São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

Confiança: receita para um país em crise
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Um panorama de depreciação econômica e ética pede largas doses deste sentimento que é, também, um importante indicador

Normalmente, quando pensamos na imagem de uma pessoa, empresa, governo, veículo de comunicação ou uma instituição não-governamental, um dos principais aspectos que baliza nosso julgamento é a reputação.

Este indicador, tão importante em um cenário em que o valor das organizações públicas e privadas será cada vez mais dependente do juízo de pessoas comuns – e não apenas interesses hegemônicos -, não ilumina, sozinho, o panorama de grandes desafios que temos adiante.
 
Grandes empresas, com uma reputação teoricamente inabalável – como a ex-gigante norte-americana Enron, por exemplo – não conseguem sobreviver se não estiverem atentas às demandas sociais futuras.
 
Construir uma boa percepção de ontem para hoje é excelente, mas ninguém garante o mesmo para o dia seguinte. Atribuo isso, basicamente, a dois fatores: 1) a radicalização da transparência, em um mundo em que tudo é social e vigilante e 2) a velocidade do amadurecimento dos cidadãos-consumidores, principalmente em países que experimentaram saltos de renda significativos nos últimos anos.
 
As instituições clássicas – governo, mídia, empresas – respondem lentamente a essas transformações. Mas, se há um atalho neste árduo caminho, pode-se dizer que ele reside na confiança.
 
Ela gera mais proximidade entre os funcionários, desburocratizando processos, economizando energia com assuntos apenas necessários e gerando sistemas mais fluidos de trabalho. Reduz a distância entre hierarquias e dá mais agilidade à estrutura. Isso gera menos custos para a empresa e, por consequência, melhores condições para lucrar, sem deixar de oferecer um preço justo.
 
Externamente, a confiança gera laços mais firmes com consumidores, imprensa, academia e todos os outros públicos que, a todo instante, avaliam e atribuem seus julgamentos à marca – seja por meio de opiniões, reclamações, elogios, compra de produtos, venda de ações, entre outras atitudes. Todas elas, de algum modo, geram impacto no valor de mercado da corporação, seus produtos e serviços.
 
Por isso, todo empreendedor não deve contentar-se com a reputação conquistada. Ela é a apenas o ponto de partida de relacionamentos que devem ser nutridos todos os dias com os públicos internos e externos. Os alicerces para isso são ética, transparência, compromisso, qualidade e valores muito bem definidos e postos em prática.
 
Em um país que vive não apenas uma crise econômica – mas ética -, não há momento mais oportuno para mudar.



Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10), votando para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E em vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.

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