Varejo: vendas crescem 2,4% na primeira quinzena de junho


É o que revela o Boletim de Vendas da Associação Comercial de São Paulo. O desempenho foi beneficiado pelo cenário de inflação e juros em queda; salário real em alta e a liberação dos recursos do FGTS


  Por Redação DC 20 de Junho de 2017 às 10:46

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Depois de amargar dois anos consecutivos de quedas na primeira quinzena de junho, o movimento de vendas do varejo paulistano retomou o crescimento e apresentou um aumento médio de 2,4% nos primeiros 15 dias de junho de 2017 ante o mesmo período de 2016. É o que revela o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Já na primeira quinzena de junho de 2016, as vendas do comércio caíram em média 1,9% sobre igual período do ano anterior. E, em 2015, a retração foi de 3,9% na mesma base de comparação.

“O resultado de 2017 foi positivo, impulsionado pelas vendas de presentes para o Dia dos Namorados”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Segundo ele, outros motivadores de compra foram o cenário de inflação e juros em queda; o salário real em alta; as quedas da temperatura (beneficiando a moda Outono-Inverno), a liberação dos recursos do FGTS e a chegada das festas juninas.

A PRAZO E À VISTA

As vendas a prazo ficaram estáveis na primeira quinzena de junho (comparação anual), com uma leve queda de 0,1%. Já as vendas à vista cresceram 4,9%. “Predominaram presentes de menor valor, que são fortemente representativos na época do Dia dos Namorados”, diz Burti.

VARIAÇÃO MENSAL

Em junho de 2017 sobre o mês anterior, as vendas subiram em média 19,8% (22,1% a prazo e 17,5% à vista). O resultado é usual e indica que o Dia dos Namorados é uma data comemorativa em ascensão. No ano passado, por exemplo, as vendas cresceram em média 17,5% no mesmo período.

 

PROJEÇÃO PARA JUNHO

Os indicadores de movimento de vendas em SP não podem ser projetados para o mês todo porque após a data, o mercado tende a se enfraquecer; o mês tem menos dias úteis do que maio; e as denúncias políticas podem abalar a confiança do consumidor.

O Balanço de Vendas é elaborado pelo Instituto de Instituto de Economia da ACSP com base em amostra da Boa Vista Serviços.

CONFIANÇA

Atingido pelas incertezas lançadas no cenário político-econômico após a delação do empresário Joesley Batista, da JBS, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ficou estável na passagem de maio para junho (+0,0%), atingindo 102 pontos.

"A tramitação da agenda de reformas e a leve recuperação das vendas do comércio vinham incentivando as expectativas dos comerciantes nos últimos três meses. Os acontecimentos políticos de maio, no entanto, lançaram novas incertezas no cenário de retomada da atividade econômica, afetando a confiança dos tomadores de decisão no varejo", afirma em nota a economista da CNC Izis Ferreira.

O resultado ainda mantém o indicador na zona positiva, acima dos 100 pontos da zona de indiferença. Na base de comparação anual, a confiança dos comerciantes teve um salto de 23,8%. O indicador foi influenciado pelos subíndices condições atuais dos empresários (+1,1%), expectativas de curto prazo (-2,8%) e de intenções de investimentos (-0,9%).

A proporção de comerciantes que avaliam as condições econômicas atuais como "piores" segue em queda. Para 64% dos varejistas, a economia piorou em junho, porcentual abaixo daquele observado em junho de 2016 (84,7%).

 

FOTO: Estadão Conteúdo