Negócios

Menos burocracia e mais eficiência logística. É o que pede a Netshoes


Bruno Couto (foto), do Grupo Netshoes, comenta sobre os principais desafios do e-commerce brasileiro, na série especial Semana do Comerciante


  Por Thais Ferreira 20 de Julho de 2016 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


O que uma empresa que faturou R$ 2 bilhões em 2015 –um crescimento de 33% em relação ao ano anterior, em plena crise econômica – pode desejar? E se esse e-commerce ainda for líder de mercado em seu segmento? A empresa, no caso, é o Grupo Netshoes e as respostas para essas perguntas são muitas.

Como todo o comércio brasileiro, o Grupo Netshoes sente as consequências da falta de planejamento de médio e longo prazo no Brasil. O principal presente para o e-commerce, no Dia do Comerciante, seria a desburocratização, principalmente no setor logístico.

“Há benefícios para grande parte da população em uma política de melhorias em rodovias e incentivo em outros modais logísticos”, afirma Bruno Couto, executivo-chefe de marketing do Netshoes.

O grupo foi fundado em 2000. Tudo começou de forma bastante tradicional com uma loja física para vender produtos esportivos em São Paulo. Dois anos depois, nasceu o e-commerce. Em pouco tempo, todos os esforços foram concentrados na operação online.

A mudança valeu a pena: a loja virtual é considerada uma das maiores do segmento de esportes do mundo. Em 2014, a empresa decidiu expandir para o segmento de moda e lançou o e-commerce Zattini.

Hoje, o grupo enfrenta os desafio de um crescimento contínuo em plena recessão econômica.

Para Couto, um plano para país e uma maior produtividade logística afetariam profundamente o negócio da Netshoes.

“Com um cenário mais claro e, consequentemente de menor risco, os setores podem tomar decisões com mais tranquilidade e até ser mais ousados em investimentos, lançamentos, ações”, afirma.

LOGÍSTICA: ENTRAVE PARA O CRESCIMENTO

Uma pesquisa elaborada pela FDC (Fundação Dom Cabral) aponta que o custo logístico consome cerca de 11,7% das receitas das empresas – esse valor cresceu 1,8% em média no entre 2014 e 2015.

Para os representantes do comércio eletrônico, como o Grupo Netshoes,  aumentar a eficiência logística é fundamental tanto na compra de produtos junto com fornecedores quanto na distribuição para o consumidor final. 

José Candido Senna –gerente geral do projeto Exporta, São Paulo e Coordenador GeralComitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo – afirma que o cenário logístico deve receber novos aportes financeiros apenas 4 ou 5 anos depois da retomada do crescimento econômico.

“Essas mudanças não vem da noite para o dia, existe um tempo certo para que os investimentos retornem”, afirma Senna. “É preciso que as grandes empreiteiras se restabeleçam ou que novas de menor porte surjam para atender a demanda de modernizar os modais logísticos.”

De acordo com a pesquisa da FDC, 69,1% das empresas entrevistadas consideram as rodovias muito ruins ou ruins. A avaliação é ainda pior para ferrovias e portos: 95,5% e 80,8% responderam que a qualidade é muito ruim ou ruim, respectivamente.

Senna acredita que, quando as empresas voltarem a crescer, a atual estrutura, que já é precária, não será capaz de suportar a demanda. E, por isso, será urgente o investimento tanto do poder público quanto das iniciativas privadas.

Outra grande questão apontada são os assaltos em estradas: “75% dos roubos de cargas acontecem perto da cidade de São Paulo” afirma Senna.

“Com o aumento das cargas nos próximos anos, será preciso que o poder público tome as atitudes necessárias para que o policiamento seja de fato eficiente.”

A dependência do modal rodoviário ainda é uma grande barreira logística – os especialistas no assunto não acreditam que essa prevalência sofra mudanças em curto ou médio prazo.

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