São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

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Micro e pequenas empresas tiveram queda no faturamento em 2014
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Levantamento do Sebrae-SP mostra que a queda foi maior no varejo de pequeno porte, seguido por indústria e serviços

As micro e pequenas empresas paulistas não escaparam do desaquecimento da economia no ano passado, que baixou o ânimo do consumidor e, por consequência, deixou os empresários mais pessimistas. 

No ano passado, o faturamento das empresas desse porte caiu 0,6% em termos reais, ou seja, descontada a inflação do período medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), de 6,23% em 2014. 

Os dados são da pesquisa mensal Indicadores do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), da qual participam 2.716 empresários. 

Assim, as micro e pequenas empresas faturaram R$ 595,3 bilhões, o equivalente a R$ 3,9 bilhões a menos do que em 2013. Os setores que mais tiveram prejuízos foram o comércio, com queda de 5,9% no faturamento e a indústria, que teve retração na receita da ordem de 1,8%. 

O setor de serviços conseguiu passar bem por 2014, com incremento de 6,5% no faturamento, e foi beneficiado pelas atividades relacionadas a transportes e armazenagem. 

“São atividades que não apresentaram desempenho bom em 2013, então qualquer movimento de alta seria significativo. Esses serviços tiveram elevação no fim do ano, mas também durante o período da Copa do Mundo”, diz Marcelo Moreira, coordenador de pesquisas do Sebrae-SP. 

Ele explica que não necessariamente o segmento de serviços será o único a crescer no atual cenário, já que a reação ocorre em cadeia. Como exemplo ele cita a queda do comércio, que também foi influenciada pela baixa na indústria. 

Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que o setor de serviços  foi atingido pela atividade fraca do ano passado. 

LEIA MAIS: Setor de serviços também sofre com economia fraca

“Neste ano, teremos de conviver com aumento de juros e restrição do crédito. É menos dinheiro circulando na praça, com inflação beirando o topo da meta”, afirma Moreira. 

Na comparação entre as regiões do Estado de São Paulo, as micro e pequenas empresas da capital foram as únicas a registrar crescimento médio de 0,8% no faturamento em 2014 sobre 2013. 

O Grande ABC teve o pior resultado, com queda de 4,6% em 2014 sobre o ano anterior. “É uma região com forte presença de empresas do setor automotivo, que foram as que mais sofreram com o desempenho fraco da indústria”, acrescentou. 

No interior, a retração no faturamento desse perfil de empresas foi de 1,6% na comparação anual. A Região Metropolitana teve uma variação de 0,3%, praticamente estável. 

COMO SOBREVIVER

Moreira, do Sebrae-SP, diz que este ano deve ser parecido com 2014 e recomenda aos micro e pequenos empresários que observem a conjuntura macroeconômica, em especial as variáveis que vão influenciar o andamento de seus negócios. 

“Exemplos são o aumento de alíquotas de impostos e a alta de preços de energia e combustíveis, que determinam o aumento de despesas da empresa”, afirma. 

Em cima dessa realidade, o coordenador sugere três passos para atravessar esse ano. Primeiro: fazer um planejamento, observando as condições atuais do mercado e pensando sempre no que agregar ao negócio para que ele possa crescer. 

Em seguida, Moreira sugere que o empresário busque informações sobre como melhorar o desempenho da gestão de seu negócio, ou seja, como adequá-lo ao cenário. “É preciso verificar se é possível enxugar despesas e que atitudes tomar para manter a sobrevivência da empresa”, diz. 

Finalmente, é preciso adotar um comportamento empreendedor. “É determinar metas e estipular prazos para o cumprimento delas. É olhar para ver se está chegando onde imaginava e corrigir rotas”, afirma. 

Moreira diz que o empresário deve tomar cuidado com a tomada de financiamentos, que devem ser feitos apenas se resultarem em geração de valor para o negócio. “É um ano para evitar a alavancagem. O empresário deve tomar crédito apenas se tiver a visão de que vai conseguir arcar com a devolução do valor para o credor”, diz. 

Outro fator que vai mexer com o planejamento é a taxa de câmbio, tanto para quem vai receber quanto comprar em moeda estrangeira. 

Apesar de o ano ser de cautela, observação e rédea mais curta, o coordenador diz que o empresário deve evitar ao máximo o pessimismo. Em outras palavras, é preciso olhar para todo esse cenário com realismo, mas sem deixar-se contaminar pela ideia de que tudo vai ficar muito mal. 

Ao questionar os empresários sobre o que esperam para os seus próprios negócios daqui a seis meses, a pesquisa do Sebrae-SP mostra que o pessimismo aumentou. Do total, 16% disseram que vai piorar. Há um ano, apenas 9% tinham uma percepção tão negativa. 

A maioria, no entanto, ou 55% dos entrevistados, disse acreditar que haverá estabilidade e apenas 24% responderam que as coisas podem melhorar nesse período. 

Em relação à economia, os empresários também se mostraram mais desanimados e 32% disseram acreditar em uma piora. Em janeiro do ano passado, apenas 16% manifestaram esse sentimento. Do total, 46% esperam estabilidade e apenas 15% em melhora. 



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