São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Opinião

A Revolução e a verdade
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Com a aproximação do aniversário do movimento de 1964, é oportuno um balanço equilibrado de suas realizações

As novas gerações têm recebido informações frequentes e veementes sobre o lado escuro do chamado período militar, que sucedeu a revolução de 31 de março de 1964. 

Depois do governo do marechal Castelo Branco, surgiram os primeiros movimentos de reação armada ao regime, pela via de sequestros de diplomatas, assaltos a bancos, execuções de personalidades tidas como comprometidas com os excessos da repressão policial-militar.

Dessa maneira, confinam-se aqueles anos a uma mera luta travada entre os que fizeram a opção pelas armas – revolucionários-guerrilheiros, de um lado, policiais e militares encarregados da ordem interna, do outro.  Ao que parece, ambos os lados exageraram e se deixaram levar pela violência.

Pouco, no entanto, se fala nos avanços significativos em todos os sentidos do Brasil. Foram obras de grande porte para sustentar um processo de crescimento econômico que nos anos Médici passaram de 10% ao ano.

A lista é enorme, mas passa pelas grandes estradas, algumas duplicadas como a Presidente Dutra e a Rio-Juiz de Fora, a Rio-Santos (que deveria se chamar Mário Andreazza) e algumas estaduais, como a Ayrton Senna, Imigrantes, Castelo Branco.

As usinas hidrelétricas com reservatórios compatíveis, como Tucuruí, Itaipu- binacional –, o moderno sistema de telecomunicações, a política habitacional e de saneamento básico. O lado social do Funrural, que garantiu aposentadoria ao trabalhador do campo, a abertura do ensino universitário para a livre empresa, que hoje representa 80% das vagas.

Na saúde, plantou-se as origens do SUS. Permitiu a expansão dos planos e seguros de saúde, que hoje atendem a um quarto da população, numa gestão séria pela qual respondem viúvas e filhos dos homens que dominaram o país por 21 anos.

O time de colaboradores é dos mais sérios da República. Economistas admirados e respeitados, como Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Delfim Netto, Ernane Galveas; gestores, como Hélio Beltrão, Gonzaga Nascimento e Silva, Pratini de Morais, Mário Andreazza, Eliseu Resende, César Cals; juristas do gabarito de Leitão de Abreu, Ibrahim Abi-Ackel, Alfredo Buzaid, Milton Campos.

E sem falar nos políticos incorporados à história como homens exemplares, tais como Petrônio Portela, Daniel Krieger, Gilberto Marinho, Magalhães Pinto, José Sarney, Francelino Pereira, Marco Maciel, Amaral Peixoto. Isso para ficar nos senadores da bancada governista, Arena e PDS.

Infelizmente, como ocorre na história de todos os países, as lutas internas, quando chegam às armas, geram atos condenáveis. Respeito os que discordam, mas tendo vivido o período e participado muito jovem daquele momento, não ficaria bem com minha consciência em silenciar diante da abordagem apenas de um aspecto daqueles anos e sob a visão de um dos lados, nesta semana em que a data será lembrada.

Mais do que nunca, o sentido de união que inspirou o presidente João Figueiredo em sua generosa anistia deve estar presente entre os brasileiros. 



O os poderes constituídos devem resolver a crise. Aos militares cumpre apenas preservar a ordem, a soberania e a dignidade nacional

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