São Paulo, 30 de Maio de 2017

/ Negócios

Rua Barão de Duprat é opção para fazer festas e gastar pouco
Imprimir

Com os altos preços dos aluguéis de salões de festas e bufês, as lojas da rua, na região da 25 de março, são uma ótima alternativa para economizar. Foi o que fez o casal acima, Hítalo e Vitória

Datas e comemorações especiais – aniversários, Carnaval, Natal e até o Halloween, que só recentemente entrou para o calendário festeiro do Brasil – são o termômetro das vendas e também fontes reveladoras de como anda o bolso e a disposição dos consumidores.

Este mercado que atrai diferentes modelos de negócios - das lojas especializadas em artigos para festas aos bufês infantis especializados -, conta com muitas e criativas opções para famílias que não hesitam em investir em comemorações tradicionais ou extravagantes, sempre de acordo com o gosto e a vontade, mas principalmente, do orçamento do freguês.

Da decoração e lembrancinhas às fantasias e cenários originais, vale tudo na hora de comemorar.

E vale também, antes de tirar o cartão do bolso, um passeio pela rua Barão de Duprat, paralela a duas quadras da famosa vizinha 25 de março.

O endereço que ganhou fama abrigando as pioneiras lojas de embalagens e material de artesanato da região do Mercado Municipal, agora se apresenta com suas fachadas multicoloridas e improvisados mestres de cerimônia, que literalmente puxam o cliente para dentro das lojas, confirmando que atualmente intensificou-se ali a concentração de estabelecimentos dedicados à realização da festa dos sonhos, não somente de crianças mas de gente grande também.

HELINGTON OLIVEIRA, GERENTE DA RIZZO: AMPLIAÇÕES NA LOJA PARA DAR CONTA DO MOVIMENTO

Esta era a motivação de HÍtalo Alves, garçom de 18 anos e Vitória Soares Oliveira, estudante com 17: realizar uma inesquecível festa de aniversário para Giovana, sobrinha de Hítalo que completa 4 anos em 12 de outubro, Dia das Crianças.

Quando a ideia surgiu, os planos incluíam uma chácara com muitos brinquedos, fartos comes e bebes para 60 convidados e lembrancinhas. Preço estimado: cerca de R$ 5 mil na região de Franco da Rocha.

Desistiram.

Novo plano: a festinha aconteceria na casa de uma tia, em Caieiras, com decoração e brincadeiras por conta das compras de equipamentos de recreação que o casal descobriu naquela tarde, numa das lojas mais antigas do ramo, a Camicado.

LOJA CAMICADO: REPLETA DE PEÇAS DE DECORAÇÃO PARA FESTAS

Com as sacolas repletas de copos, talheres e pratinhos decorados, toalhas de mesa, guardanapos, adesivos e livrinhos de estória para levar como brinde da festa, Hítalo calcula: “Somando ainda os brinquedos, a confecção de salgadinhos, doces e mais os refrigerantes, vamos gastar R$ 2 mil, no máximo”.

Fazer a festa em casa, ou mesmo no salão de festas do prédio, é uma tendência dos tempos atuais, que Ricardo João Jamie, 77 anos, dono da MP Brinquedos percebeu junto com os dois filhos, Ricardo e Luciana, sócios do negócio que recebe, apenas em dias comuns, cerca de 500 pessoas.

Aos sábados, o movimento dobra para mil clientes que passam pelos caixas e saem com sacolas abarrotadas.

E não só de descartáveis vive a Barão de Duprat. Assim como a MP, outras lojas vendem e alugam brinquedos como escorregadores, pula pula, painéis de balões – uma solução decorativa que cria mosaicos com bexigas coloridas formando cenários e personagens que dão o tema da festa.

Também são divulgados cursos para formação de profissionais nestas atividades, incluindo as esculturas de balões, uma atividade que vem atraído pessoas com tempo livre como alternativa de trabalho.

Uma moda que colou é a personalização dos artigos de decoração. As novas tecnologias permitem imprimir nos pratinhos, lembrancinhas e até no bolo, fotos, data e o nome do aniversariante.

E tais serviços estão disponíveis em boxes de mini centros de compras, em contraste com os grandes espaços de auto serviço dos grandes do ramo. Há espaço para todos.

Quando a festa é coletiva, tipo Halloween, uma comemoração recentemente importada dos Estados Unidos para o Dia das Bruxas, 31 de outubro, é comum encontrar grupos fazendo a tradicional “vaquinha” para cobrir os gastos.

Outra forma encontrada de economizar custos é fazer a festa ao ar livre, em parques como o  Ibirapuera e Villa Lobos - uma prática comum entre os europeus, independentemente da condição financeira, que aproveitam o verão nos parques públicos, desfrutando das instalações, playgrounds, e trazendo comidas e bebidas de casa.

Helington Oliveira, 27 anos, gerente da Rizzo Embalagens também comemora. A loja recentemente precisou ampliar as instalações para dar conta do movimento.

A rua já foi antes reduto de manutenção e acessórios para celulares e produtos eletrônicos, valendo-se da proximidade com a Galeria Pagé, a antiga e ainda atuante meca dos importados na região.

Por outro lado, Joseane Salmazzi relata sua experiência como empresária, dona de um bufê por 16 anos e que acabou vendendo o negócio por conta da baixa procura e os alto custos:

“Quando percebi que os clientes estavam sumindo, voltei a trabalhar na minha profissão” disse a advogada que estava na Barão de Duprat fazendo compras para o aniversário do marido.

Isso não significa, de acordo com especialistas, que exista uma crise generalizada no mercado de bufês.

"O maior problema, a meu ver, está na má gestão", afirma Hubert Krause, 36 anos, bacharel em lazer e indústria de entretenimento, que há 15 anos atua como consultor neste setor.

"Muitos bufês, mesmo realizando um número considerável de festas, ainda têm dificuldades para manter o negócio."

KRAUSE: DIFICULDADE DOS BUFÊS PARA FIXAR PREÇOS

A principal dificuldade, de acordo com Krause, diz respeito ao processo de negociação de valores de seus pacotes com os clientes. Na ânsia de realizar a venda, tendem a conceder grandes descontos e cortesias, diminuindo assim a rentabilidade.

Ele conta que visita clientes em todo o Brasil e até no exterior. Dos últimos 30 visitados, observou que 25 encontram dificuldades em formar o preço de seus produtos e serviços.

"Não tinham a real transparência da sua margem de lucro, descontos com impostos e taxas de cartão de crédito", afirma o consultor.

Em época de crise como agora, conclui, é preciso gastar mais tempo com os clientes, dedicar mais energia para o atendimento, o processo de venda e negociação.

FOTOS: Wladimir Miranda

 



A agropecuária foi o destaque positivo da atividade econômica, com alta de 10,8%, segundo levantamento da Serasa

comentários

Embora com média pouco acima da América Latina, o país continua atrás de quatro dos 11 países do Continente, de acordo com levantamento da FGV

comentários

Parte do mercado acredita que ele não tem fôlego para evitar novas concessões na reforma da Previdência, com efeitos muito ruins no futuro da economia

comentários