São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Opinião

Altos e baixos da presidente
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Poucos destacaram na entevista de Dilma a sensatez com que ela apelou para a preservação de grandes empresas e do clima de negócios

Lidas sem emoção, observando as declarações de Dilma Rousseff aos jornalistas na semana passada, em ambiente informal e cordial, pode-se tirar conclusões muito significativas para o momento político e econômico que vivemos.

Pelo lado mais positivo e pouco destacado, a colocação de que não se pode destruir um patrimônio nacional como as grandes instituições, que, por um motivo ou por outro, se viram no meio dessa confusão envolvendo irregularidades bilionárias na Petrobras.

Lembrou, com seriedade e responsabilidade, que as empresas empregam centenas de milhares de brasileiros, nas diferentes áreas em que atuam, aqui e no exterior.

Mostrou sua preocupação com a presença destas empresas no PAC, em projetos públicos e privados, sem nenhuma relação com a Petrobras. Em meio a este clima de desconfianças dos investidores em relação ao Brasil, as palavras da presidente foram importantes e não deveriam ser criticadas pela oposição.

Esta deve se guardar para as vezes que a presidente Dilma ou o governo erram, mas nunca quando acertam como o bom senso indica que ela acertou em relação as grandes empresas nacionais.
 
A presidente, no entanto, não tem sido bem orientada nesse caso que surpreende o Brasil e a comunidade financeira internacional pelo volume dos recursos desviados, que fazem da nossa maior empresa a mais endividada do mundo. E no momento em que precisa de crédito para investir no pré-sal.

Politicamente errou ao querer envolver o governo FHC, depois de 12 anos de administração do PT. Poderia ter dito, e não disse, é que o regime de plena liberdade da estatal, fugindo aos controles da Lei 8666, que regula as licitações no país, vem justamente do governo FHC, por inspiração, segundo dizem, do ex-ministro Sergio Motta, homem que atuava de maneira muito controvertida.

Lembro-me bem das aflições de Roberto Campos na ocasião, dizendo que não se preocupava com o momento, pois o presidente Francisco Gros era homem de reputação ilibada, mas, sim, com seus sucessores.

E tinha toda razão. O assunto Petrobras deveria unir governo e oposição, identificar os beneficiários para medidas judiciais e fiscais e multar as empresas sob o ponto de vista fiscal.

Afinal, elas não ofereceram dinheiro a ninguém, foram constrangidas à cumplicidade por motivos pouco éticos, mas que fazem parte do pragmatismo empresarial.

O que aconteceu dia 15 pode ter chamado a Presidente à realidade e às vantagens de uma postura menos imperial. E teria sido mais prudente a presença em nome do governo ter se limitado ao ministro da Justiça.
 
Para superar a crise, que é local, mas também em economias às quais estamos muito vinculados, como as da Argentina, China e da União Europeia, é preciso atrair capitais, melhorar o ambiente de negócios, colocar uma série de medidas em prática no sentido de fazer o capital circular.

Ousando, é claro, como ao criar incentivos para que as empresas cotadas em bolsa aumentem o capital, que as novas ações sejam beneficiadas de incentivos fiscais, como a isenção do imposto sobre o lucro na venda.

A presidente tem de mostrar que pode atrair o capital e nem por isso deixar de lado o social. Muito pelo contrário, sem o capital não há recursos para atender ao social. Receita da austeridade pura e simples não funciona. É preciso ir adiante na busca do tempo perdido.

O relógio anda e é implacável. Temos de agir com agilidade e velocidade. Buscar consenso e amortecer as disputas políticas. E, claro, assumir uma postura mais discreta nas relações internacionais, com as quais não temos nos saído muito bem,

 



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