São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

As lições que a direita brasileira não aprende
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A direita está num crescente, mas ainda engatinha se comparada a todo o aparato esquerdista consolidado e suas táticas já rotineiras de demolição dos adversários

Quando se analisa o cenário político brasileiro, observamos duas formas bem distintas de ação: por um lado, a esquerda avalia tudo em termos de guerra política e usa todas as formas para capitalizar ações junto ao eleitorado e aos seus militantes. Já a direita se perde em discussões principiológicas fadadas ao fracasso, auto impondo-se milhares de limites na hora de reagir contra as agressões do campo rival, desestimulando sua própria militância e deixando o eleitorado perdido.
Trata-se de uma verdadeira guerra assimétrica: o lado esquerdista permite-se falar as maiores atrocidades e, logo após, recorrer à tática de auto vitimização; enquanto isso, os direitistas reagem sob mil amarras e são acusados de opressores, mesmo nos casos em que são extremamente polidos.
É verdade que esse cenário não é exclusividade do Brasil. Também em outros países, a coisa é parecida. A grande diferença é que em países democráticos normais, há os dois lados, com forças políticas equivalentes e poder pendular.
Nos EUA, por exemplo, não passa um dia sem que haja contestação de dogmas esquerdistas no rádio, na academia, na televisão, no Congresso. A guerra lá é assimétrica também – vide os golpes baixos usados na eleição de Obama, no qual a “cartada da raça” era sempre usada – mas a resposta vem sempre à altura.
No Brasil, a reação fica restrita ao campo intelectual, basicamente, com alguns blogueiros de sucesso e artigos de opinião em revistas e jornais. A direita está num crescente, mas ainda engatinha se comparada a todo o aparato esquerdista consolidado e suas táticas já rotineiras de demolição dos adversários.
Há numerosos casos de falta de pragmatismo e entendimento da guerra política por parte de direitistas. O mais recente é o do deputado Jair Bolsonaro, o qual ganhou as manchetes nas últimas semanas, sendo inclusive, citado no meu último artigo para este Diário do Comércio.
O caso é exemplar: mesmo alguns indivíduos considerados de direita acompanharam a reação histérica ao episódio, fazendo coro à tese esquerdista de que houve “incitação ao estupro”. Incitou contra quem? Logo ele, o deputado que quer aumentar a pena para estupradores.
Paralisar-se ante o medo de enfrentar as enormes engrenagens esquerdistas pode ser compreensível; insano, no entanto, é fazer coro com a esses mesmos esquerdistas extremistas.
A ideia da esquerda é cassar o deputado. Num Parlamento no qual uma CPMI concluiu pelo não indiciamento de todos os políticos envolvidos no caso "Petrolão", Bolsonaro cassado seria a piada do século!

"Não há no Brasil analista político de direita que seja pragmático"

Mas é exatamente isso que a esquerda quer: usar as leis seletivamente, mostrar que ela não deve ser contestada e pegar um exemplo para mostrar como a oposição será tratada. A ausência deliberada de senso das proporções no tratamento do caso Bolsonaro serve como exemplo didático e um aviso para os futuros embates com adversários (na verdade, a esquerda os considera inimigos).
Isso não quer dizer que Bolsonaro agiu corretamente sob o ponto de vista da guerra política. Ele poderia ter destruído as falácias de Maria do Rosário de várias maneiras diferentes e sua opção de discurso apenas isolou-o. Sua postura só convence os já “convertidos”, o que tornou seu pronunciamento contraprodutivo.
Bolsonaro abriu caminho para algumas posturas mais agressivas no enfrentamento contra a extrema-esquerda e isso é inegável. Mas ele poderia ser mais inteligente ao golpeá-la. Infelizmente, falta-lhe base de apoio, um partido forte que o defenda e uma elite intelectual que o blinde contra as falácias usadas contra ele.
Agora, pegue-se um exemplo de como a esquerda age. Observando o que aconteceu com os petistas condenados pelo “mensalão”, percebe-se imediatamente quem sabe o que quer na guerra política.
A comparação dos dois casos é exemplar: de um lado estamos tratando de um deputado às vezes grosseirão, mas comprovadamente honesto e de conduta ilibada, o qual foi abandonado por aqueles que deveriam ser seus aliados. Do outro, esta se tratando de réus condenados por corrupção e por atentar contra o próprio sistema político, sendo alçados a heróis por seus aliados.
Agora já dá para entender porque a esquerda brasileira ainda está vencendo a guerra política por muito?
No Brasil, praticamente não há nenhum analista político de direita que seja pragmático politicamente. Impera o “bom mocismo”: a maioria reage à aparência do discurso e julga as situações com base em princípios e no “dever ser”, esquecendo-se da necessária análise tática, o que é fatal quando se lida com discípulos de Lênin e Gramsci.
O blog "Ceticismo Político" do analista Luciano Ayan é uma exceção à regra: analisa os discursos não sob a égide de princípios ou da ética pura, mas sim sob a ótica da guerra política. A direita brasileira tem nesse blog um verdadeiro manual para ação. Basta acompanhar as postagens em http://lucianoayan.com/. Faço isso quase diariamente. Fica a dica.

 



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