São Paulo, 27 de Abril de 2017

/ Opinião

Conduta serena no TCU
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Alheio ao espalhafato político das contas da presidente no TCU, o ministro Augusto Nardes, relator, tem um perfil idealmente técnico e preocupado com a equidade republicana

O relator das contas do governo federal de 2014, Augusto Nardes, é um homem público digno, que mostra que existem nichos de qualidade entre nossos políticos. Fez uma carreira com crescente reconhecimento popular e respeito de seus pares. 

Com pouco mais de 50 anos, Nader já havia sido vereador, deputado estadual e cumprido três mandatos federais. Ao disputar com três outros colegas a indicação para o Tribunal de Contas da União, venceu a disputa com folga, embora a bancada de seu partido fosse a quinta da Câmara dos Deputados.

Prevaleceu na escolha do plenário a trajetória e o preparo de Augusto Nardes para as responsabilidades de um ministro do TCU.

Formado em administração, com curso na Suíça de especialização, estudioso, marcou presença nas comissões da Câmara em que atuou com interesse, como a de Agricultura e a de Relações Exteriores e Defesa Nacional. 

No exercício do mandato, passou a acompanhar os estudos referentes à reforma tributária, sempre na linha da simplificação e da busca de meios de se aumentar a base de contribuintes e não os impostos que oneram a produção.

Coerente, nunca mudou de partido na busca de vantagens. Ganhou foi o respeito que lhe valeu a escolha.

A grave questão das contas envolve um componente político muito forte. Responsável e de bom senso, apressou-se em dar prazo para que o governo esclareça o uso – e parece que o abuso – de subterfúgios para mascarar a realidade das contas relativas ao Orçamento da União.

O fato já vinha sendo comentado entre economistas e abordado com frequência no noticiário econômico. Não podia ignorar os desvios.

O Brasil amadureceu muito, todo movimento tem repercussão, não se trata de valores insignificantes, muito pelo contrário.

Por isso, a condução firme, mas paciente, do ministro Nardes tem sido importante. Inclusive pela discrição com que se comporta, mostrando que vida pública se faz com elegância e categoria.

Não será surpresa se vier a buscar uma solução para não propor a recusa das contas, que seria fato inédito na vida republicana. Sem prejuízo das responsabilidades de relator e da credibilidade do Tribunal, pode propor uma correção de rumos no acerto do que foi feito de maneira temerária. Além de responsabilizar os responsáveis pela execução das medidas condenadas.

Temos um homem de bem, sério, que honra as melhores tradições da política dos gaúchos e, portanto, devemos esperar que o prazo se esgote sem maiores tensões.

E quem explorar politicamente a questão não estará prejudicando o governo, mas o país como um todo, já fragilizado nos mercados e vulnerável, depois do caso Petrobras, e provocando um novo desgaste caso prevaleça a tradicional impunidade.

A questão é técnica e jurídica!



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