São Paulo, 22 de Maio de 2017

/ Opinião

Conciliação nacional
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Talvez fosse o momento de uma patriótica trégua nos embates políticos, para uma união em torno de resultados na economia e no social

Em seu último mandato, Getúlio Vargas percebeu que as divergências políticas estavam prejudicando os avanços que o Brasil pedia, especialmente na abertura de novas oportunidades para o operariado surgido no pós-guerra. Montou, então, um governo de união nacional, ao qual não faltou a presença da aguerrida UDN, legenda de seu principal opositor na eleição de 1950, Brigadeiro Eduardo Gomes.

Getúlio, homem de rara sensibilidade, via a Europa ressurgir das cinzas com muita força, com os recursos americanos do Plano Marshall, que viria a criar uma Europa próspera e socialmente justa. Percebeu que, sem força e liderança política, a América Latina seria esquecida e que o Brasil só poderia pleitear alguma coisa, pelo seu tamanho e potencialidades, se estivesse unido e coeso em torno de um programa comum.

Foi aí que começou a atrair indústrias internacionais, como a Mannesmann, que inaugurou poucos dias antes da tragédia de 24 de agosto. Plantou, assim, a política de atração das multinacionais que marcou o desenvolvimentismo de JK. Até na criação da Petrobras abriu espaço à UDN, abrigando o texto do deputado Bilac Pinto, que incluiu o monopólio não previsto, e colocando como primeiro presidente Juraci Magalhães, seu companheiro de 30 – integrante, entretanto, da UDN de oposição. Os ódios não permitiram que a conciliação nacional prosperasse, apesar da boa vontade em setores da oposição e do Ministério da Justiça, entregue a dois notáveis mineiros do PSD: Negrão de Lima e Tancredo Neves, este que viria a acompanhá-lo até o túmulo, em São Borja.

"A presidente mostrou boa vontade ao nomear Joaquim Levy para o Ministério"

Saímos de uma eleição de resultado muito apertado. A oposição venceu nos Estados mais ricos e cultos da federação, e perdeu por pouco em outros representativos como Rio e Minas Gerais. A crise na economia é uma realidade cada vez mais evidente e de grandes dimensões. É preciso mais do que um bom nome, precisamos de um programa aberto e claro.

Talvez fosse o momento de uma patriótica trégua nos embates políticos, para uma união em torno de resultados na economia e no social. Instrumentos ágeis no Judiciário para agilizar a apuração dos casos de má conduta de servidores públicos, incluindo políticos, para atender a justo reclamo popular, que não pode nem deve servir de caldo de cultura para manifestações radicais.

A presidente  mostrou  boa vontade ao nomear Joaquim Levy para o Ministério, um homem de centro, de bom senso que poderá arrumar as contas nacionais . Dar um crédito de confiança e um prazo para que as medidas sejam tomadas na direção correta. Seria razoável.

O Palácio do Planalto poderia formar um conselho de não mais do que dez brasileiros notáveis para ajudar a montar um programa básico de consenso. E darmos uma folga nas movimentações de política externa, que agravam nossas dificuldades lá fora. Afinal, temos apoiado o que existe de condenável no mundo, nos omitindo em casos que causam o repúdio das mais conceituadas democracias. Temos de olhar para dentro e buscar a linha da paz e do amor. Mas sem impunidade!

Getúlio tentou.

 

 



Uma minoria desclassificada de oportunistas de plantão, com auxílio de políticos corruptos, está afastando essa oportunidade, pouco importando milhões de famílias que não conseguem arrumar trabalho para se sustentarem com dignidade

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Ou o País põe fim aos meios que nos levaram a este estado de coisas, ou continuará sem meios para chegar a qualquer fim

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Fique de olho leitor e eleitor: é grave a situação institucional. Ou melhor, seria grave se não houvesse a Constituição e será mais grave ainda se a ela não se obedecer

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