São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Opinião

A tecnologia contra o auto-engano
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Mentir para nós mesmos fica mais difícil com os equipamentos

Uma nota breve e pessoal inspirada pelo Apple Watch: é provável que eu jamais sinta vontade de comprar um. Mas sou um sujeito que acompanha atualmente os gadgets para vestir, e sou cético em relação ao ceticismo.

Julia Belluz, da Vox, diz que os aparelhos de fitness para vestir não ajudarão muito as pessoas a mudar de comportamento: "Por enquanto, vale a pena usar o bom senso: durante séculos, todo mundo — não apenas quem pode comprar o mais recente produto da Apple — teve acesso a outras tecnologias bem menos atraentes (balanças, fitas métricas) que fornecem dados extremamente precisos e excelentes prognósticos sobre a saúde do indivíduo (peso, tamanho da cintura), mas nem por isso houve um surto de mudança de comportamento ou se observou uma reversão na trajetória da crise de obesidade nos Estados Unidos."

Tudo bem — mas o que as engenhocas de condicionamento físico fazem, pelo menos no meu caso, é tornar mais difícil mentir para mim mesmo. E isso é fundamental.

É muito fácil você se convencer de que caminha bastante — que aqueles passinhos que você dá quando está organizando seus livros, por exemplo, é um bom exercício —, que você só deixa de se exercitar uma vez por semana aproximadamente. Vá lá, duas vezes. 

Mas aí seu Fitbit lhe diz que você caminhou apenas 6 mil passos e queimou só 1.800 calorias ontem, e que você só se exercitou seriamente três vezes na semana passada. 

Você pode até dizer que, no fim das contas, a verdade virá à tona na balança e na circunferência da cintura. Sim, mas essa é uma maneira de jogar as coisas para o futuro. A hora de se sentir culpado é aqui e agora.  

Decidi também usar um monitor de frequência cardíaca quando faço exercícios cardiovasculares. Esse é mais um caso em que é fácil mentir para nós mesmos — "Estou me acabando!" — mas há um número que não mente, e ele diz que você chegou a 70% apenas da sua meta pretendida.

É claro que nada disso funcionaria se eu não tivesse tomado a decisão, num determinado momento, de que tinha de lutar contra o envelhecimento.

Mas, no meu caso pelo menos, a tecnologia ajuda muito, não exatamente por causa das informações que ela me dá, mas porque torna mais difícil o autoengano. 

 



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