São Paulo, 05 de Dezembro de 2016

/ Opinião

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Todos os indicadores econômicos indicam a incompetência do governo federal em equacionar os problemas da sociedade

Claro que a economia está em processo de desintegração, lenta, gradual e segura. Uma visão realista mostra a impossibilidade de surgir um fato novo que reverta a tendência de uma piora em todos os números. Uma declaração aqui e uma desoneração ali podem provocar ligeiras melhoras, oscilações naturais em alguns índices e por tempo limitado. Medidas positivas estão demorando.

O monstro da dívida do setor público não tem como cair antes de três ou quatro anos – isso com o dever de casa sendo feito corretamente. Uma mudança na forma de encarar o processo econômico, político e social do grupo instalado no poder parece difícil. A economia acentuou seu declínio após a eleição, em função da natural falta de confiança na melhora do ambiente de negócios no país. Complicado brigar com a tradição histórica do refúgio no dólar, seja qual for o quadro externo.  Nomear um ministro respeitado não é suficiente.

Não temos câmbio ajustado para estimular exportações de manufaturados, e a defasagem pode estar ainda em torno de 20%. Os gargalos na infraestrutura permanecem agravados pela crise na energia. A segurança pública que assusta a vinda de técnicos e executivos estrangeiros se deteriora, em país em que os protestos e greves estão se incorporando ao cotidiano.

Bons nomes, preparados, honrados, ajudam mas não resolvem o clima negativo. A orientação superior é que é importante. Ou se estimula o investidor, melhora a legislação, valoriza o capital, ou teremos apenas uma equipe de bons e disciplinados funcionários. E mesmo assim não se sabe por quanto tempo.

A corrupção é outro fator a desestimular o investimento. E, no caso da Petrobras, é preocupante pelos efeitos nos mercados internacionais. A empresa é a maior devedora do mundo. É cotada nas bolsas e tem papéis de sua emissão negociados em moedas conversíveis. Sua crise pode se refletir em outras empresas, como a Vale, que deve mais ou menos o mesmo montante que levou Portugal à crise por demais conhecida. Os bancos oficiais, pela primeira vez na história, fazem empréstimos internos e externos mantidos sob segredo. Tudo conspira para que os números sejam pouco confiáveis, e governo e estatais já começam a empurrar pagamentos.

A legislação trabalhista assusta empresas dispostas a se instalar no Brasil. E a cada dia surge mais uma “bondade” aprovada no Congresso e sancionada no Planalto, com o dinheiro do empreendedor. Já não se fala em diminuir ou simplificar impostos e, por incrível que possa parecer, em mais impostos.

Não será surpresa se a temporada de viagens ao exterior que começa já conte com novo aumento no IOF sobre despesas com cartões de crédito no exterior e na compra de divisas. É o processo em andamento.

Pior cego é o que não quer ver!

 



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