São Paulo, 28 de Abril de 2017

/ Opinião

ABC de História
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"É preciso uma pausa na guerra política. A reforma eleitoral deve ser gradual e começar pela volta da cláusula de barreira, e a eleição proporcional ser pelos mais votados, excluídos os votos de legenda que favorecem distorções"

Não se trabalha com o retrovisor, e sim olhando para a frente, entendendo o presente e acreditando que cada momento é um momento.

Atribui-se a dna. Berenice Magalhães Pinto, mulher do grande político mineiro, a frase de que “a política é como as nuvens, você olha e logo depois ela não está mais lá”.

E assim é a história dos países. Cada fato tem seu significado.

No caso brasileiro, desde a República, proclamada sem o povo perceber, mas com um grupo militar explorando com esperteza erros políticos do governo, passando pelos movimentos militares de 1922, 1924, culminando com a Revolução de 1930, o Estado Novo, em 1937, a redemocratização, em 1945, a morte de Vargas, em 1954, a eleição e posse de JK, a renúncia de Jânio e a deposição de Jango.

Depois, a Revolução de 64, que terminou em 1979 com a anistia proposta pelo presidente João Figueiredo e a passagem do poder, em 1985, aos eleitos pela oposição no Colégio Eleitoral.

Mas as crises continuaram. Inflação galopante, o impeachment do presidente Fernando Collor, Itamar e o Plano Real, a suspeita reeleição com FHC, os dois mandatos vitoriosos de Lula e os problemas da presidente Dilma.

Tudo teve sua razão de ser e foi a melhor solução a cada momento.

Embora a classe política em geral esteja muito desgastada – pelos muitos casos de corrupção e dificuldades na economia com reflexos no social –, temos uma democracia consolidada. Podemos até viver anos de tensão política, agitação social, retrocesso econômico, mas não a ponto de seguirmos os bolivarianos na perda das liberdades, a começar pela liberdade de imprensa.

O mundo não permitiria um país das nossas dimensões mergulhar no caos. E temos uma classe média forte, preparada, produtiva, com empreendedores vitoriosos nas cidades como nos campos.

O discurso radical e emocional não encontra eco nas forças vivas da nacionalidade. O pragmatismo leva a uma certa conciliação na direção da paz e do crescimento econômico.

A presença do ministro Joaquim Levy mostra esse esforço pelo entendimento. E se espera que dure muito sua gestão. O fator credibilidade é essencial e ele a tem junto aos mercados internacionais.

É preciso uma pausa na guerra política. A reforma eleitoral deve ser gradual e começar pela volta da cláusula de barreira, e a eleição proporcional ser pelos mais votados, excluídos os votos de legenda que favorecem distorções.

A questão do financiamento é irrelevante, pois recursos privados sempre existirão de uma maneira ou de outra.

E o orçamento do país já não comporta mais gastos do que os atuais, que alimentam a criação de tantos partidos de fachada.

Existem erros políticos graves na nossa história. O pior, que abriu as portas para a vitória da desastrada chapa Jânio-Jango, foi a insistência com que Carlos Lacerda impôs a UDN, maior partido de oposição, apoiar Jânio Quadros, já conhecido em São Paulo pela sua instabilidade emocional, em detrimento do General Juraci Magalhães.

Este um preparado tenente de 1930, que governou bem a Bahia e tinha a confiança de JK.

Neste momento devemos ser mais tolerantes. E tomar cuidado com a radicalização.
 

 

 



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