São Paulo, 30 de Maio de 2017

/ Opinião

A cultura do ressentimento
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A postura mesquinha do gozo da desgraça alheia não engrandece a ninguém. O rigor na busca da Justiça a ser aplicada não retira a cordialidade no trato nem a caridade no processo

O brasileiro é o homem cordial, definido por Gilberto Freyre, nosso grande nome, hoje mais reconhecido do que ontem.

Até FHC, que procurava desmerecer o grande pensador e estudioso de Brasil, mas sem passagem na esquerda, reconhece sua importância na definição do perfil de nossa gente.

Ocorre que os 12 anos de PT martelaram muito na questão da divisão da sociedade entre brancos e não brancos, ricos e pobres, elite e povo.

O próprio Lula, mais de uma vez, bateu nesta tecla. Surgiram as cotas, geradoras de polêmicas, num país que, desde o Império, deu lugar a todos nos altos cargos e no próprio Parlamento.

Estimulou-se movimentos que procuram diminuir a importância da Princesa Isabel na abolição, ela que é até hoje a mais estimada e respeitada das brasileiras – inclusive, com processo de beatificação examinado no Vaticano.

As prisões de homens que ocuparam cargos de relevância no setor público como no privado, se representa uma prova do amadurecimento democrático e da busca do fim da impunidade que caracteriza nossos anos republicanos, por outro lado, vem revelando uma face agressiva, odienta, nas redes sociais em especial, em que as pessoas manifestam prazer com o desconforto destes presos.

O que se deseja é a punição; não a humilhação dos culpados. 

Exemplo maior do veneno que mina as relações de segmentos da sociedade é a hostilidade com os empresários, os empreendedores, os que investem, correm riscos, pagam impostos e geram empregos.

Mas o preconceito supera a vontade de ver o país crescer e superar a crise. Nada é feito para facilitar o sistema tributário, trabalhista, financeiro, remover entraves burocráticos. E na corrupção são cumplices ou vitimas e não autores.

Faltam líderes com coragem para ousar enfrentar essa linha de pensamento baseada na mais vulgar demagogia, na criminosa irresponsabilidade, no imediatismo eleitoreiro.

Precisamos ser mais justos, mais modernos, menos preconceituosos, mais tolerantes e cordiais, na linha fraterna com que construímos uma nação, que é a nossa e tem qualidades suficientes para encontrar a felicidade, no trabalho, na qualidade de vida e no amor. 

A postura mesquinha do gozo da desgraça alheia não engrandece a ninguém. O rigor na busca da Justiça a ser aplicada não retira a cordialidade no trato nem a caridade no processo.  

Menos emoção, paixão e mais objetividade. O perigo para o Brasil não está nos presos, mas no desemprego, no desespero e na insensibilidade dos que só pensam em escapar da lei.

Sem anistia e sem blindagem, mas sem ódios!

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio



Não se trata de proteger a sonegação fiscal e sim de ajudar as empresas inadimplentes vítimas da recessão a se reequilibrarem, diante da falta de caixa e de crédito

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Está tudo tão confuso, tão degenerado, tão nojento que dá vontade de seguir a música que o cantor Silvio Brito interpreta tão bem: “para o mundo que eu quero descer...”

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A sociedade não tem um projeto para o dia seguinte. Parece que tudo se limita a Lava-Jato, às prisões e delações

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