São Paulo, 26 de Setembro de 2016

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Óticas buscam consolidação em meio à crise
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O setor faturou R$ 23 bilhões em 2014 e projeta uma expansão de 10% para 2015

As maiores redes de óticas do País devem tentar acelerar a consolidação de seu mercado, que ainda é muito pulverizado, durante este período de crise. Hoje, dos quase 25 mil pontos de venda do segmento, apenas 10% pertencem às três líderes. O trabalho dessas empresas para ampliar seu domínio em 2015 deve incluir a conversão de lojas independentes e a aquisição de redes regionais.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), o mercado brasileiro tem 86 redes de varejo de óticas - no entanto, mesmo companhias com menos de dez lojas são classificadas são classificadas como "cadeias". No Brasil, somente a Óticas Diniz, Óticas Carol e Chilli Beans têm mais de 500 unidades - 738, 733 e 600 lojas, respectivamente, segundo a associação. A quarta da lista é a Triton, com 160 unidades, seguida de Fotótica e Óticas do Povo, ambas com cerca de cem lojas.

O setor faturou R$ 23 bilhões em 2014 e projeta uma expansão de 10% para 2015. "As fabricantes estrangeiras estão se recuperando e vão aumentar a oferta, algo que beneficia o varejo. Mas a conjuntura econômica pode minimizar esse efeito no Brasil", diz o presidente da Abióptica, Bento Alcoforado.

A Abiótica está revisando suas projeções diante do novo patamar cambial e da piora da economia brasileira. "Todos os mercados são afetados pela desaceleração da economia. Cerca de 80% da compra de óculos é parcelada e compromete a renda futura. A queda da confiança do consumidor e a alta dos juros prejudicam as vendas do setor", explica o consultor Marcos Gouvêa, da GS&MD.

Hoje, aproximadamente 85% dos óculos vendidos no País são importados. Desde o início do ano, o dólar subiu mais de 20% sobre o real e o setor espera uma correção de preços no varejo. "Se o varejo repassar toda a alta do dólar, o consumo cai. Entendemos que o melhor a fazer é reduzir a margem para manter o faturamento", disse Alcoforado.

A crise deve motivar a conversão de lojas independentes para o modelo de franquias, fortalecendo as redes, na visão de especialistas. "A formação de redes é uma tendência em todos o varejo. Escala traz competitividade para o lojista", avalia Gouvêa. Dentro de uma rede, o lojista passa a ter mais poder de barganha com fornecedores e redução de custo de marketing.

A rede Óticas Carol, por exemplo, cresceu mais de 20% ao ano nos últimos três anos e atingiu faturamento de R$ 570 milhões em 2014. A empresa mantém planos agressivos de expansão para ocupar mais espaço no mercado brasileiro.

Segundo o presidente da companhia, Ronaldo Pereira Junior, além de permitir que seus franqueados abram mais lojas, a rede de óticas está também apostando na conversão de lojas sem bandeira e avalia aquisições regionais para acelerar a expansão.

O avanço das redes também acelera uma mudança de posicionamento do setor - os óculos, antes vistos como um "mal necessário", vêm se transformando em um acessório de moda. Por isso, a forma de vender o produto teve de ser mudada: antes, o setor esperava o cliente sair do consultório médico para fazer a venda; agora, vai ativamente atrás do cliente, com conteúdo focado em lançamentos. O segmento absorveu tendências do varejo têxtil, como o lançamento de coleções na troca de estações e de grifes assinadas por estilistas, designers ou celebridades.

A mudança do negócio fica transparente, segundo Pereira Junior, nas vendas de fim de ano. "Antes, vendíamos em dezembro o equivalente a 60% do volume de novembro, porque os consultórios dos oftalmologistas entravam de férias." Hoje o óculos virou presente de Natal e dezembro é o melhor mês para a Óticas Carol, com vendas 30% acima de novembro.

O setor ainda vê um grande potencial de crescimento, especialmente com a adoção de políticas públicas que incentivem o exame de vista. "Muitos brasileiros precisam de óculos e não sabem", disse o presidente da Abióptica. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que metade da população mundial precisa de óculos. Mas apenas 20% dos brasileiros usam óculos, segundo estatísticas do IBGE.



Agora ele espera que o discurso se materialize na prática, de acordo com o presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães

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