São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Opinião

A lista suspeita
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A inclusão dos nomes de Anastasia, Pezão e Henze tiram a credibilidade da lista do Ministério Público

A esperada lista de envolvidos na Operação Lava Jato da Polícia Federal chegou com muito suspense e se transformou numa decepção. E mais do que isso, foi motivo de revolta entre os que acompanham a vida pública brasileira e, portanto, sabem o quem é quem da política.

A relação foi elaborada com objetivos de tumultuar e desmoralizar o processo que apura um dos maiores escândalos envolvendo uma grande empresa, tanto no Brasil como no mundo.

Bastariam, no meu entender, três presenças para desacreditar a lista e consequentemente proteger os verdadeiros envolvidos.

O senador Antonio Anastasia, ex-governador de Minas, fez longa carreira no serviço público, tendo como referência a forma austera e digna com que se portou. Homem de hábitos simples, governou Minas com exemplar compostura.

Misturar recursos de campanha com o candidato não é um caminho sério, especialmente quando envolve político que nunca cuidou da parte financeira das campanhas que disputou – a vice-governança, o governo mineiro e, por fim, o Senado.

Outras presenças são absolutamente inverossímeis, como o Governador Luis Fernando Pezão, íntegro e acima de qualquer dúvida ao longo de sua carreira. E o deputado Luiz Carlos Henze (o mais votado do Rio Grande do Sul), uma voz de coragem na oposição e que, portanto, não teria como receber vantagens do PT que combate.

Caso Anastasia, Pezão e Henze venham a ter envolvimento comprovado, aos 70 anos de idade e 50 de jornalismo, diria que realmente para os homens de bem a única saída são os aeroportos.

Mas Deus me poupará desta decepção. Conheço bem estes três para acreditar que meu alerta tem todo cabimento e é um dever de consciência.

O doleiro, que é ponto central nas investigações, é reconhecido como um dos grandes na atividade. Suas operações não se limitavam aos negócios envolvendo a Petrobrás. Por ele pode-se é chegar a outros casos de corrupção, sem nenhum vínculo com a Lava Jato, mas envolvendo executivos estaduais.

E os depoimentos do acusador são vagos, não permitindo base para incriminar ninguém. Ao contrário de outros membros da lista, estes sim comprometidos.

Não se pode calar diante da ignomínia, da injustiça, do mau uso de instrumentos de defesa da sociedade como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário. A simples referência a estes nomes – e talvez outros que possam surgir – configura má fé.

Conceito e credibilidade são valores a serem respeitados! E estes os tem de sobra.

 

 



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