São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Opinião

A obrigação de pagar
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Jogando na falta de informação do povo em relação à realidade do mundo financeiro, aqueles que sonham com o crédito estatizado, meio mais seguro de se controlar politicamente um país, apontam os bancos como vilões

Nestes tempos de crise, com a inflação assustando e provocando a alta dos juros, os do Brasil estão mais uma vez entre os maiores do mundo, passando de 300% ao ano em alguns casos.

E, quando aplicado, rende 15% no máximo, e em condições muito especiais. Por isso, é bom falar sobre bancos.

Jogando na falta de informação do povo em relação à realidade do mundo financeiro, aqueles que sonham com o crédito estatizado, meio mais seguro de se controlar politicamente um país, apontam os bancos como vilões.

A começar pelo sindicato dos bancários, em todo o país, que deveria procurar preservar empregos e não levar os bancos a diminuírem quadros e aumentarem a automação. As greves de bancários são anuais, como se sabe.

No entanto, os juros são altos em função do alto índice de inadimplência no Brasil e de uma legislação que protege o devedor relapso.

Não apenas dos bancos, mas até nos condomínios residenciais, onde, por lei, não se pode informar aos condôminos quais unidades estão em débito.

Este sempre foi o mais legítimo instrumento de pressão para os faltosos, que, por vezes, são proprietários de automóveis de luxo, enquanto os pagantes nem carro possuem.

Os bancos brasileiros são sólidos, mas nas últimas décadas perdemos alguns gigantes, vítimas da inflação, da quebra de empresas, de altos custos administrativos e também de desvios.

Mas os de meia idade devem lembrar-se de referências como Bamerindus, Nacional, Econômico, Boavista, Auxiliar de São Paulo, que foram liquidados, e outros tantos incorporados pelos concorrentes.

O sistema é lucrativo, mas de alto risco, como se sabe. E as finanças nacionais lucraram com o fim dos estatais estaduais, fonte de prejuízos e cercados de suspeições.

A mais: hoje temos executivos mais audaciosos e menos prudentes e austeros como foram no passado referências como Gastão Vidigal, Walter Moreira Sales, José Maria Whitaker, Manoel Ferreira Guimarães, Magalhães Pinto, Clemente Faria e Clemente Mariani, entre outros.

Bancos tocados pelos controladores ou executivos com uma vida na instituição apenas Bradesco, Safra e Itaú-Unibanco.

Hoje, a preocupação fica por conta de bancos que atuam mais no atacado, metendo-se nos mais diferentes tipos de negócios. Embora a legislação devesse impedir o chamado “braço financeiro” de grupos industriais ou comerciais. E liberar horários para acordos entre bancários e os bancos, especialmente em aeroportos e cidades de turismo intenso.
 
O Banco Central tem sido esquecido neste amplo debate nacional por reformas de toda ordem. Deveria lutar por regulamentar melhor a área sob sua responsabilidade, contendo esta participação de empresas de outras atividades e sugerindo que nos tribunais sejam criadas câmaras específicas para crimes financeiros e liquidações de instituições.

Atualmente, vê-se, com vergonha, anular-se processos de banqueiros que quebraram, dando prejuízos a muita gente, em função de comportamento megalômano de seus dirigentes.

Assim, perde-se a confiança no sistema, abalada frequentemente pelas operações suspeitas dos bancos oficiais, agora com a novidade de serem secretas.
 
Cresce a inadimplência e crescem intervenções despropositadas do Judiciário no que toca contratos de crédito rigorosamente dentro da legislação.

Todo cuidado é pouco!
                                                                                                                   

 



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