São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

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Microempresário vende óleo de café para EUA, França e Canadá
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Empresas brasileiras não atendiam exigências de cliente francês. Um executivo viu a oportunidade para abrir seu próprio negócio

O trabalho em uma multinacional e, depois, em uma trading, acabou despertando o lado empreendedor de Antônio Carlos Teixeira Pinto, 49 anos. “Por que eu mesmo não começo a produzir óleo de café, já que há demanda da França e as empresas brasileiras não estão conseguindo atingir a qualidade que os franceses querem?” Foi aí que o então executivo largou tudo e, em 2012, foi produzir óleo de café para a exportação. E ele já fala em diversificação. Seu relato:

“Trabalhávamos com exportação de café solúvel, até que um dia um cliente nos solicitou óleo de café torrado. Encontrei um fornecedor e iniciamos as vendas. Comecei a estudar o mercado de óleos vegetais, especificamente o óleo de café torrado e o óleo de café verde. Ao mesmo tempo conheci uma pessoa da França que precisava do óleo para um laboratório que desenvolvia formulações para a L’Oréal de Paris. Fizemos a primeira venda e recebemos uma reclamação com relação à qualidade. Trocamos de fornecedores outras duas vezes, e  o produto foi novamente reprovado. O óleo de café é de difícil extração e tem um rendimento extremamente baixo, o que o torna muito caro e proporciona pequena margem de lucro. Os fornecedores que eu tinha contato na época misturavam  óleos baratos com o óleo de café ou aplicavam métodos não apreciáveis na extração do óleo, como o uso de solventes.

Obcecado por qualidade e vislumbrando um mercado no exterior, surgiu a necessidade e o desejo de montar minha própria fábrica de óleos vegetais para uso cosmético, e assim aconteceu. A proposta inicial, e ainda atual, era de trabalhar somente com produtos de primeiríssima qualidade, e também de me relacionar somente com clientes e fornecedores de postura idônea, honestos e com interesse em “somar para dividir”.


Amostra de óleo de café produzido pela Ocen

Faltava-me ainda a experiência de ser “o dono” e sentir no bolso a burocracia e o desamparo dos empresários neste país. A sensação é que tudo está preparado para te pegar desprevenido, em vez de te auxiliar no melhor caminho. Como nunca fui muito bom em sentir medo, resolvi seguir em frente.

No final de 2012, com verba limitadíssima e, sozinho, comecei a procurar galpão e equipamentos. De novo a sorte e as pesquisas no Google me fizeram bater na porta na melhor empresa de maquinário para extração de óleos do Brasil, o que me ajudou a montar uma planta muito bem adequada às minhas aspirações.

Ainda antes de ter a empresa montada, consegui minha primeira venda de óleo para o exterior, uma quantidade relativamente grande. Então a filosofia do “somar para dividir” entrou em ação: pude contar com parceiros para produzir e para exportar este primeiro lote, ganhando tempo para concluir a montagem da fábrica.

Enquanto isso, eu continuava embrulhado na burocracia. Precisava alugar um galpão e ter autorização da Prefeitura para produzir no local. Falei com um, com outro, até achar o caminho das pedras e conseguir alugar o galpão, mas um fiscal acabou proibindo a abertura da empresa no local escolhido. Seguindo a minha proposta de empresa, eu só tinha duas opções: ou começar tudo do zero ou entrar com uma ação judicial contra a decisão do fiscal. Qual seria a mais rápida? Resolvi começar tudo do zero e dei entrada no processo novamente. Pasme, deu tudo certo! Em pouco tempo, a empresa estava aberta no local que eu queria, com tudo regularizado e legalmente aprovada. Nessas idas e vindas, perdi mais de um ano para estar com a fábrica funcionando.

Aprendi a dureza de trabalhar sozinho - não existe um manual que liste as necessidades, você cumpre e está acabado. Acredito que essa foi a maior dificuldade para a abertura da empresa. Mas deu certo, não podemos é parar.

Usei esse aprendizado na hora de exportar por minha própria conta. Eu precisava obter o Radar (cadastro de exportadores) para fazer as exportações por minhas próprias pernas. Procurei as instruções para me certificar por conta própria, mas já vacinado, resolvi contratar uma empresa para fazer este cadastro para mim. E esse foi um grande aprendizado mesmo. Eu realmente dei valor a minha parte na hora do dividir. Essa é a hora de darmos emprego, de fazer uso de empresas especialistas nas diversas áreas, de cumprirmos nosso papel social. As tentativas de fazer sozinho e economizar em algumas operações, no meu caso, foram grandes perdas de tempo, mais caras que o valor do serviço. Por outro lado, a escolha errada de empresas para execução dos serviços pode ser um problema maior que fazer por conta própria, mais demorado e mais oneroso.

Faltava então, uma conta bancária que eu queria exclusiva para receber as exportações e, sem histórico de faturamento (digo faturamento muito baixo de empresa nova), também ficou difícil. Entrei em vários bancos para conseguir a conta e a agência do jeito que eu queria. De novo, falei com um, com outro, e deu certo também. Nada foi fácil e rápido, mas tudo deu certo.
Quanto às exportações, gostaria de frisar e incentivar esta operação. Nunca estamos 100% preparados para o mercado externo. Existem muitas necessidades que só conhecemos na hora de exportar. Essas necessidades vão desde a adequação e a correta confecção de um manual de instruções, das necessidades e custos para uma exposição em outros países, até os requisitos técnicos para adequação de produtos e embalagens, que podem ser diferentes, conforme o país que se deseja exportar. Para nos ajudar a descobrir com antecedência essas necessidades, podemos contar com vários órgãos como a APEX, CECIEX, ACSP, Sebrae, IPT, Ital, entre outros, que  são ávidos por empresas com desejo de crescer".



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