São Paulo, 24 de Janeiro de 2017

/ Negócios

Pessimismo atinge o auge no setor de construção civil
Imprimir

Perspectiva de desempenho das empresas do setor atingiu o menor nível em quase 16 anos, segundo pesquisa da FGV. Varejo de material de construção se mantém estável

O pessimismo dos empresários da construção civil piorou nos últimos meses diante da contínua retração da atividade do setor, forte restrição ao crédito e aumento da inflação e juros.

De acordo com sondagem da Fundação Getulio Vargas, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), a perspectiva de desempenho das empresas da construção atingiu o menor nível em quase 16 anos, ao cair para 35,9 pontos.

O resultado representa uma baixa de 3,2%, na comparação com o último levantamento, realizado em fevereiro, e um recuo de 19,7% no acumulado de 12 meses.

De acordo com o Sinduscon-SP, os resultados refletem o agravamento das expectativas dos empresários da construção diante da crise econômica nos primeiros meses do ano, quando foram anunciados cortes no orçamento da União, de R$ 25,7 bilhões no PAC e de R$ 5,6 bilhões no Minha Casa, Minha Vida.

"As empresas vivenciaram um período de crescimento forte no setor até 2013 e muitas investiram com a perspectiva que o desenvolvimento fosse mais sustentado. O cenário no curto prazo está deteriorado", explica o presidente do sindicato, José Romeu Ferraz Neto. "Soma-se a isso a forte restrição ao crédito e o aumento da inflação, dos juros e do desemprego".

Apurada trimestralmente pelo SindusCon-SP desde agosto de 1999, a sondagem segue uma escala que vai de "0" a "100", tendo o valor "50" como centro. Ou seja, abaixo de "50" pode ser interpretado como um desempenho não favorável. A exceção fica apenas por conta do item dificuldades financeiras, cujos valores abaixo de "50" significam dificuldades menores.

O SindusCon-SP avalia que o panorama atual pode mudar no médio prazo com o recente anúncio do governo federal de investimento de R$ 198,4 bilhões da nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), aliado à mudança nas regras do depósito compulsório, que liberou R$ 22,5 bilhões da poupança para financiamentos imobiliários, e a injeção de R$ 4,9 bilhões por meio da linha Pró-Cotista do Fundo Garantidor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Além da queda na perspectiva, a avaliação dos empresários sobre o desempenho atual de suas companhias recuou para 34,5 pontos. O resultado representa uma queda de 8,6% em relação ao levantamento anterior e uma baixa de 22,7% em 12 meses, atingindo o pior patamar desde novembro de 1999.

O indicador de dificuldades financeiras atingiu o pior nível já registrado pela pesquisa desde seu lançamento, em agosto de 1999, saltando para 69,7 pontos, aumentos de 15,1% frente fevereiro e 24,0% em 12 meses. O índice de otimismo quanto ao crescimento econômico caiu para 12,4 pontos, baixas de 5,6% e 45,6%.

A percepção das construtoras sobre a condução da política econômica, por outro lado, apresentou melhora de 11,1% frente a sondagem anterior e de 36,7% nos intervalo de 12 meses, ao atingir 27,7 pontos.

Entre outros indicadores, o número referente a perspectivas de evolução dos custos caiu 4,5% ante fevereiro e ficou em patamar próximo do apresentado no ano passado, ao tocar 48,1 pontos. De acordo com o SindusCon-SP, apesar da menor dificuldade para contratação de mão de obra, a inflação em alta teve um peso maior para as empresas.

VAREJO

Depois de ensaiar por dois anos sua estreia no mercado brasileiro com a marca Sodimac, o Grupo Falabella acabou abrindo sua primeira loja num momento em que a economia passa por uma desaceleração.

Segundo dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), as vendas no varejo de material de construção caíram 2% em maio, na comparação com abril, e 7%, em relação a maio de 2014.

"Nos cinco primeiros meses do ano, no entanto, as vendas ficaram estáveis", explica Cláudio Conz, presidente da Anamaco. "Em geral, não estamos sofrendo com a crise, porque não estamos ligados diretamente à construção civil." Segundo Conz, a situação da indústria pesada não reflete o varejo e o mercado de reformas no País. "O brasileiro continua comprando, trocando o piso, mudando a cor da sala."

Em maio, as grandes lojas e os home centers apresentaram resultado positivo no mês, com aumento de vendas de 5% com relação a abril. No entanto, as lojas médias tiveram queda de 5% e as lojas pequenas tiveram desempenho de vendas estável no mês.



2.150 empresas de construção, de um universo de 27 mil, estão em dívida com os trabalhadores

comentários

Em novembro, 58 mil postos de trabalho foram fechados pelo setor no país, de acordo com o SindusCon-SP

comentários

Percepção de que crise vem perdendo força levou indicador a registrar maior pontuação desde janeiro de 2015, segundo a FecomercioSP

comentários