São Paulo, 28 de Junho de 2017

/ Opinião

A miséria moral
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A sociedade padece de cinismo com relação a valores morais que deveriam orientar sua organização

Victor Hugo, quando publicou sua magistral obra “Os Miseráveis”, entre outras lições mostrou a existência do conflito humano entre a miséria material e a miséria moral, mostrando a dificuldade que o indivíduo tem para se libertar dos obstáculos inferiores que dificultam a convivência fraterna da sociedade.

É por isto que a evolução humana depende da luta constante de cada pessoa contra essas misérias, que impedem nosso crescimento moral. É preciso romper com o passado primitivo, para a criação moral do homem, a que se referiu Rui Barbosa em seu famoso discurso para os formandos de direito da turma de 1920, “Oração aos Moços”: “oração e trabalho são recursos mais valiosos na criação moral do homem.”
 
Muito embora essa deficiência moral sempre existisse no mundo todo, no Brasil dos últimos tempos a miséria moral se expandiu em todos os níveis sociais, de forma epidêmica; deixando a impressão de que o povo brasileiro perdeu a noção de moral e da ética, o que não é verdade.
 
E como no Brasil a pobreza material ainda está longe de ser erradicada, apesar de algum esforço governamental, a união das misérias material e moral encontrou um terreno fértil para se espalhar entre nós, como uma erva daninha, aumentando a criminalidade e os escândalos, que surgem em todos os níveis.

No atualíssimo discurso, Oração aos Moços, o grande jurista desabafa sua descrença nos homens ao proferir a célebre frase: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

No encerramento de sua oração, no entanto, o mestre Rui procura levantar a moral dos formandos, conclamando-os ao trabalho digno e a fé, “ Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela supertição, a realidade pelo ídolo.”
 
Esta lição deve continuar viva em nossos corações. É fato que para os jovens que tiveram a felicidade de concluir seus estudos será mais fácil do que para maioria que não conseguem estudar, seja pela pobreza material, seja pela falta de um programa de estímulo governamental.

Nossos governantes parecem não acreditar que a educação seja o único caminho para a libertação da miséria moral, permitindo que o jovem conquiste um trabalho digno no cenário nacional.

É por tudo isso que a sociedade organizada tem o dever de ajudar as novas gerações, não só exigindo investimento governamental na educação de qualidade, como também disseminar bons exemplos de vida para que a miséria moral desapareça do convívio social.
 
Só com um programa educacional adequado e bons exemplos de conduta social das gerações adultas conseguiremos os recursos necessários para que o Brasil volte a crescer com dignidade para que o mundo nos reconheça como Nação de primeira grandeza.

 



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