São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Bicada de tucano dói
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Aécio tem concorrentes tucanos para liderar a oposição ou para se colocar, desde já, como candidato presidencial em 2018

 

O senador Aécio Neves está convicto de que vai reinar soberanamente na liderança da oposição ao segundo governo de Dilma Rousseff, que serviria para robustecer sua condição de pré-candidato à Presidência da República, em 2018. Ele está respaldado pelos 50 milhões de votos alcançados na eleição de outubro, apesar de derrotado pela candidata do PT.

As coisas, porém, podem não ser como deseja o senador mineiro, porque a próxima legislatura nas duas casas do Congresso – Câmara e Senado- vai ser encorpada por novos parlamentares eleitos este ano. No Senado, por exemplo, teremos a volta de Tasso Jereissati e José Serra, que se notabilizaram na oposição a governos do PT.

Serra não deixará Aécio conduzir sozinho o bloco de oposição a Dilma, porque também retorna ao Senado após derrotar o petista Eduardo Suplicy com invejável votação. A cúpula do PSDB sabe que o partido vai fervilhar, e que haverá uma verdadeira guerra de bicadas de tucanos no ninho, quando tiver de indicar o próximo candidato ao Palácio do Planalto, daqui a quatro anos. Serra e Aécio não serão os únicos presidenciáveis no partido, porque o governador Geraldo Alckmin pretende se colocar à disposição do PSDB em 2018.

A exemplo de Serra e Aécio, também o governador saiu consagrado das urnas em outubro, buscando e conseguindo a reeleição já no 1º turno, com 58% dos votos. Além disso, é tradição na política brasileira que os governadores de São Paulo sempre sejam incluídos nas listas de pré-candidatos à presidência da República, como são exemplos mais recentes Adhemar de Barros, Jânio Quadros e os próprios José Serra e Geraldo Alckmin.

É fundamental que o PSDB esqueça a vitória de Dilma Rousseff, que é coisa do passado, e comece a se preparar para 2018, porque seu candidato –seja Aécio, Serra ou Alckmin- pode vir a enfrentar Lula, que já é pressionado pelo PT para assumir nova candidatura e voltar a percorrer o País com a “Caravana da Cidadania”.

Também os tucanos sabem que a força eleitoral de Lula dispensa comentários e adjetivos. Não é aconselhável a tucanos como o deputado Carlos Sampaio continuar desconfiado de algum tipo de fraude na eleição que teria beneficiado a candidatura de Dilma. Os petistas podem admitir também que teria havido fraude no 1º turno para levar Aécio Neves ao 2º turno no lugar de Marina Silva. Afinal, pau que bate em Chico bate também em Francisco.

Finalmente, o PT não dispõe de outro candidato em condições de enfrentar o PSDB: o próprio Lula já admitiu que o ciclo do partido na Presidência pode se esvair em 2018, sobretudo se o segundo mandato de Dilma fracassar no campo econômico e seu governo perder o controle da Inflação. O baixo crescimento da economia nos dois últimos anos quase derrotou Dilma, e o resultado apertado da eleição provocou arrepios até na cacunda de Lula.

 



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