São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

Até quando?
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Que país é esse que aceita que seus senadores sejam constrangidos e vilipendiados pelo governo de um país que se diz amigo?

A nota do governo da Venezuela, na qual descarta “as grandes mentiras” da imprensa sobre a missão dos senadores brasileiros está deslocada, geograficamente. Ela devia  ter sido expedida do outro lado do mundo,  pela Coréia do Norte, tamanha a irrealidade e alienação que a caracterizam.

Mas, deslocamentos à parte, o verdadeiro problema para nós brasileiros não é a Venezuela, muito menos a Coréia do Norte, mas o Brasil, no caso específico o seu governo.

Mostrou-se o governo brasileiro, pela pífia nota expedida pelo seu Ministério das Relações Exteriores, partícipe do jogo de cena com o governo ditatorial da Venezuela.

Afinal, redigir uma nota que sabidamente não dará em nada, enquanto as autoridades venezuelanas não escondem sua participação na pajelança montada em Caracas e ainda tripudiam sobre os senadores brasileiros, é um atentado, não só à democracia que algum dia tentou se construir no país vizinho, como à democracia brasileira.

Com essa pantomina, à qual cinicamente adere o governo brasileiro, a democracia no Brasil recebe, mais uma vez, a aguilhoada do ferrão autoritário e ideológico do PT encastelado no poder.

Voltamos à famigerada pergunta cantada em prosa e verso: que país é esse? Que país é esse que se associa a um regime como o de Chavez e Maduro e ainda patrocina sua entrada no Mercosul? Que país é esse que aceita que seus senadores sejam constrangidos e vilipendiados pelo governo de um país que se diz amigo? Que país é esse que se cala e, pela omissão, se associa ao desrespeito dos Direitos Humanos?

É o Brasil governado pelo PT, sem vergonha e amor próprio, que é humilhado em casa numa Copa do Mundo pela qual a população revoltada pagou bilhões de reais e agora tenta se blindar contra as investigações que derretem a FIFA.

É o Brasil à deriva da corrente inextinguível da corrupção e do conchavo, onde não há justiça, só acertos, panelas e corporativismos.

É o Brasil onde as provas cabais de desgoverno e descaminho da coisa pública são relativizadas em decisões que não têm o menor pejo em desrespeitar a Constituição.

"O que estamos assistindo é a falência da sociedade politicamente organizada"

Que Brasil é esse? Houve tempo em que o Brasil teve moral e voz para se levantar contra um golpe de estado que atingiu o protoditador Chaves, dando demonstrações cabais de competência diplomática e coerência política aos seus vizinhos americanos.

Antes que Chavez viesse a se tornar o monstro político que violou todas as suas promessas democráticas, o Brasil não teve dúvidas em apostar, não em Chavez, mas na democracia na Venezuela, e o fez serena e substancialmente, em histórica sessão da OEA que encerrou o lamentável atentado à democracia naquele país.

Quem mais deveria agora cobrar da Venezuela o apoio à sua democracia? Nenhum país do Hemisfério apostou tanto na democracia venezuelana quanto o Brasil. Mas o que sobrou desse Brasil?

Nada. A diplomacia brasileira, outrora respeitada, hábil e equilibrada, curva-se hoje a um grupo que tudo enxerga pelo viés ideológico, em função de aparelhamento do Estado ao qual as demais instituições não conseguem se contrapor.

Diga-se, a bem da verdade, que essa não é uma chaga apenas do Itamaraty. Distintos setores do Estado deixam de cumprir o que lhes cabe fazer, controlados, submetidos ou patrulhados que estão pelo PT no governo e fora dele.

As pedaladas fiscais e a impunidade que se lhe segue são apenas o último grande episódio desse deboche à sociedade brasileira. O da Venezuela é apenas o mais recente, mais um.

Comecemos pelo deboche, para bem caracterizar o que tal poder dedica à sociedade. Somemos afronta, arrogância, cinismo, mentira, desonestidade, covardia, simulação, acumpliciamento, roubo, indignidade, imoralidade e amoralidade para compormos o rol de males que assolam a administração pública brasileira.

Só assim se explica o que, bovinamente, estamos assistindo acontecer no País. O que estamos assistindo é a falência da sociedade politicamente organizada, do Estado brasileiro, nas suas prerrogativas de Justiça, Segurança e Moral Pública. E as vítimas somos todos nós, não importa onde pensamos estar.

A nota do Itamaraty sobre as ofensas aos senadores brasileiros está de acordo  com o que se pratica no País: fazer o mal, agir de má-fé, fingir e mentir  compensa. Sem dúvida, mas até quando?
 



Vamos começar pela eleição do próximo domingo (02/10), votando para prefeito em candidato o mais afastado possível do vício. E em vereadores que de fato trabalhem para a população e não para si e seus donos.

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As ações de grupos que se empenham em contestar a legitimidade do presidente prejudicam a governabilidade e em nada contribuem para que o país possa superar suas imensas dificuldades

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Milhares de passageiros passam por dia em nossos aeroportos e sofrem com a falta de um serviço essencial, prestado por trabalhadores, é sempre bom repetir, credenciados para este fim.

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