São Paulo, 23 de Julho de 2017

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O Mercado Livre busca varejistas. É bom para sua empresa?
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Um dos maiores nomes do comércio eletrônico tem criado lojas oficiais de marcas do varejo e indústria em sua plataforma para atrair mais visitantes e aumentar a credibilidade

Recentemente, o Mercado Livre bateu um recorde de vendas na América Latina. Em 24 horas, o marketplace vendeu mais de 1 milhão de produtos.

A façanha, que representa 12 itens vendidos a cada segundo, ocorreu três vezes, nos meses de maio e junho passado. 

A companhia está em franco crescimento. A loja online exibe mais de 40 milhões de anúncios e é frequentada por cerca de 180 milhões de usuários.

Em 2016, alcançou receita líquida de 844,4 milhões de dólares (cerca de 2,5 bilhões) –30% mais que no ano anterior.

O Brasil é seu maior mercado. Ano passado, a operação nacional cresceu 57% e teve receitas de 455 milhões de dólares (mais de 50% do total da companhia).

No mesmo período, o crescimento médio do comércio eletrônico no país foi de 7,4%, de acordo com o e-Bit. 

Uma recente estratégia tem ajudado na expansão. Nos últimos dois anos, o Mercado Livre tem investido para se tornar um marketplace para varejistas, distribuidores e indústrias de bens de consumo. 

A atualização do modelo de negócio deixa em segundo plano o foco inicial de intermediar transações entre pessoas físicas – modelo inspirado no site americano e-Bay. 

Atualmente, o Mercado Livre possui 639 lojas oficiais, que funcionam como e-commerces exclusivos de outras marcas dentro do marketplace. O modelo reúne negócios de diferentes portes e segmentos, como Casas Bahia, Camisaria Colombo, Decathlon e Sandro Moscoloni

LOJA OFICIAL DA SONY: CONTATO DIRETO COM O CONSUMIDOR

Ser uma loja oficial traz benefícios para o anunciante. Além de poder personalizar sua página com logo e banner, a marca passa a ter um assessor comercial, um funcionário do Mercado Livre que auxilia as lojas a vender mais. 

O profissional faz análise das fotos, descrições e títulos dos anúncios, recomenda ações de promoção e acompanha a satisfação do consumidor com a marca. Quando o índice está ruim, o assessor investiga os motivos por trás da má experiência de compra e sugere melhorias.

Fabricantes também têm ingressado no marketplace. Há lojas oficiais da Sony, Adidas, Brastemp e Chevrolet, entre outros. 

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De acordo com Cristina Farjallat, diretora de Marketplace do Mercado Livre, as indústrias se valem da plataforma para ter contato direto com consumidor final

Neste caso, a maior vantagem é obter informações sobre hábitos de compra, como produtos prediletos, itens que são abandonados no carrinho de compra, frequência de consumo e localização do comprador. 

“O contato com o consumidor permite ao fabricante melhorar seus produtos e desenvolver ofertas com mais aderência ao público-alvo da marca”, afirma Cristina. 

Ter um canal de venda direta também faz com que o fabricante aumente sua lucratividade, uma vez que não há custo de distribuição com intermediários (varejo).

Por outro lado, o Mercado Livre cobra uma taxa de 11% até 16% sobre as vendas. 

CRESCIMENTO DOS MARKETPLACES 

Nos últimos anos, grandes varejistas virtuais têm aderido ao modelo de marketplace, como Lojas Americanas, Magazine Luiza, Walmart e Netshoes, que permitem que outras empresas anunciem dentro de seus e-commerces. 

CRISTINA, DIRETORA DO MERCADO LIVRE: MARKETPLACE É TENDÊNCIA CRESCENTE NO COMÉRCIO ELETRÔNICO

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, 25% das vendas do segmento são feitas pelo modelo marketplace, o que deverá representar cerca de R$ 10 bilhões em 2017.

E quais fatores levam ao crescimento dos marketplaces?

De acordo com a executiva do Mercado Livre, o modelo é atrativo para o consumidor devido o fato de reunir em um só lugar diferentes categorias de produtos. 

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Ao mesmo, por ter alto volume de visitantes e vendas, o marketplace possui recursos para investir em melhorias tecnológicas na plataforma, promoções de venda (como descontos e frete grátis) e marketing digital

Por fim, há a influência da popularização do mobile commerce. Em 2017, as vendas por dispositivos móveis (smartphones e tablets) somaram 21,5% do total de transações no comércio eletrônico – um crescimento de nove pontos percentuais em relação a 2016. 

“Os consumidores não costumam baixar aplicativos de várias lojas”, afirma Cristina. “É mais prático baixar um aplicativo de um marketplace, que reúne um diversificado mix de produtos.”

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COMPANHIA PRETENDE ATRAIR MAIS MARCAS

Para permitir que um anunciante se torne uma loja oficial, o Mercado Livre leva em considerações critérios como relevância da marca e tamanho da operação (tanto on quanto off-line). 

A companhia também tem utilizado seus assessores comercias para identificar marcas que já utilizam a plataforma e que possuem potencial de crescimento. 

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Em setembro, ocorrerá a segunda edição do Meli Experience, evento para cinco mil pessoas que abordará temas do mercado de tecnologia e e-commerce e servirá para atrair mais marcas para o marketplace. 

“Ter empresas relevantes na plataforma atrai mais consumidores e agrega mais credibilidade ao Mercado Livre”, afirma Cristina.

A busca por melhor reputação se fez necessário por motivo de, no passado, o Mercado Livre ter sido palco de fraudes, em que anunciantes vendiam produtos e recebiam o pagamento, mas não entregavam as mercadorias. 

IMAGENS: Thinkstock e Divulgação



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