São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Manequins high-tech mandam mensagens para o celular de clientes
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Na busca pelo aumento das vendas em lojas físicas, lojistas usam manequins que se comunicam e atraem clientes passantes

Os manequins querem lhe dizer algo. Sim, eles têm a mesma aparência dos outros: corpos flexíveis com rostos sem feições que seriam assustadores em um museu escuro durante a noite.

Mas esses podem chamá-lo do lado de fora da loja, enviando mensagens para o seu celular e transmitindo fotos das roupas que estão usando. Eles são um dos últimos esforços do setor varejista lutando para trazer os clientes da internet de volta às lojas físicas.

"Decidimos que tínhamos de encontrar uma forma de trazer o bom e velho manequim para o século 21", disse Jonathan Berlin, diretor executivo da Universal Display, a empresa que está vendendo manequins com implantes eletrônicos.

Se existe algo como um especialista em manequins, Berlin certamente se enquadra. Ele comprou a Universal Display do seu pai, que havia assumido o negócio do padrasto, o fundador, em 1951.

Berlin trabalha na empresa há quase três décadas, vendendo manequins para a Uniqlo, para a Lord & Taylor, para a Saks e para outros varejistas por todo o país. Há cerca de um ano, Berlin e seu sócio, Adrian Coe, tiveram a ideia de equipar os manequins com sinalizadores eletrônicos, pequenos transmissores que conseguem se comunicar com celulares.

Berlin e Coe criaram uma empresa separada, a Iconeme, apenas para os transmissores, que interagem com os usuários através do aplicativo da empresa. Os compradores conseguem ver o que os manequins de uma loja estão usando, quem criou as roupas e quanto custam.

Não está a fim de entrar em uma loja para encontrar um item? Você consegue até mesmo comprá-lo através do aplicativo.

Para alguns, pode parecer que a Iconeme foi criada para tirar toda a diversão de fazer compras. Mas Berlin argumenta que muitas pessoas que querem ganhar tempo adoram usar o smartphones e poderiam, às vezes, receber um pouco de ajuda extra na escolha de uma roupa.

"Algumas pessoas não têm a confiança para combinar uma roupa, precisam de inspiração", ele disse.

A Iconeme não é a única empresa tentando usar a tecnologia para ajudar as pessoas nas compras nas lojas. Uma empresa chamada MyBestFit criou quiosques que conseguem rapidamente escanear o corpo das pessoas, analisar um banco de dados de roupas e fazer sugestões.

Assim que tiveram a ideia, Berlin e Coe, um escultor que trabalhou para a Universal durante os últimos 20 anos, tiveram de pensar onde esconder o pequeno transmissor cilíndrico no manequim. "Testamos posições em todo o corpo", Coe contou.

Finalmente, eles optaram pela cintura. Os manequins conseguem enviar sinais para pessoas num raio de 30 metros da loja, tentando seduzi-las a entrar. "Assim que entram, metade da batalha foi vencida", Berlin disse.

O primeiro manequim com transmissor da Iconeme foi lançado na Inglaterra em agosto. Desde então, cerca de 3.500 pessoas já baixaram o aplicativo da empresa, segundo Berlin. A tecnologia de transmissores já é popular no comércio da Regent Street, rua de lojas de luxo em Londres, que utiliza transmissores para enviar promoções e anúncios para os compradores.

Ele contou que três lojas dos Estados Unidos estavam testando seus produtos, mas se recusou a revelar quais, citando contrato de confidencialidade.

Berlin espera que farmácias e lojas de utilidades domésticas possam se interessar por seus produtos para anúncio de mercadorias em geral.

Desde o colapso econômico de 2008, alguns varejistas vêm lutando com baixas vendas e a diminuição do tráfego a pé, pois muitos consumidores migraram para a internet. Antigas redes americanas como a Sears e a J.C. Penney têm patinado, e mesmo a Walmart, o maior varejista do mundo, teve de desenvolver novas linhas de negócio para atrair os clientes.

Berlin afirma que as maiores batalhas do setor varejista não prejudicaram seu negócio. Segundo ele, a Universal vende cerca de 35.000 manequins por ano, e aumentou 42 por cento desde o ano passado.

Porém, assim como o panorama, os manequins também mudaram. Alguns lojistas recorreram a planos provocativos para atrair clientes, com poses, corpos e rostos inusitados.

A Silvestri California, fabricante de manequins customizados, vende manequins com cabelos rebeldes e outros modelos inspirados no expressionismo alemão. "O nosso papo de venda é provavelmente o mesmo, só que mais pessoas começaram a ouvir", declarou Thomas Reistetter, presidente da Silvestri.

A Almax, uma empresa italiana, chegou a criar um modelo com câmeras embutidas nos olhos para melhor rastrear os clientes e o que eles olham. "Não sei se temos informações o bastante para saber se isso dá certo ou não. Acho que o pêndulo oscila, e existem momentos em que os manequins realistas se tornam muito populares", comentou Glenn Sokoli, professor associado adjunto do Instituto de Tecnologia da Moda, sobre alguns dos avanços tecnológicos.

Os designers originalmente utilizaram manequins no início do século 20 para ajudarem a fixar e customizar roupas. Eles por fim evoluíram em formas mais naturais, passando por estilos conforme os gostos culturais mudaram.

"Por que todos os manequins têm a mesma aparência?", Reistetter perguntou. "Se caminhar pela 5ª Avenida, verá que as lojas se esqueceram de que, para sobreviver como uma loja física, é preciso ser diferente."



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