São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

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Varejo deve ter o pior Dia das Mães em uma década
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A data comemorativa mais importante para o comércio depois do Natal deve registrar o menor volume de vendas desde 2004, indica levantamento da Confederação Nacional do Comércio. Móveis e eletrodomésticos estão entre os itens menos procurados

O varejo deve registrar em 2015 o pior desempenho em um Dia das Mães desde 2004, estima a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A CNC projeta aumento de 0,5% no volume de vendas em relação a igual período do ano passado, com receita próxima a R$ 6,5 bilhões.

Diante da quase estagnação das vendas do varejo, as contratações de temporários tendem a ser menores este ano. No total, devem ser geradas 29,6 mil vagas, 0,5% a menos do que no Dia das Mães de 2014. Em termos porcentuais, é o pior desempenho de toda a série, iniciada em 2008 para este quesito.

O salário médio de admissão no varejo, por sua vez, deverá ficar em torno de R$ 1.105,00 (queda real de 0,7% ante um ano atrás). "As perspectivas de efetivação também devem ser menos favoráveis", avalia a CNC.

VESTUÁRIO

O setor de vestuário deve ser o maior contratante, responsável por 56,4% das vagas abertas no período. Mesmo assim, o contingente de 16,9 mil trabalhadores que devem ser admitidos será 1,5% inferior do que na mesma data comemorativa de 2014.

O segmento de vestuário costuma ser um dos maiores empregadores nesta época do ano, diante da grande procura por artigos deste setor. Além dele, as categorias de hiper e supermercados, e de móveis e eletrodomésticos também estão entre as preferidas para a compra de presentes. Juntos, os três segmentos são responsáveis por 71% da movimentação esperada no período. Todas, porém, devem registrar retração nas vendas.

VESTUÁRIO É O SEGMENTO QUE MAIS EMPREGA NO PERÍODO

"A maior queda será na venda de móveis e eletrodomésticos, com recuo de 2,8%", prevê a CNC. "A despeito da evolução mais favorável dos preços dos produtos comercializáveis nos últimos meses, as vendas em diversos segmentos do varejo já sofrem impactos negativos em decorrência da elevação do custo do crédito ao consumidor, cuja atual taxa de juros (54,4% ao ano) se encontra no patamar mais elevado desde março de 2011, segundo relatório recente do Banco Central", destacou a CNC.

Já as vendas de produtos em farmácias e perfumarias devem registrar a maior alta, de 7,8% em relação ao Dia das Mães do ano passado. Juntamente com o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, o setor deve impedir uma baixa ainda mais intensa no desempenho do comércio no período.

A CNC notou ainda que os bens e serviços mais demandados no Dia das Mães acumulam alta de 7,0% nos 12 meses até abril, de acordo com dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A alimentação fora de casa, incluindo o tradicional almoço do Dia das Mães, foi o item que mais subiu (10,5%), seguido de chocolates (10,2%) e de eletrodomésticos e equipamentos (9,2%).

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VENDAS A PRAZO TAMBÉM DEVEM CAIR

As vendas a prazo no comércio também devem cair na semana do Dia das Mães. A previsão de queda é de 3,6%, entre 3 e 9 de maio, na comparação com os sete dias que antecederam a data comemorativa em 2014. 

A projeção é do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CDNL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) com base na quantidade de consultas feitas ao banco de dados do SPC Brasil para compras a prazo em todo o território nacional. 

Se a estimativa for confirmada, as vendas a prazo devem apresentar a segunda queda consecutiva desde o início da série histórica, há seis anos. Nos anos anteriores, as variações foram de -3,55% (2014), 6,44% (2013), 4,40% (2012), 6,53% (2011) e 9,43% (2010).

Segundo a CNDL, a atual conjuntura econômica de inflação elevada, juros em alta e dólar valorizado tem pesado no poder de compra dos brasileiros e deve criar dificuldades para a retomada do crescimento do varejo.

INFLAÇÃO, JUROS E ALTA DO DÓLAR OBRIGAM CONSUMIDORES A COMPRAR ITENS MAIS BARATOS

A projeção de queda para este ano leva em consideração, ainda, "o baixo grau de confiança do empresário brasileiro com os rumos da economia, já que os consumidores têm se deparado com o enfraquecimento do poder de compra e o encarecimento das parcelas por conta da alta nas taxas de juros", diz a nota.

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VENDAS REAIS NÃO CRESCEM 

As vendas reais do varejo cresceram 2% em março, segundo estudo elaborado mensalmente pelos associados do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo). O resultado ficou abaixo da expectativa de crescimento de 5,4% divulgada pelo instituto. 

Em nota, o IDV considerou que a comparação anual é afetada por um efeito de calendário. Em 2015, o Carnaval foi no mês de fevereiro, mas em 2014 o evento havia acontecido em março. Além disso, a presidente do IDV, Luiza Helena Trajano, também presidente da varejista Magazine Luiza, considerou que as perspectivas dos associados têm sido afetadas pela mudança no cenário econômico, com redução da renda real das famílias e queda da confiança do consumidor.

O IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas) também indica a expectativa para os próximos três meses dos associados, que são algumas das maiores redes de varejo do Brasil. Os varejistas estimam crescimento real de 3,4% em abril, 2,68% em maio e 4,5% em junho, sempre em relação aos respectivos meses de 2014.

O segmento de bens não duráveis, que responde em sua maior parte pelas vendas de super e hipermercados, foodservice e perfumaria, apresentou crescimento de 0,55% em março deste ano, valor abaixo da média do IAV. A expectativa futura é de um crescimento maior nas vendas: 1,6% em abril, 1,7% em maio e 2,32% em junho.

Já o setor de bens semiduráveis, que inclui vestuário, calçados, livrarias e artigos esportivos, ficou acima do IAV em março, com fechamento de 7,2%. A estimativa de crescimento é de 7,3% em abril, 5,5% em maio e 8,7% em junho. 

Para o segmento de bens duráveis, os associados divulgaram resultado real de 0,33% em março. Para os meses subsequentes, a expectativa de crescimento real é de 3,2% em abril, 2,1% em maio e 4,6% em junho.

O IDV representa 64 empresas varejistas de diferentes setores. Entre os associados estão grandes grupos como Grupo Pão de Açúcar, Lojas Americanas, Magazine Luiza, Raia Drogasil, entre outros.



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