São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Quando é melhor separar uma unidade de negócios para conquistar novos mercados?
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Saiba o que são e como funcionam as spin-off, empresas promissoras que nascem dentro de outras organizações

Sabe quando um personagem de uma série de televisão se torna tão relevante que ganha uma série só para ele? Isso já aconteceu em séries conhecidas, como Friends e Breaking Bad. Essas “subséries” são chamadas de spin-offs

No mundo corporativo, também acontece uma movimentação parecida que recebe o mesmo batismo. Unidades de negócios promissoras se tornam empresas independentes para crescer rapidamente. O conceito é semelhante ao de cisão.

“A diferença é que o spin-off tem a conotação de ser o desmembramento de uma unidade relevante, inovadora e com grande potencial de crescimento”, afirma Ina Kjaer, especialista em integração e separação de empresas e sócia da consultoria KPMG. 

“Uma medição de desempenho da bolsa norte-americana, feita em 2013, mostra que as empresas que surgiram de spin offs cresceram duas vezes mais do que a média das demais companhias”, diz Ina. 

Conversamos com empreendedores que criaram spin-off e especialistas em desmembramentos de empresas para saber quando é recomendando realizar um spin-off e como organizar a nova empresa. 

QUANDO É RECOMENDADO FAZER UM SPIN-OFF 

Há muitos motivos que levam uma empresa a promover um spin-off. O fator principal é quando uma unidade de negócio difere muito do foco de atuação da empresa. Neste caso, criar uma empresa independente faz com que o empreendedor dê atenção estratégica e operacional sem desviar recursos do negócio de origem. 

Outro fator que pode levar ao desmembramento é uma situação de crise. Realizar um spin-off pode ser uma alternativa para gerar caixa. Neste caso, a unidade desmembrada poderia ser vendida para angariar recursos para a empresa-mãe. 

De acordo com uma tese que trata de spin-off como efeito de inovação nas empresas, desenvolvida por Rodrigo Petterle, diretor da consultoria KPMG, e por Rodrigo Sluminsky, sócio do escritório especializado em fusões e aquisições Zerbini Martins Advogados Associados, desmembrar uma unidade também pode servir para criar uma identidade distinta e oportunidades de investimento específicas em cada negócio – uma nova estratégia de crescimento. 

SAIBA MAIS: Como tornar sua empresa mais inovadora em 90 dias

Esse é o caso da mineira Samba Tech, que desenvolve tecnologia para distribuição de vídeos on-line. Há três anos, a empresa mantém um programa de inovação. Bimestralmente, os funcionários passam uma semana desenvolvendo protótipos de produtos e serviço funcionais. “Uma spin-off surgiu desse programa”, afirma Gustavo Caetano, de 33 anos, fundador da Samba Tech.

A nova empresa foi a Samba Ads, que presta serviço de publicidade digital, fundada em 2013. “A Samba Ads poderia ter dificuldade para crescer caso fosse mantida apenas como um serviço”, diz Caetano. “Hoje, ela tem uma equipe própria focada em desenvolvimento para ganhar mercado.”

Para dirigir a nova empresa, Caetano destacou Rodrigo Paolucci, primeiro funcionário da Samba Tech, que ocupava o cargo de diretor de negócios. Hoje, Caetano continua como CEO da Samba Tech e participa do conselho da Samba Ads. 

GUSTAVO CAETANO, DA SAMBATECH: SPIN-OFF NASCEU DE PROGRAMA DE INOVAÇÃO

COMO ORGANIZAR O NOVO NEGÓCIO

Após o desmembramento, a nova empresa pode passar por um período de transição em que usufrui de apoio operacional da empresa de origem. As empresas podem compartilhar as áreas financeira, jurídica, controladoria e logística – entre outras também conhecidas como back-office. Geralmente, esse apoio acontece por período determinado – um ou dois anos. Mas pode ser permanente. 

Porém, especialistas recomendam que o apoio seja coberto por um contrato de compra e venda, em que a empresa mãe passa a ser uma prestadora de serviço para a spin-off. 

“O apoio deve ser realizado com rigidez profissional para garantir a independência e o controle financeiro de ambas as partes”, afirma Rogério Shimmori, da consultoria de fusões e aquisições Invistia. 

Há 15 anos, o empreendedor mineiro Gustavo Travassos, de 46 anos, fundou a Maxtrack, que desenvolve equipamentos de rastreamento para veículos. Há dois, Travassos iniciou um projeto para desenvolver um negócio que pudesse ter receitas recorrentes num modelo de prestação de serviço. Era o início da Denox, empresa que desenvolve tecnologias de monitoramento e segurança para residências e empresas. 

Nos primeiro anos, Travassos usou a unidade fabril da MaxTrack para produzir os equipamentos usados pela Denox. No entanto, a parceria deve acabar em breve. “Estamos negociando com novos fornecedores da zona franca de Manaus.” 

O motivo para o encerramento é que a Denox está com uma demanda maior do que a Maxtrack consegue suportar. “Não faz sentido para o planejamento estratégico da Maxtrack investir na fábrica por causa de apenas um cliente – a Denox.” 

Atualmente, Travassos é presidente da Denox, que deve faturar R$ 3 milhões em 2015. O empreendedor ainda mantém uma cadeira no conselho da Maxtrack, que deve fechar o ano com receitas de R$ 86 milhões. 

GUSTAVO TRAVASSOS, DA DENOX: NOVO NEGÓCIO PARA GERAR RECEITAS RECORRENTES

A NOVA EMPRESA PODERÁ CAMINHAR SOZINHA

Ao considerar criar uma spin-off, o empreendedor deve considerar se a nova empresa vai sobreviver longe da empresa mãe. “É recomendado que o empreendedor escolha desmembrar unidades que são relativamente independentes, geram receita e tem estrutura própria”, afirma Rogério Shimmori, da consultoria Invistia.

Por outro lado, um spin-off permite novas oportunidades de investimentos externos que ajudam a dar fôlego ao novo negócio. Grandes empresas, por exemplo, realizam spin-off considerando abrir o capital na bolsa. Foi o caso da Smiles, administradora de milhagens da companhia área Gol.

O desmembramento aconteceu em dezembro de 2012. Quatro meses depois, a Smiles abriu capital na Bovespa e levantou R$ 1,13 bilhão, de acordo com números da Comissão de Valores Mobiliários. 

No mundo das pequenas e médias, a empresa pode receber recursos de fundos que aplicam em negócios emergentes. Para voar sozinha, a Samba Ads, por exemplo, recebeu aporte de US$ 500 mil de quatro fundos de investimento e do empreendedor alemão Florian Otto, um dos fundadores do e-commerce Groupon. 

RISCOS E CUIDADOS COM SPIN-OFFS 

Antes de realizar o spin-off, o empreendedor precisa analisar os aspectos jurídicos e tributários do novo negócio. Dependendo do setor de atuação, a carga de impostos pode ser bem diferente – e pode causar impacto significativo na rentabilidade. 

Também deve observar se o negócio precisa de certificações de órgãos regulatórios, como Anvisa e Anac, ou de aprovações para importação de matérias primas, por exemplo. “Em alguns casos, essas aprovações podem demorar em sair e impedir a empresa de iniciar a operação”, afirma Ina Kjaer, da consultoria KPMG. 



Agora ele espera que o discurso se materialize na prática, de acordo com o presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães

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