São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Bem-vindo à era da austeridade em rodízio
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O que influencia o resultado de uma eleição é como a economia se comportou nos seis meses que antecedem a votação

Às vezes, ideias ruins produzem coisas boas. Na verdade, isso acontece o tempo todo. 

Os resultados da eleição no Reino Unido surpreenderam, mas foram coerentes com a proposição geral de que as eleições não dependem do histórico de quem ocupa o cargo.

O que conta é se as coisas melhoraram nos seis meses que antecederam a votação. O primeiro-ministro David Cameron (na foto) e companhia impuseram um clima de austeridade durante alguns anos — depois, fizeram uma pausa, e a economia se recuperou o suficiente durante esse período de trégua, de modo que puderam cometer novamente os mesmos erros.

Tudo indica que não pretendem perder essa oportunidade. Em vista da fragilidade persistente dos principais índices do Reino Unido — dívida elevada das famílias, déficit comercial em elevação etc. — há uma boa chance de que o retorno à austeridade inaugure outra era de estagnação.

Em outras palavras, a recuperação de 2013-2015, que é interpretada equivocadamente como prova de que a austeridade era necessária, será provavelmente um tiro pela culatra.

A zona do euro passa por um problema semelhante, conforme observou recentemente Barry Eichengreen, economista da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Ali também o crescimento foi retomado graças ao quantitative easing [em que o governo injeta dinheiro no mercado através da recompra de títulos], um euro mais fraco e uma pausa na austeridade. As diretrizes que tiraram a Europa da beira do precipício foram tomadas politicamente talvez por medo — primeiro, de um colapso, depois, da deflação.

Contudo, com a atenuação do medo, diminuiu também a pressão por mudança nas diretrizes europeias; os partidários da austeridade já estão dizendo que a recuperação é prova — não do ativismo do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi —, e sim das políticas que tornaram o ativismo necessário. 

É óbvio que posso estar errado em meu pessimismo. Se o setor privado do Reino Unido ou da zona do euro tiver mais vitalidade do que imagino, o crescimento prosseguirá, mesmo que à custa da reversão das diretrizes adotadas.

Acredito, porém, que estejamos diante de uma era de austeridade intermitente em que os políticos que se recusarem a aprender as lições certas da história condenam os cidadãos de seus países a repeti-la. 



Se não deixarmos nossa miopia política de lado e afastarmos nossos preconceitos de classe, não vamos prosperar numa aliança estratégica e soberana sobre o baixo clero da política

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Pode-se dizer que as novas gerações da atualidade política brasileira são a essência de tudo de mal, ruim e ilegal, que a chamada classe política faz ao Brasil.

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Mesmo as melhores intenções podem levar às piores catástrofes

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