São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Opinião

A mártir mineira
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Kátia Rabelo, herdeira de um banco em razão da morte do pai e da irmã, teve pena exorbitante quando do julgamento do mensalão

Nunca tive conta no Banco Rural, não conheci nenhum de seus diretores, muito menos a sra. Kátia Rabelo. Poderia abordar o assunto na qualidade de amigo ou com um mínimo de conhecimento com ela ou seus parentes.

Não é o caso, mas, sim, a confirmação de que as pessoas devem considerar que o conceito obtido junto à sociedade se constitui em verdadeiro patrimônio.

Todos sabem, em Minas Gerais e certamente entre os membros do Supremo que a condenaram, que a sra. Kátia Rabelo chegou à direção do Banco Rural em função da morte do pai e da irmã – esta sim uma executiva entusiasmada em seu trabalho de preservar e expandir o legado recebido da família.

Sua vocação era a dança, a música; era discreta e até mesmo, segundo testemunhos, de simplicidade pouco comum entre herdeiros de grandes fortunas. O pai foi um vitorioso empreendedor, tanto na engenharia como no mercado financeiro. Respeitado e admirado no meio empresarial.

O Banco Rural, do qual a condenada era nominalmente a maior autoridade, foi constrangido à cumplicidade com as operações criminosas que tinha no seu comando as personalidades mais proeminentes da República.

Todos recém-chegados ao poder, com um passado de atos radicais, identificados com a pior ditadura da história latino-americana que é a cubana, onde muitos chegaram a morar.

O banco não se ofereceu para cumprir missões, mas foi levado pelo sentido da prudência a não contrariar os novos poderosos. Foram cúmplices, fracos, mereceriam responder por seus atos.

Mas nunca se imaginou que receberiam penas muito mais elevadas do que as autoridades que transformaram a agência de Brasília numa lavanderia e distribuidora de dinheiro de origem escusa.

Todos nós assistimos a esta aberração e não nos demos conta de sua monstruosidade, uma vez que os implicados do setor privado logo desaparecem do noticiário, mergulhando no silêncio das penitenciárias.

Pessoas de vida familiar e profissional normais, sem mácula, primários, que o destino levou a viver este pesadelo. Jamais correriam estes riscos por vontade própria.

O advogado da acionista e dirigente do Banco Rural, e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, em artigo publicado na Folha de S. Paulo há semanas, levantou este absurdo.

E a força da verdade ética e moral de seu protesto, diante da liberdade dos principais responsáveis pela trama, obteve imensa repercussão.

Outro coadjuvante do dramalhão, que tem o mérito de ter sido o denunciante, o ex-deputado Roberto Jefferson, está preso e guarda digno silêncio no tratamento diferenciado que recebeu.

Esse caso merece ser meditado, avaliado pelas lideranças empresariais que bem conhecem a família Rabelo, considerando que amanhã pode ser contra outros empresários e executivos.

O chamado “mensalão” fez escola na linha ideológica. No caso Petrobras, os presos são as vítimas da extorsão e não os autores e beneficiários.

No futuro, mais cedo do que se imagina, esta senhora será reconhecida como uma mártir no meio empresarial mineiro. Assim como seus funcionários igualmente penalizados de maneira tão forte em relação aos demais indiciados no processo.

 



Foi o que disse a ministra Cármem Lúcia ao se tornar, nesta segunda-feira, a segunda mulher na presidência da mais alta Corte do país, o STF

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