São Paulo, 25 de Setembro de 2016

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Preço de aluguel em comércio de rua registra queda em São Paulo
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Esfriamento da economia e crescimento da oferta de imóveis para locação estão entre fatores que explicam tendência de declínio revelada pela consultoria BG&H

Um dos sinais de que o comércio de rua não vai bem na capital paulista é o preço do aluguel. Considerando esse quesito, é possível dizer que os pontos comerciais na maior metrópole do país já sentem os efeitos da retração econômica, provocada pela alta da inflação e dos juros, do maior endividamento das famílias e das incertezas sobre os rumos da economia.

Em contraste com o que ocorre em outras partes do país, o valor médio do aluguel em lojas de ruas de São Paulo está em queda desde agosto de 2013, de acordo com levantamento que acaba de ser concluído pela BG&H, consultoria especializada em expansão do varejo.

Em outubro passado, o valor médio do metro quadrado do aluguel de lojas de ruas em São Paulo ficou em R$ 67, após ter batido em R$ 70 em abril; R$ 79 em novembro de 2013 e R$ 81 em agosto do ano passado. Isto é, a queda no preço da locação chegou a 17%, comparando-se a pesquisa atual com a de agosto de 2013. E 4,2% menor se cotejado a pesquisa anterior, conduzida em abril.

Essa queda, segundo a da BG&H, não reflete apenas o enfraquecimento das vendas no comércio. É resultado também da maior oferta de imóveis disponíveis para locação, movimento atualmente generalizado em todo o mercado imobiliário.

O levantamento da BG&H identificou que somente na região Leste de São Paulo houve aumento nos preços do aluguel. Nesta região, o valor médio do metro quadrado do aluguel de lojas de ruas ficou em R$ 48, ou 11,6% maior do que o verificado na pesquisa anterior (abril de 2014), de R$ 43.

“Isso é reflexo, em parte, das iniciativas de desenvolvimento da região, como o programa de incentivos fiscais para prestadores de serviços, com o objetivo de promover e fomentar o desenvolvimento da área que circunda as avenidas Jacu Pêssego e Radial Leste”, afirma Cristiane Novais, consultora da BG&H.

Em todas as outras regiões do município houve queda do preço do aluguel do comércio de rua. A maior queda, de 8%, ocorreu na região Sul, onde o valor médio do metro quadrado caiu 8%, de R$ 75 (em abril) para R$ 69 (em outubro).

Marcos Hirai, sócio-diretor da BG&H, diz que a pesquisa reflete o preço médio, mas ressalta que em alguns polos de varejo, como as ruas João Cachoeira, Visconde de Pirajá, José Paulino e 25 de Março,  por exemplo, não há pontos disponíveis para locação, locais em que, eventualmente, os preços dos aluguéis podem até estar estabilizados ou subindo.

Em algumas dessas regiões da cidade os preços dos aluguéis já haviam subido significativamente nos últimos anos. No bairro de Moema, zona Sul, por exemplo, um contrato de aluguel de R$ 5,7 mil, em 2009, passou para R$ 11 mil em 2013, segundo levantamento feito pela BG&H.

Sinal oposto em outras capitais

O cenário identificado em São Paulo vai na contracorrente do que ocorre em outras metrópoles. O levantamento da BG&H, que analisou mil pontos comerciais em ruas de 12 cidades brasileiras, constatou que, na média, o preço do metro quadrado do aluguel em lojas de rua subiu 5%, passando de R$ 69 (na pesquisa de abril passado) para R$ 72 (emm outubro).

Enquanto São Paulo, Campinas, Florianópolis e Recife apresentam tendência de queda no valor de aluguel. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador, ao contrário, já registram alta no valor da locação de lojas de ruas, comparando os dados de abril e outubro deste ano.

As lojas de ruas em São Paulo são cada vez mais opção das franquias para escapar dos altos custos de ocupação dos shoppings centers. A própria pesquisa da BG&H identificou que o valor médio do metro quadrado do aluguel de lojas em shoppings está em alta em todas as 12 cidades pesquisadas, apesar deste período de retração econômica.

Em São Paulo, o preço médio do aluguel de loja em shoppings, de R$ 273 o m2, em outubro deste ano, é 35,9% maior do que o de agosto de 2013, segundo pesquisa da BG&H. Confira aqui.



Em agosto, a queda nominal foi de 0,37% na média de 11 cidades brasileiras, de acordo com levantamento Fipe-Zap

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