São Paulo, 23 de Fevereiro de 2017

/ Opinião

As "regras de Clinton" estarão de volta?
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A prudência recomenda que suspeitemos fortemente de quaisquer relatos de possíveis escândalos, a menos que haja provas incontestáveis em vez de meras insinuações

Há muitos rumores por aí sobre supostos escândalos envolvendo a Fundação Clinton. Talvez haja mesmo alguma coisa. No entanto, isso dá o que pensar: não seria esse simplesmente o retorno das "regras de Clinton"?

Se você tem idade suficiente para se lembrar dos anos 90, deve se recordar daquele desfile sem fim de supostos escândalos — principalmente, de Whitewater — todos eles fomentados por agentes da direita e todos eles também devidamente amplificados pela mídia noticiosa convencional, nenhum dos quais revelou qualquer malfeito de fato.

HILLARY CLINTON COM APOIADORES DE SUA CANDIDATURA EM YOWA

 

As regras em vigor pareciam não se aplicar. Em vez disso, estavam em vigor as regras de Clinton sob as quais insinuações e culpa por associação eram consideradas perfeitamente legítimas, e sob as quais o indício inicial de violação da lei ganhou as manchetes dos jornais, mas a descoberta subsequente de que não houve ato ilícito algum ficou sepultada nas últimas páginas dos jornais, isto é, naqueles que se dignaram a publicá-la.

Alguns desses mesmos fenômenos vieram à tona novamente durante as primárias presidenciais de 2008. Seria diferente desta vez? As primeiras indicações não são encorajadoras: é evidente, por exemplo, que o autor do livro contrário a Clinton e responsável pela força que vem ganhando as últimas acusações é uma verdadeira obra-prima.

Mais uma vez, é possível que haja algo aí. Contudo, dado o histórico desse tipo de coisa, a prudência manda que sigamos regras de Clinton próprias, e que suspeitemos fortemente de quaisquer relatos de possíveis escândalos, a menos que haja provas incontestáveis em vez de meras insinuações.

Talvez fosse bom avisar a mídia noticiosa que não estamos em 1994. Existe atualmente uma infraestrutura progressista muito mais eficaz e um escrutínio muito maior das informações. Aquela imperícia jornalística que vigorava impune há 20 anos pode hoje causar sérios problemas a muita gente.



A dinâmica do processo é tal é que já não se pede a ação dos MPs e do Judiciário em geral, mas, sim, a celeridade que é interpretada, e com razão, como fundamental para evitar a impunidade.

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