São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Conciliação nacional
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Talvez fosse o momento de uma patriótica trégua nos embates políticos, para uma união em torno de resultados na economia e no social

Em seu último mandato, Getúlio Vargas percebeu que as divergências políticas estavam prejudicando os avanços que o Brasil pedia, especialmente na abertura de novas oportunidades para o operariado surgido no pós-guerra. Montou, então, um governo de união nacional, ao qual não faltou a presença da aguerrida UDN, legenda de seu principal opositor na eleição de 1950, Brigadeiro Eduardo Gomes.

Getúlio, homem de rara sensibilidade, via a Europa ressurgir das cinzas com muita força, com os recursos americanos do Plano Marshall, que viria a criar uma Europa próspera e socialmente justa. Percebeu que, sem força e liderança política, a América Latina seria esquecida e que o Brasil só poderia pleitear alguma coisa, pelo seu tamanho e potencialidades, se estivesse unido e coeso em torno de um programa comum.

Foi aí que começou a atrair indústrias internacionais, como a Mannesmann, que inaugurou poucos dias antes da tragédia de 24 de agosto. Plantou, assim, a política de atração das multinacionais que marcou o desenvolvimentismo de JK. Até na criação da Petrobras abriu espaço à UDN, abrigando o texto do deputado Bilac Pinto, que incluiu o monopólio não previsto, e colocando como primeiro presidente Juraci Magalhães, seu companheiro de 30 – integrante, entretanto, da UDN de oposição. Os ódios não permitiram que a conciliação nacional prosperasse, apesar da boa vontade em setores da oposição e do Ministério da Justiça, entregue a dois notáveis mineiros do PSD: Negrão de Lima e Tancredo Neves, este que viria a acompanhá-lo até o túmulo, em São Borja.

"A presidente mostrou boa vontade ao nomear Joaquim Levy para o Ministério"

Saímos de uma eleição de resultado muito apertado. A oposição venceu nos Estados mais ricos e cultos da federação, e perdeu por pouco em outros representativos como Rio e Minas Gerais. A crise na economia é uma realidade cada vez mais evidente e de grandes dimensões. É preciso mais do que um bom nome, precisamos de um programa aberto e claro.

Talvez fosse o momento de uma patriótica trégua nos embates políticos, para uma união em torno de resultados na economia e no social. Instrumentos ágeis no Judiciário para agilizar a apuração dos casos de má conduta de servidores públicos, incluindo políticos, para atender a justo reclamo popular, que não pode nem deve servir de caldo de cultura para manifestações radicais.

A presidente  mostrou  boa vontade ao nomear Joaquim Levy para o Ministério, um homem de centro, de bom senso que poderá arrumar as contas nacionais . Dar um crédito de confiança e um prazo para que as medidas sejam tomadas na direção correta. Seria razoável.

O Palácio do Planalto poderia formar um conselho de não mais do que dez brasileiros notáveis para ajudar a montar um programa básico de consenso. E darmos uma folga nas movimentações de política externa, que agravam nossas dificuldades lá fora. Afinal, temos apoiado o que existe de condenável no mundo, nos omitindo em casos que causam o repúdio das mais conceituadas democracias. Temos de olhar para dentro e buscar a linha da paz e do amor. Mas sem impunidade!

Getúlio tentou.

 

 



Somente a perseverança no ajuste fiscal e uma redução menos tímida dos juros serão capazes de contribuir para uma recuperação da atividade

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Um ministro do STF, sem consultar seus pares, podia decidir liminarmente pela deposição do presidente do Senado?

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Ele não é o presidente que merecem, mas é o herói de que os Estados Unidos precisam

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