São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Vendas no Natal tiveram o menor crescimento em oito anos
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No comércio, movimento fraco era esperado. Nos shoppings, inauguração de empreendimentos e projetos de expansão ajudaram a aumentar as vendas

Se nas demais datas comemorativas deste ano o ritmo de crescimento das vendas foi fraco, neste Natal não foi diferente. Para os shoppings, foi o pior em vendas nos últimos oito anos. E também o menor para o comércio desde 2008, quando começou a série histórica da pesquisa da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

Segundo o levantamento, as vendas no comércio subiram 1,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. 
No Natal de 2013, o aumento das vendas do varejo foi superior, de 2,5%, sobre a data comemorativa de 2012. Os dados são de uma amostra nacional das consultas realizadas pelo varejo no banco de dados da Boa Vista SCPC, no período de 17 a 24 de dezembro.

Flavio Calife, economista da Boa Vista SCPC diz que o resultado não surpreendeu, já que a expectativa era de uma alta de 1,5% -projeção em linha com o índice de confiança do consumidor, que já estava baixa por causa de outros indicadores, entre eles, a inflação resistente, os juros elevados que encarecem o crédito e um mercado de trabalho em desaceleração.

Outro fator que pesou no desempenho foi o dólar mais alto, o que também influenciou os preços dos produtos no mercado interno. “Não podemos esperar muita melhora neste começo de 2015. As medidas da nova equipe econômica podem restaurar a confiança, mas a retomada do consumo deve demorar”, afirma Calife.

 

Movimento de consumidores na rua 25 de Março

RITMO FRACO NOS SHOPPINGS
Nos centros de compras, este Natal foi o pior em vendas nos últimos oito anos. O crescimento real (descontada a inflação) foi de 3% na comparação com 2013, segundo levantamento feito com 150 varejistas, responsáveis por 7,5 mil lojas, realizado pela Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping).

O resultado veio bem abaixo da expectativa da entidade, de aumento de 4,5%. Um crescimento tímido, mas que foi de zero para lojas que já operavam no Natal de 2013.

Os presentes mais procurados pelo consumidor foram os perfumes e cosméticos, cujas vendas subiram 10%. O segundo item mais comercializado foram calçados, com alta de 9,5%, seguidos por brinquedo (9,5%) e pelo trio: óculos, bijuteria e acessórios (9%). As vendas de vestuário subiram 8,5% e as de joias e relógios, 8%.

"Sem dúvida, o ano de 2014 foi ruim para o comércio, temos um cenário de crédito mais restrito para as populações de menor poder aquisitivo, insegurança com relação às mudanças na economia e a alta do dólar gerando aumentos de preço", disse, em coletiva de imprensa Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.

 

A bijuteria foi um dos itens mais procurados pelos consumidores no Natal

Ele observou, ainda, que o movimento nos shoppings foi baixo no dia 24, véspera de Natal. "Parece haver uma mudança de comportamento, não se vê mais os shoppings cheios no último dia antes do Natal, mas sim o movimento de um dia normal, sem filas", afirmou.

Um dos fatores que podem ter contribuído para essa mudança, segundo Sahyoun, foi o crescimento das vendas do comércio eletrônico e uma antecipação das compras de Natal na Black Friday, em novembro.

O aumento nominal das vendas dos shoppings no acumulado do ano também foi menor, de 8% ante a expectativa de 10% feita pela entidade do setor. Assim, ao excluir a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o crescimento real das vendas no acumulado deste ano foi de 1,5%. A expectativa da Alshop é que esse percentual se repita em 2015.

NOVOS EMPREENDIMENTOS 
Na avaliação de Sahyoun, o aumento de vendas registrado no período foi influenciado pela abertura de novos shoppings e por projetos de expansão de empreendimentos. "É um crescimento vegetativo que está relacionado à abertura de lojas novas", disse. "Mas considerando as lojas já existentes não houve crescimento."

De acordo com o presidente da Alshop, os números apurados até agora podem indicar que os shoppings tenderão a enfrentar mais problemas com alta de vacância. A percepção é que lojistas de menor porte (lojas satélite) não sentem incentivos para investir em novos pontos.

A Alshop estima que hoje a média da vacância nos shoppings em operação esteja em 10%. Sahyoun estima que esse número pode se aproximar de 12% em breve. Medidas para evitar a sobreposição desses empreendimentos foram discutidas ao longo do ano pelo Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo.

Para Sahyoun, o crescimento nas vendas no próximo ano poderá ser puxado pela inauguração de lojas novas, principalmente em shoppings que hoje têm ocupação baixa e estão diminuindo as cobranças de lojistas para reduzir a vacância.

A Alshop afirma que hoje shoppings mais jovens estão cobrando de lojistas um percentual fixo de 10% de seu faturamento em vez de cobrarem diferentes tarifas de aluguel e condomínio. Essa prática é vista de forma positiva por varejistas, uma vez que em momentos de vendas fracas, os custos deles também cairiam.

Em 2014, foram abertos 25 novos shoppings e dois encerraram as atividades. Ao fim deste ano, foram contabilizados 889 centros de compras. Dados da Alshop mostram que há 134 shoppings em construção, a serem inaugurados entre três e quatro anos.

*Com informações de Estadão Conteúdo

 



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