentários