Vendas do varejo paulistano caem 2,7% no primeiro semestre


Apesar da queda, o resultado é melhor do que o registrado no mesmo período do ano passado segundo dados da Associação Comercial de São Paulo


  Por Redação DC 04 de Julho de 2017 às 15:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


As vendas do varejo da cidade de São Paulo cresceram 1,2% em junho, na comparação com igual período do ano passado. O comércio parece reagir à crise que perdura por dois anos. Mas será preciso remar muito para recuperar o terreno perdido. 

Os resultados acumulados no primeiro semestre do ano ainda apontam queda de 2,7% frente aos primeiros seis meses do ano anterior.

A boa notícia é que em 2016 o tombo, em igual comparação, era bem maior, de 11%. Os dados são do balanço de vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Como reforço para o comércio em junho, tivemos o Dia dos Namorados, a chegada do frio e o crescimento da massa salarial. Além disso, o uso dos recursos do FGTS inativo pelos consumidores foi fundamental para salvar o mês”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Em junho, as vendas a prazo e à vista apresentaram altas de 1% e 1,4%, respectivamente.

Houve uma sensível melhora na massa salarial ao longo do ano e, nos últimos meses, a injeção de recursos provenientes dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) ajudou o varejo. 

A inflação em queda, tendendo para uma histórica deflação, também tem influencia positiva no consumo. Há, entretanto, o receio do impacto da atual crise política na economia. A confiança do consumidor, que anda bem baixa, dificilmente será reconquistada nesse contexto.

Na comparação mensal, a alta de junho sobre maio foi de 0,8%. As vendas à vista, que costumam ser de menor valor, mostraram melhor desempenho nessa comparação, com alta de 1,2%. Já as vendas a prazo cresceram 0,4%, resultando no avanço médio de 0,8%.

Para a ACSP, o desempenho do comércio deve seguir estável. “A boa notícia é que, depois de dois anos experimentando quedas, não há motivos para o cenário piorar no próximo mês”, analisa Burti. Além disso, o frio deve ajudar nas vendas da moda outono-inverno.

Para ele, “a recessão pode ter ficado para trás, porém o ambiente político precisa melhorar para a retomada da confiança do consumidor”.

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