São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

A retórica populista se espalha na Grécia
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O governo grego tem recorrido a muita retórica populista e nacionalista nos últimos tempos, o que parece ter deixado chocados os eurocratas. O milagre é que isso só tenha acontecido agora

Há alguns anos, governos de países devedores, como a Grécia, talvez introduzissem programas de austeridade na crença sincera de que eles dariam retorno sob a forma de uma forte recuperação econômica. No entanto, os tecnocratas de Bruxelas perderam toda a credibilidade que tinham nesse quesito.

SCHOT CARTOON ARTS/THE NEW YORK TIMES SYNDICATE

Além disso, enquanto governos de centro-direita conseguem, em alguns casos, se sustentar politicamente como se fossem os únicos capazes de fazer o trabalho doloroso, porém necessário, os partidos de centro-esquerda que assumiram o papel de agentes da austeridade implodiram e, em alguns casos, basicamente saíram de cena. 

Desse modo, políticos individuais — especialmente de centro-direita, mas também de centro-esquerda em alguns casos — talvez se saiam bem pessoalmente, mesmo que suas políticas sejam terrivelmente impopulares. 

Eles podem se tornar membros permanentes do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, ou aguardar esperançosos uma nomeação para a Comissão Europeia ou para outras instituições da Europa. Isso, na minha opinião, tem funcionado como elemento que impede o avanço da reação populista que os eleitores estão cada vez mais dispostos a endossar.      

Mas o fato é que o governo grego atual não é de centro-esquerda, e nenhum de seus personagens principais jamais ressurgirá como um homem de Davos. Para eles, o sucesso terá de se traduzir em apoio dos seus eleitores, e não das elites internacionais. 

Não tenho certeza se os governos credores entenderão isso. Às vezes, parece que estão esperando o primeiro-ministro Alexis Tsipras jogar a toalha a qualquer momento. Outras vezes, parece que o plano é transformar a Grécia em exemplo do que acontece quando você não obedece ordens. Está tudo muito confuso.

A situação está ficando perigosa.

SOBRE O DÓLAR FORTE

O economista e blogueiro Tim Duy vem travando um debate ultimamente com Scott Sumner, que insiste na ideia de que o dólar forte não afetará o crescimento dos Estado Unidos (aqui: bit.ly/1x6tUqp).

Acho que temos de pensar a respeito de forma conceitual e quantitativa, mas não estou nem um pouco otimista.

Sumner, professor de economia da Bentley University, escreveu que não se pode raciocinar com base em mudança de preço: se o dólar está se movendo, há uma razão para isso, portanto é preciso voltar à causa subjacente e indagar qual o efeito disso.

Na verdade, as movimentações dos preços dos ativos muitas vezes não têm uma causa evidente — podem ser bolhas ou resultado de mudanças de expectativas de longo prazo, portanto o que nos cabe fazer é indagar sobre os efeitos das mudanças de preços que não podem ser explicadas muito bem. Mais especificamente, Sumner está certo quando diz que se a queda recente do euro estiver sendo impulsionada pela política monetária expansionista, isso afeta os EUA pela via da demanda, mas também pela via da competitividade, portanto uma coisa compensa a outra. 

Eu já disse que a política monetária sozinha não explica a desvalorização do euro. Na verdade, a queda da moeda parece refletir a percepção entre os investidores de que a depressão na Europa vai se estender por muito tempo.

Se for esse o fator responsável pela desvalorização do euro e pelo dólar forte, o crescimento dos EUA será afetado.

  

*Tradução: A.G. Mendes



Seus partidários são bons em acusar os outros de má fé. Sua campanha parece muitas vezes acusar quem não o endossa de corrupção. O que pensar desse tipo de coisa?

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Hillary não pode prometer fazer mágica sem ser obviamente falsa. Sanders, por sua vez, acredita provavelmente no que está dizendo. O rude despertar se dará mais à frente

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As taxas em declínio nos dizem que os mercados esperam economias bastante fracas e, possivelmente, deflação nos próximos anos, ou até mesmo uma crise total

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