São Paulo, 25 de Setembro de 2016

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Pessimismo atinge o auge no setor de construção civil
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Perspectiva de desempenho das empresas do setor atingiu o menor nível em quase 16 anos, segundo pesquisa da FGV. Varejo de material de construção se mantém estável

O pessimismo dos empresários da construção civil piorou nos últimos meses diante da contínua retração da atividade do setor, forte restrição ao crédito e aumento da inflação e juros.

De acordo com sondagem da Fundação Getulio Vargas, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), a perspectiva de desempenho das empresas da construção atingiu o menor nível em quase 16 anos, ao cair para 35,9 pontos.

O resultado representa uma baixa de 3,2%, na comparação com o último levantamento, realizado em fevereiro, e um recuo de 19,7% no acumulado de 12 meses.

De acordo com o Sinduscon-SP, os resultados refletem o agravamento das expectativas dos empresários da construção diante da crise econômica nos primeiros meses do ano, quando foram anunciados cortes no orçamento da União, de R$ 25,7 bilhões no PAC e de R$ 5,6 bilhões no Minha Casa, Minha Vida.

"As empresas vivenciaram um período de crescimento forte no setor até 2013 e muitas investiram com a perspectiva que o desenvolvimento fosse mais sustentado. O cenário no curto prazo está deteriorado", explica o presidente do sindicato, José Romeu Ferraz Neto. "Soma-se a isso a forte restrição ao crédito e o aumento da inflação, dos juros e do desemprego".

Apurada trimestralmente pelo SindusCon-SP desde agosto de 1999, a sondagem segue uma escala que vai de "0" a "100", tendo o valor "50" como centro. Ou seja, abaixo de "50" pode ser interpretado como um desempenho não favorável. A exceção fica apenas por conta do item dificuldades financeiras, cujos valores abaixo de "50" significam dificuldades menores.

O SindusCon-SP avalia que o panorama atual pode mudar no médio prazo com o recente anúncio do governo federal de investimento de R$ 198,4 bilhões da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), aliado à mudança nas regras do depósito compulsório, que liberou R$ 22,5 bilhões da poupança para financiamentos imobiliários, e a injeção de R$ 4,9 bilhões por meio da linha Pró-Cotista do Fundo Garantidor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Além da queda na perspectiva, a avaliação dos empresários sobre o desempenho atual de suas companhias recuou para 34,5 pontos. O resultado representa uma queda de 8,6% em relação ao levantamento anterior e uma baixa de 22,7% em 12 meses, atingindo o pior patamar desde novembro de 1999.

O indicador de dificuldades financeiras atingiu o pior nível já registrado pela pesquisa desde seu lançamento, em agosto de 1999, saltando para 69,7 pontos, aumentos de 15,1% frente fevereiro e 24,0% em 12 meses. O índice de otimismo quanto ao crescimento econômico caiu para 12,4 pontos, baixas de 5,6% e 45,6%.

A percepção das construtoras sobre a condução da política econômica, por outro lado, apresentou melhora de 11,1% frente a sondagem anterior e de 36,7% nos intervalo de 12 meses, ao atingir 27,7 pontos.

Entre outros indicadores, o número referente a perspectivas de evolução dos custos caiu 4,5% ante fevereiro e ficou em patamar próximo do apresentado no ano passado, ao tocar 48,1 pontos. De acordo com o SindusCon-SP, apesar da menor dificuldade para contratação de mão de obra, a inflação em alta teve um peso maior para as empresas.

VAREJO

Depois de ensaiar por dois anos sua estreia no mercado brasileiro com a marca Sodimac, o Grupo Falabella acabou abrindo sua primeira loja num momento em que a economia passa por uma desaceleração.

Segundo dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), as vendas no varejo de material de construção caíram 2% em maio, na comparação com abril, e 7%, em relação a maio de 2014.

"Nos cinco primeiros meses do ano, no entanto, as vendas ficaram estáveis", explica Cláudio Conz, presidente da Anamaco. "Em geral, não estamos sofrendo com a crise, porque não estamos ligados diretamente à construção civil." Segundo Conz, a situação da indústria pesada não reflete o varejo e o mercado de reformas no País. "O brasileiro continua comprando, trocando o piso, mudando a cor da sala."

Em maio, as grandes lojas e os home centers apresentaram resultado positivo no mês, com aumento de vendas de 5% com relação a abril. No entanto, as lojas médias tiveram queda de 5% e as lojas pequenas tiveram desempenho de vendas estável no mês.



O setor encerrou o mês com 2,73 milhões de pessoas empregadas, uma queda de 1,13% em relação a junho

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O resultado é comparado a igual mês do ano passado, que de acordo com a Abramat indica uma redução no ritmo de queda

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A leve alta na passagem de julho para agosto mostra desaceleração do índice. Na medição anterior, o aumento foi de 1,21%

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