São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

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Vendas do varejo paulistano têm queda de 2,3% em abril
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Pesquisa da ACSP mostra que o maior declínio se deu nas vendas à vista. Levantamento também aponta menor procura de crédito por parte dos consumidores

As vendas no varejo da cidade de São Paulo seguiram em queda no mês de abril, registrando um recuo de 2,3% ante igual período de 2014, segundo dados do IEGV (Instituto de Economia Gastão Vidigal), da ACSP. O Balanço de Vendas é baseado em informações de clientes da Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). 

Os primeiros quatro meses do ano também registraram queda média de 3,1%, em comparação com o mesmo período de 2014. 
Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, diz que esses números refletem a alta taxa de juros, a desaceleração do crédito e a queda na renda do trabalhador. 

“Enquanto persistirem os ajustes fiscais e monetários, é difícil visualizar uma reversão desse quadro atual. Mesmo assim, pode ter um aumento pontual nas vendas do Dia das Mães, que é a segunda melhor para o comércio e é sustentada pelo marketing e pelas promoções realizados pelas lojas”, diz

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À VISTA E A PRAZO

De acordo com o indicador de vendas a prazo, em abril o movimento apresentou recuo de 1,3% em relação a igual mês do ano anterior - com mesmo número de dias úteis – e de 2,3% no acumulado janeiro a abril de 2015. Em relação a março de 2015. a queda foi de 12,1%, explicada por um fator sazonal (dois úteis a menos em abril).  

Nas vendas à vista, as quedas foram ainda mais acentuadas, com redução de 3,2% em abril sobre igual período de 2014 e de 3,8% no acumulado janeiro a abril (ante mesmo período de 2014).

Comparando-se com março, as vendas à vista apresentaram queda sazonal de 16,8%, devido à diferença no número de dias úteis.  

"Os números acompanham a queda da massa salarial e a menor sobra de renda no orçamento do consumidor destinada a compras, devido ao aumento de tarifas”, diz o presidente da ACSP. 

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INADIMPLÊNCIA DEVE SUBIR

O índice de inadimplência dos consumidores deve subir nos próximos meses, dado que o número de carnês em atraso está um pouco acima dos números de cancelamentos de dívidas.

Em abril, o indicador que mede o número de carnês em atraso, apontou recuos de 8% na comparação anual e de 8,8% na comparação do quadrimestre.

Esses números são explicados pela queda na demanda de crédito por parte do consumidor, pela restrição no crédito e pela cautela do brasileiro, que hoje evita comprar a prazo. 

“Embora a inadimplência esteja sob controle, há uma ligeira propensão a alta, em razão da dificuldade atual de o consumidor negociar dívidas. Isso indica a necessidade de se iniciar as campanhas de renegociação, com descontos, para atrair o consumidor. Ao mesmo tempo, é preciso acompanhar atentamente os indicadores de desemprego – se ele aumentar, a inadimplência cresce”, diz Burti. 

O IRC (Indicador de Recuperação de Crédito), que aponta os cancelamentos de dívidas, registrou recuos de 10,2% e de 10,8% nas comparações mensal e do quadrimestre, respectivamente. Em relação a março, o IRC subiu 5,5% em abril de 2015, pelo fator sazonal.   

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SANTO ANDRÉ QUER VENDER MAIS

Para alavancar as vendas do comércio no mês de maio, a ACISA (Associação Comercial e Industrial de Santo André) lançou uma campanha promocional. A ideia é que o empresário conceda descontos ou brindes especiais para os seus clientes durante o período de 1 a 31 de maio.

Cada lojista pode oferecer o benefício, desconto ou brinde de acordo com o seu segmento e desejo. Para divulgar a campanha e identificar os comércios participantes, a ACISA desenvolveu um adesivo com uma identidade visual personalizada para a ocasião e o distribuirá para as empresas participantes, além de faixas explicativas nos centros comerciais.

Para Evenson Robles Dotto, presidente da ACISA, esta promoção é uma forma de incrementar ainda mais o movimento do comércio da região do ABC, que deverá movimentar R$ 141 milhões, segundo a PIC (Pesquisa de Intenção de Compras), realizada pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, em parceria com as Associações Comerciais do Grande ABC.

“É um valor considerável o que a data movimentará no comércio, mas se compararmos com os dados de 2014, não haverá crescimento real nas vendas. Por isso, estamos criando ações para ajudar os comerciantes, principalmente dos centros comerciais de rua, cuja pesquisa apontou que 27,6% dos entrevistados têm interesse em comprar o presente do Dia das Mães nesses locais”, diz Dotto. 



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