São Paulo, 26 de Maio de 2017

/ Opinião

Abrigos de corruptos
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Os partidos que mais elegem (PT, PSDB e PMDB) são também aqueles que mais aparecem nas denúncias de corrupção

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino, é mais um exemplo de que o político brasileiro precisa ser mais cauteloso quando aborda o tema da corrupção. O potiguar Agripino é, provavelmente, um dos parlamentares que mais vezes ocupam a tribuna do Senado para denunciar com veemência corrupção nos governos do PT.

Agripino, no entanto, acaba de ser acusado por um empresário com atuação inclusive no seu Estado, o Rio Grande do Norte, de ter embolsado uma propina no valor de R$ 1 milhão.

Outro político que também não policiou a língua enquanto viveu e que não cansou de denunciar corrupção também nos governos de Lula e de Dilma foi o ex-presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra.

O tucano Guerra, porém, morreu antes de saber que também seria denunciado na Operação Lava Jato de ter recebido uma propina considerável de R$ 10 milhões para impedir a criação de uma CPI no Congresso –já naquela época- com objetivo de apurar denúncias de irregularidades na Petrobrás.

Após a acusação que surpreendeu e sacudiu os alicerces do partido, os tucanos começaram a investigar a veracidade da denúncia e se a propina de R$ 10 milhões entrou nos cofres da agremiação ou foi parar no bolso do então presidente do PSDB.

A Operação Lava-Jato, conduzida com mão de ferro pelo juiz Sérgio Moro, já prendeu diversos empreiteiros que pagavam propinas a diretores da Petrobrás e a políticos de vários partidos que ainda não tiveram seus nomes revelados, para conseguir contratos milionários com a estatal.

Como as denúncias até agora envolveram mais petistas, o PT está pedindo à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal que retroceda as investigações também aos governos do PSDB, porque o ex-gerente da Petrobrás, Pedro Borusco, disse ao juíz Sérgio Moro que já recebia propinas no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Sua confissão coincide com a denúncia feita em 1996 pelo jornalista Paulo Francis de que diretores da Petrobrás estavam fazendo robustos depósitos em bancos suíços. A revelação de Francis foi feita no programa Manhattan Connection, gravado em Nova York e exibido no domingo e reprisado na segunda-feira pela Globo News.

É natural, mas lamentável, que PT, PSDB e, em segundo plano também o PMDB, sejam os partidos mais envolvidos nos escândalos da Petrobrás e Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, porque são as legendas que elegem a quase totalidade dos mais de seis mil prefeitos no Brasil e 27 governadores –além do presidente da República.

As três legendas se tornaram abrigos preferidos de corruptos e corruptores, porque sabem que vão encontrar mais facilidade para roubar o Estado e o dinheiro suado dos contribuintes, que pagam pesados impostos, se estiverem afinados com o partido que está no Poder.

Corruptos e corruptores, enfim, não se infiltram em partidos sem condições de eleger prefeitos, governadores e principalmente o presidente. É por isso que os próprios delatores afirmam não existir uma única obra pública no Brasil que não seja irrigada pela propina.

 



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