São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

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Vendas no varejo caem 6,4% na capital paulista em 2014
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O número foi apurado pela Associação Comercial de São Paulo. No Estado, a queda foi de 4,6%

As vendas do comércio varejista ampliado caíram 6,41% na capital, em 2014, na comparação com 2013. Os dados foram divulgados pelo IEGV (Instituto de Economia Gastão Vidigal), da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), nesta quarta-feira (11), com base na arrecadação de ICMS fornecida pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A queda se estendeu também ao Estado, que registrou 4,46% a menos no número de vendas, ante 2013. 

“Esses números negativos das vendas no ano de 2014, tanto no caso do Estado como da capital, decorrem do menor crescimento dos salários, da redução do crédito destinado ao consumo, dos juros mais altos e dos menores prazos de financiamento, culminando também na queda da confiança do consumidor”, diz Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp.

De acordo com Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, o comércio varejista foi afetado por vários fatores, que acabam minando a confiança do consumidor para ir às compras. "Além disso, em 2014, tivemos fatores como a Copa do Mundo, as manifestações e a piora no trânsito, tudo isso atrapalham as vendas",diz. 

PERSPECTIVAS PARA ESTE ANO

A pesquisa também mostra que o primeiro trimestre deste ano deve registrar alguma recuperação. Porém, os números ainda tendem a seguir negativos. Com base no ICC (Índice de Confiança do Consumidor do Estado de São Paulo), desenvolvido pelo Instituto IPSOS, a projeção da entidade é que em janeiro as vendas no varejo no Estado tenham queda de 4,4%. Já em fevereiro e março o movimento deve cair 4,51% e 3,71%, respectivamente.

O desempenho projetado para o comércio do interior é semelhante ao da capital, que, no entanto, indica quedas mais intensas, de 6,32% em janeiro, de 6,03% em fevereiro e de 4,68% em março.

Para Solimeo, o comportamento do varejo neste ano, também vai depender das medidas que serão adotadas na política econômica. O economista acredita que o racionamento de água e energia elétrica tem grandes chances de ser implantado. “Essa um possibilidade não contemplada no modela apresentado, e que agrava muito a situação, pois impõe uma restrição física. No entanto, uma parcela do ICC já deve ter sido afetada pela insegurança dos consumidores”, diz.

IBGE TAMBÉM PREVÊ QUEDA PARA 2015

O resultado fraco das vendas do varejo em 2014, divulgado nesta quarta-feira (11), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), reforça a expectativa de um quadro muito adverso para o consumo em 2015, na avaliação do economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada. De acordo com o Instituto, o varejo ampliado teve redução de 1,7% sobre 2013 e o restrito apresentou alta de 2,2% - a menor desde 2003.

"Este ano será ruim para o mercado de trabalho e para a renda de famílias. Além disso, a confiança está em níveis muito baixos, sem perspectiva de melhora, e a previsão é de menor tomada de crédito nos próximos meses. O ambiente como um todo é desfavorável", afirmou.

Segundo Baggi, a previsão da Tendências para as vendas do comércio em 2015 já era modesta - avanço de 0,4% para o varejo restrito e de zero para o ampliado, e agora será revisada para baixo. "Nos dois casos a projeção deverá ser negativa", diz. Ele acredita que o maior impacto negativo será percebido sobre o consumo de bens duráveis, que sofrem com a trajetória de alta dos juros.

Baggi ressalta que, se o panorama macroeconômico já tinha "vetores desfavoráveis", os dados do varejo divulgados hoje pelo IBGE só reforçam a possibilidade de desaceleração da atividade no horizonte. "A crise vinha do setor industrial há muito tempo, mas agora bate também na porta das famílias".

De acordo com o economista, os ajustes contracionistas que estão sendo promovidos pelo governo por si só criavam um contexto de desaceleração no primeiro semestre do ano, mas choques que não estavam previstos, como o agravamento da crise energética e as consequências políticas da operação Lava Jato, contribuem para a piora do quadro. "O cenário de recessão em 2015 no Brasil tem ficado cada vez mais claro", diz.

*A base de dados da ACSP é diferente da utilizada pelo IBGE, por isso os números não são coincidentes. O Instituto de Economia da ACSP se baseia nas informações de ICMS da Sefaz/SP e sobre micro e pequenas empresas.

*Com Estadão Conteúdo



Fiel aos princípios que guiaram sua fundação, a trajetória da ACSP, que completa 122 anos nesta quarta-feira (7/12), foi marcada por ações e posições que a colocam como partícipe da vida política, econômica e social da cidade de São Paulo, do Estado e do País

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